Se tem uma coisa que o diretor e criador Tyler Perry sabe fazer é entregar um drama que prende a atenção, mesmo que a gente precise “desligar” um pouco o cérebro para aproveitar a viagem. A segunda temporada de Beauty in Black chegou à Netflix prometendo elevar o nível das intrigas familiares, traições e lutas por poder na cidade de Atlanta.
Mas será que essa mistura frenética de novela com suspense realmente entrega uma experiência que vale o seu tempo de maratona, ou é só mais do mesmo? Vamos descobrir.
Sinopse
Nesta segunda temporada, acompanhamos os desdobramentos da drástica mudança de vida de Kimmie (Taylor Polidore Williams). A ex-dançarina agora é a nova Sra. Bellarie e assume oficialmente o cargo de Diretora de Operações (COO) do milionário império de produtos capilares da família, logo após se casar com Horace (Ricco Ross) em uma cama de hospital.
Enquanto Horace viaja para a Itália para passar por um tratamento experimental contra o câncer, Kimmie tenta modernizar a empresa, criar uma forte presença nas redes sociais e tirar a família das dívidas. O problema é que os herdeiros mimados de Horace e sua ex-esposa invejosa não estão nada felizes com a perda da “mamata”.
Para piorar, Kimmie entra em rota de colisão direta com Mallory (Crystle Stewart), a antiga todo-poderosa da empresa que não quer largar o osso. Em paralelo ao núcleo empresarial, a temporada nos joga no meio de assassinatos, desmembramento de corpos e um caos violento envolvendo os personagens secundários.
Crítica da temporada 2 de Beauty in Black
O brilho inegável de Kimmie e Mallory
Se há algo que segura Beauty in Black nas costas e impede que a série descarrile de vez, são as atuações das suas protagonistas. Taylor Polidore Williams dá um show ao mostrar a evolução de Kimmie, que deixa de ser uma outsider assustada para se transformar em uma matriarca e líder implacável. É muito divertido vê-la sentando na cabeceira da mesa de reuniões, batendo de frente com a família Bellarie e mostrando, com dados e estratégias, que não está ali para brincadeira.
Do outro lado, Crystle Stewart entrega uma Mallory que é uma vilã carismática, fria e cheia de cartas na manga. A dinâmica entre as duas, que passam boa parte da temporada se rondando como inimigas mortais para, no fim, se tornarem aliadas relutantes (junto com Horace) contra o resto da família, é sem dúvida o ponto alto dos novos episódios.

Roteiro novelesco: entre o viciante e o absurdo
Tyler Perry não esconde sua assinatura estética e narrativa: a série tem um ritmo acelerado, cenários luxuosos que refletem a ostentação de Atlanta e foca sempre no valor de choque para manter o espectador preso. No entanto, a história sofre muito com seus próprios excessos. Em muitos momentos ao longo de seus 16 episódios, rola aquela sensação incômoda de que a trama simplesmente não sai do lugar.
Os personagens passam boa parte do tempo gritando, soltando palavrões e fazendo ameaças com um ar de superioridade falso, que rapidamente cai por terra porque eles falham repetidamente no que tentam fazer. Temas que deveriam ter um peso dramático maior são tratados com superficialidade, já que o roteiro nitidamente prefere focar em ganchos mirabolantes (os famosos cliffhangers) no final dos episódios do que construir um desenvolvimento profundo e coerente para seus personagens.
O caos paralelo e a superficialidade dos secundários
As subtramas são o momento em que a série cruza de vez a linha entre o drama familiar e o puramente bizarro. Temos Charles, que num surto bizarro no estilo Dexter, decide desmembrar corpos de assaltantes com uma motosserra na própria sala de casa, e acaba precisando chamar a mãe, Olivia, que já tem uma “equipe de limpeza” na discagem rápida para resolver a sujeira.
Temos também a melhor amiga de Kimmie, Rain, que sobrevive a uma cirurgia plástica clandestina quase fatal e, tempos depois, joga o filho do chefe de segurança pela janela do casarão por causa de um mal-entendido. Sem contar Angel, que precisa se fingir de morto após um atentado, mas aproveita o disfarce para estourar o limite do cartão de crédito de Horace com compras. É puro suco de guilty pleasure (aquele prazer culposo que a gente adora assistir escondido), mas que falha feio por entregar coadjuvantes rasos que não fogem dos estereótipos.
Conclusão
No fim das contas, a 2ª temporada de Beauty in Black é aquele entretenimento despretensioso que diverte, mas passa longe de revolucionar o gênero. Se você é fã de produções intensas, cheias de barraco, reviravoltas surreais e intrigas no melhor estilo da série Empire, esses novos episódios vão ser um prato cheio para o seu fim de semana.
Por outro lado, se você está buscando algo com a sutileza, as nuances e a genialidade de roteiro de uma dinastia como Succession, é melhor passar longe, pois vai se frustrar bastante com a abordagem extremamente exagerada e moralmente duvidosa de Tyler Perry. Beauty in Black cumpre seu papel comercial de gerar engajamento, mas definitivamente tropeça nas próprias pernas quando tenta se levar a sério demais.
Elenco da temporada 2 de Beauty in Black, da Netflix
- Taylor Polidore Williams
- Crystle Stewart
- Amber Reign Smith
- Xavier Smalls
- Julian Horton
- Steven G. Norfleet
- Richard Lawson
- Terrell Carter
- Shannon Wallace
- Charles Malik Whitfield

















