Se você, assim como eu, passou a primeira temporada de The Beauty: Lindos de Morrer com um misto de fascínio e nojo, os episódios 10 (“Belo Dia da Beleza”) e 11 (“Bela Traição”) entregaram exatamente o caos que a gente esperava de uma produção de Ryan Murphy.
A série construiu uma narrativa ácida sobre a nossa obsessão por padrões estéticos e, nestes dois últimos capítulos, jogou o pé no acelerador, provando que a busca cega pela perfeição pode, literalmente, criar monstros.
Com atuações intensas, reviravoltas corporativas e um body horror de tirar o fôlego, o encerramento da temporada não poupa ninguém — nem os personagens, nem o nosso estômago.
Sinopse
O caos se instaura quando o bilionário Byron Forst decide antecipar o lançamento global da sua milagrosa (e perigosa) droga embelezadora. Enquanto isso, acompanhamos o drama de Bella, uma adolescente que, desesperada para se encaixar nos padrões, recorre ao mercado negro e contrai a droga como uma doença sexualmente transmissível, o que resulta em uma mutação monstruosa.
Paralelamente, os filhos de Byron, Tig e Gunther, injetam a substância à força em sua mãe, Franny. Horrorizada por perder as marcas do seu próprio corpo, ela tenta o suicídio, o que faz Byron cair em si e suspender as operações da empresa ao ver que a droga tem causado milhares de deformações pelo mundo.
Inconformado com a decisão do pai, Tig se alia à Dra. Diana Sterling para tomar o controle do império. Eles oferecem um antídoto não testado para a equipe de protagonistas e Cooper — que havia sido transformado em uma criança de 12 anos — aceita o risco. O episódio acaba em um grande suspense quando uma misteriosa mão adulta sai do casulo de Cooper, deixando seus amigos em choque.
Crítica dos episódios 10 e 11, final de The Beauty: Lindos de Morrer
O verdadeiro horror mora na vaidade (e na pressão social)
O que torna o final de The Beauty tão impactante é a forma como a série contrasta duas gerações e visões sobre o próprio corpo. De um lado, temos Bella. A escolha de focar em uma adolescente comum de 16 anos na reta final foi uma jogada de mestre da direção para mostrar o verdadeiro termômetro de uma sociedade doente. A garota é o retrato trágico da pressão estética: ela prefere se submeter a um método ilegal e degradante a continuar sendo “normal”. O resultado é uma mutação irreversível e grotesca, que serve como um alerta brutal sobre os limites da vaidade.
No extremo oposto, temos Franny, vivida brilhantemente por Isabella Rossellini (e depois por Nicola Peltz Beckham após a transformação). A personagem traz o momento mais emocionante do finale ao repudiar a juventude forçada. Para Franny, suas estrias, cicatrizes e rugas eram a prova de uma vida vivida, de batalhas vencidas; ela se via como uma verdadeira obra de arte do jeito que era. A violação que ela sofre nas mãos dos próprios filhos é revoltante e levanta debates pesadíssimos sobre autonomia corporal e consentimento.

A virada de chave de Byron e a ganância corporativa
Sejamos honestos: Byron Forst passou a temporada inteira sendo um babaca corporativo intragável. Mas o roteiro conseguiu a proeza de humanizá-lo aos 45 do segundo tempo. A tentativa de suicídio de Franny quebra a casca do bilionário, fazendo-o perceber que o seu milagre em formato de injeção virou um pesadelo global com mais de 450 mil incidentes catastróficos. Ashton Kutcher entrega talvez a melhor performance de sua carreira aqui. Ele abandona o cinismo e desliga o projeto num estalar de dedos, provando que, no fundo, o amor pela esposa era a única coisa real na sua vida.
Contudo, a série é cínica o suficiente para não deixar o espaço vazio. Tig assume o posto de vilão sem o menor pudor, aliando-se a Diana Sterling. Fica claro que a verdadeira doença não é a feiura ou a velhice, mas sim a ganância. Tig não liga para as vítimas como Bella; ele só quer monopolizar o problema e vender a cura depois, provando que as grandes corporações sempre lucram com a insegurança das pessoas.
Body horror “raiz” e efeitos visuais
Um ponto altíssimo desses dois episódios foi o respeito ao terror físico. A série bebeu na fonte de clássicos do body horror, lembrando diretores como David Cronenberg e John Carpenter, sem parecer uma cópia barata.
A transformação de Bella não foi feita com um CGI preguiçoso; a atriz Emma Halleen realmente vestiu um traje de monstro construído com efeitos práticos, controlado por vários titereiros dentro de um armário, e o desespero da mãe ao encontrá-la foi genuíno e horripilante. Isso trouxe um peso palpável para o sofrimento que a droga causa.
Um cliffhanger arriscado (e talvez frustrante)
Apesar de quase tudo funcionar muito bem, a decisão final de Cooper me deixou com a pulga atrás da orelha. Ver um detetive experiente, preso no corpo de uma criança, aceitar injetar um antídoto completamente misterioso e não testado oferecido pelos vilões soou um pouco irracional. Claro, o desespero fala alto, mas foi uma conveniência de roteiro clara para criar o grande cliffhanger da temporada.
O corte seco para os créditos logo após uma mão adulta (e possivelmente deformada, a julgar pela cara de horror de Jordan e seus colegas) rasgar a placenta do casulo foi uma tortura. Deixou todo mundo se perguntando se Evan Peters volta na segunda temporada em sua forma original ou como uma nova aberração do universo de Ryan Murphy.
Conclusão
O final da primeira temporada de The Beauty: Lindos de Morrer é sujo, angustiante e incrivelmente divertido. Os episódios 10 e 11 amarraram bem as discussões filosóficas sobre o que realmente significa ser “perfeito”, punindo aqueles que tentam brincar de Deus e torturando aqueles que caem na armadilha da vaidade extrema.
Mesmo com um gancho final um tanto quanto apressado envolvendo o destino de Cooper, a série se consolida como uma das surpresas mais gratificantes e sombrias do ano. Só nos resta torcer para que a renovação venha logo, porque a curiosidade para saber o que saiu daquele casulo está enorme.
Onde assistir à série The Beauty: Lindos de Morrer?
Trailer de The Beauty: Lindos de Morrer (2026)
Elenco de The Beauty: Lindos de Morrer, do Disney+
- Evan Peters
- Anthony Ramos
- Jeremy Pope
- Rebecca Hall
- Ashton Kutcher
- Bella Hadid

















