Portobello crítica do 2 episódio da série da HBO Max 2026 - Flixlândia (1)

‘Portobello’ (1×02): o circo midiático e a queda de um ídolo

Foto: HBO Max / Divulgação
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O segundo episódio de Portobello, intitulado como “Prisão”, chegou provando que o diretor Marco Bellocchio não está para brincadeira na hora de dissecar uma das maiores injustiças da televisão italiana.

Esse capítulo da minissérie pega o gancho do choque inicial e nos joga de cabeça no pesadelo vivido pelo apresentador Enzo Tortora. Se o primeiro episódio foi sobre construir o mito, este segundo é focado em mostrar como é fácil destruir um homem usando apenas palavras, flashes de câmeras e muita inveja.

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Sinopse

Logo após ser preso no meio da noite de forma arbitrária, Enzo Tortora (vivido por Fabrizio Gifuni) é jogado aos leões: ele é exposto aos repórteres e fotógrafos com as mãos algemadas, transformando-se instantaneamente no troféu de um circo midiático. Ao chegar na opressiva prisão de Regina Coeli, Tortora lida com a humilhação extrema do cárcere, que vai desde ter que raspar a cabeça por conta de uma epidemia de piolhos até tentar sobreviver em uma cela fria.

Em paralelo, vemos o detento e mafioso Giovanni Pandico (Lino Musella) em Nápoles, despejando mentiras cheias de convicção para os promotores, criando uma narrativa falsa de que Tortora estaria usando a venda de “centrinhos” (toalhas de renda) como fachada para o tráfico de cocaína com a Camorra. Enquanto isso, do lado de fora das grades, a Itália se divide entre o apoio cego e o ódio imediato contra o apresentador.

Crítica do episódio 2 de Portobello

O peso do circo midiático e a presunção de culpa

O que mais machuca (e fascina) neste segundo episódio é a forma como Bellocchio expõe a hipocrisia da sociedade e da própria mídia. A série deixa claro que, no momento em que Tortora sai algemado, a ideia de presunção de inocência morre; o que impera é uma condenação instantânea alimentada por jornalistas famintos por manchetes.

O público, que pouco tempo antes aplaudia e reverenciava o homem que dominava a tela para 28 milhões de espectadores, agora destila ódio e o chama de monstro sem nem esperar pelas provas. É um retrato assustador de como a opinião pública é facilmente manipulada por narrativas de escândalo.

Portobello crítica do episódio 2 da série da HBO Max 2026 - Flixlândia
Foto: HBO Max / Divulgação

O choque de realidades: dos holofotes para as trevas

A direção é extremamente feliz em brincar com o contraste visual e emocional. Saem os estúdios de TV bem iluminados, cheios de cores e aplausos, e entram as sombras, a fotografia claustrofóbica e as grades da prisão. Enzo é retratado quase como um alienígena naquele ambiente. Uma das melhores cenas do episódio é o seu embate verbal com um colega de cela, um militante político que efetivamente cometeu um assassinato.

Esse diálogo escancara o absurdo da situação: o assassino confesso sabe por que está ali, enquanto Tortora — um homem liberal que só queria entreter as pessoas — não tem a menor ideia de como foi parar naquele inferno.

Atuações magistrais que seguram a tensão

Não dá para falar desse episódio sem exaltar o show de atuação. Fabrizio Gifuni está fantástico porque trabalha na sutileza. Ele usa expressões faciais contidas e o silêncio para mostrar a indignação de um homem que teve seu tempo e sua dignidade roubados. Do outro lado do ringue, Lino Musella entrega um Giovanni Pandico superteatral.

A cena em que ele dá o seu depoimento aos promotores, ditando as mentiras pausadamente só para dar tempo do datilógrafo registrar tudo, é de um cinismo revoltante e brilhante. É a inveja e a mitomania tomando forma humana e ganhando força diante da lei.

Conclusão

O episódio 2 de Portobello é uma hora de televisão tensa e incômoda, que vai muito além do simples true crime para se tornar um verdadeiro thriller psicológico e social. A escolha de encerrar o capítulo ao som de “Jesahel”, da banda de rock progressivo Delirium, é a cereja do bolo.

A música, que fala sobre se libertar do “cimento” e das “luzes”, serve como um grito sufocado da alma de Tortora, que agora está aprisionado no concreto da prisão e nas luzes tóxicas dos flashes dos paparazzi. Com mais quatro episódios pela frente para fechar esta minissérie, Bellocchio nos fisga completamente e nos faz questionar até que ponto acreditamos no que a mídia nos conta.

Onde assistir online à série Portobello?

Trailer de Portobello (2026)

YouTube player

Elenco da série Portobello, da HBO Max

  • Fabrizio Gifuni
  • Barbora Bobulova
  • Romana Maggiora Vergano
  • Lino Musella
  • Alessandro Preziosi
  • Fausto Russo Alesi
  • Claudio Burei
  • Mauro Aversano
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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