Belén Uma História de Injustiça 2025 resenha crítica do filme Prime Video Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘Belén: Uma História de Injustiça’, um drama de tribunal que não pede desculpas

Foto: Divulgação
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Quando a gente pensa em “filme de tribunal”, logo vem à cabeça aquelas produções americanas polidas, cheias de reviravoltas de última hora e discursos heroicos. Belén: Uma História de Injustiça, a aposta da Argentina para a corrida do Oscar, bebe dessa fonte, mas troca o brilho de Hollywood pela poeira e o suor de Tucumán.

É o segundo longa dirigido por Dolores Fonzi (que estreou com Blondi), e aqui ela não está para brincadeira: o filme é uma ferramenta política declarada, um grito que busca traduzir o juridiquês de um caso real para uma linguagem que todo mundo entenda e sinta na pele.

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Sinopse

A trama nos joga em 2014, numa província conservadora da Argentina. Conhecemos Julieta (que ganha o pseudônimo “Belén” para proteção), uma jovem trabalhadora de origem humilde. Ela chega ao hospital com dores abdominais terríveis, sem saber que estava grávida, e sofre um aborto espontâneo no banheiro.

O que deveria ser um atendimento médico de emergência vira um pesadelo kafkiano: médicos e enfermeiras, em vez de acolher, denunciam. A polícia invade a cena, acusa a garota de homicídio agravado pelo vínculo e a prende ali mesmo, ainda sangrando na maca.

Condenada a oito anos de prisão e esquecida por uma defesa pública incompetente, o destino de Belén muda quando a advogada Soledad Deza (interpretada pela própria Dolores Fonzi) assume o caso pro bono. O que se segue é a luta para reverter uma injustiça que se tornou o estopim para uma mobilização social sem precedentes no país.

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Resenha crítica do filme Belén: Uma História de Injustiça

Logo de cara, Belén: Uma História de Injustiça deixa claro que não vai ser um passeio no parque. O filme abre com uma sequência que flerta com o terror puro: um plano-sequência nervoso, claustrofóbico, acompanhando a protagonista no hospital. A gente sente a asfixia, a perda do controle sobre o próprio corpo e a virada brutal de paciente para criminosa.

É um começo contundente que dita a regra do jogo: aqui não tem “observação distante”, a câmera toma partido, e esse partido é o da vítima.

Belén Uma História de Injustiça 2025 resenha crítica do filme Prime Video Flixlândia (2)
Foto: Divulgação

O cinema como ferramenta de denúncia

O filme funciona como um procedural clássico (aquela estrutura de investigação passo a passo), o que o torna super acessível e até didático — talvez até demais em alguns momentos. A narrativa é linear, desenhando tintim por tintim as negligências, os preconceitos de classe e o abuso de poder de um sistema judiciário que parece ter prazer em punir mulheres pobres.

Essa clareza é a maior virtude e, ironicamente, o maior “pecado” do filme. Às vezes, Belén: Uma História de Injustiça soa meio panfletário. Os personagens podem parecer arquétipos: o juiz vilão, a advogada incansável, o sistema corrupto. Mas, sinceramente? Dá para sentir que essa foi uma escolha consciente da diretora. A intenção aqui não é criar ambiguidades morais complexas, mas sim expor uma ferida aberta e mobilizar a audiência. É cinema de urgência, feito para incomodar e educar.

Atuações que sustentam o peso da história

Dolores Fonzi, acumulando as funções de diretora e atriz, segura bem a onda como a advogada Soledad. Ela foge daquele heroísmo grandiloquente; a atuação dela é calcada na exaustão, na teimosia e naquelas tensões familiares de quem leva o trabalho para casa (inclusive com ameaças e tijoladas na janela).

Mas o coração do filme bate mesmo no peito de Camila Plaate, que vive a Belén. Enquanto o roteiro foca muito na batalha legal e na visão externa (o circo midiático, as marchas), é a Camila que humaniza o conflito. Com poucas falas, ela transmite um desconcierto e um medo palpáveis.

A presença dela é vulnerável, mas carrega uma dignidade silenciosa que impede que a personagem seja apenas um número estatístico. É uma pena que o filme não mergulhe mais no ponto de vista dela, preferindo focar na advogada, mas quando a câmera foca em Plaate, a gente entende o custo humano daquela injustiça.

A estética do confinamento

Visualmente, o filme é esperto. Os enquadramentos são fechados, evitando mostrar o teto, criando uma sensação constante de que as paredes (seja do hospital, da prisão ou do tribunal) estão se fechando sobre as personagens. A prisão é cinza, enorme, sufocante. Essa escolha estética reforça a ideia de que não há escapatória fácil daquela máquina de moer gente que é o Estado quando decide perseguir uma moralidade retrógrada.

Apesar de seguir uma fórmula que lembra dramas jurídicos americanos ou filmes da semana (a estrutura é previsível para quem já viu coisas do gênero), a execução técnica é sólida. A fotografia não tenta ser bonita, tenta ser eficaz. E funciona.

Conclusão

Belén: Uma História de Injustiça não reinventa a roda do cinema judicial e, se formos rigorosos, tem seus tropeços ao cair no melodrama ou na simplificação excessiva para passar sua mensagem. Mas julgar o filme apenas por isso seria ignorar sua potência. É uma obra sólida, honesta e necessária, especialmente no contexto latino-americano.

Ao conectar a tragédia individual de uma jovem com a “onda verde” que levou à legalização do aborto na Argentina, o filme cumpre seu papel de registro histórico e ferramenta política. Você sai da sessão não apenas entendendo o caso jurídico, mas sentindo o peso daquela luta coletiva. Pode não ser o filme mais original do mundo em termos de linguagem, mas tem a coragem de falar alto quando o silêncio já não é mais uma opção.

Onde assistir ao filme Belén: Uma História de Injustiça?

Trailer de Belén: Uma História de Injustiça (2025)

YouTube player

Elenco do filme Belén: Uma História de Injustiça

  • Dolores Fonzi
  • Camila Pláate
  • Laura Paredes
  • Julieta Cardinali
  • Sergio Prina
  • Luis Machín
  • César Troncoso
  • Lili Juárez
  • Ruth Pláate
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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