Depois de quase dois anos de espera, a família mais fofoqueira e elegante de Mayfair está de volta à Netflix. Se você, assim como boa parte do público, estava contando os dias para ver Benedict Bridgerton finalmente sossegar o facho, a Parte 1 da 4ª temporada chegou com tudo — ou quase tudo.
A estratégia da Netflix de dividir a temporada virou moda, e agora temos quatro episódios para digerir antes da conclusão em fevereiro. A promessa da vez é uma releitura clássica da Cinderela, focando no segundo filho, o artista (e agora confirmado como tendo apetites diversos) Benedict, e sua busca pela misteriosa Dama de Prata. Mas será que a fórmula de Shonda Rhimes ainda tem o mesmo fôlego? Vamos discutir.
Sinopse
A temporada abre as portas da Casa Bridgerton em meio ao frenesi de um baile de máscaras organizado por Violet. Enquanto seus irmãos estão praticamente todos casados e felizes, Benedict (Luke Thompson) continua fugindo de compromissos sérios, preferindo a vida boêmia a assumir o lugar de visconde na ausência de Anthony.
Tudo muda quando ele conhece uma mulher mascarada vestida de prata. A conexão é instantânea, mas, como manda o figurino do conto de fadas, ela foge à meia-noite deixando apenas uma luva para trás.
O que Benedict não sabe — e passa os episódios obcecado tentando descobrir — é que sua musa é Sophie Baek (Yerin Ha), uma criada que trabalha para a terrível Lady Araminta Gun e suas filhas. Sophie é a filha ilegítima de um conde, rebaixada à servidão pela madrasta após a morte do pai. Enquanto Benedict revira o “Ton” atrás dela, a realidade de Sophie é bem menos glamourosa, limpando a sujeira da elite.
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Resenha crítica da parte 1 da temporada 4 de Bridgerton
A química de “Benophie”: fogo ou banho de água fria?
Aqui a coisa fica dividida. Por um lado, Luke Thompson finalmente ganha o protagonismo, tentando equilibrar o lado sensível de artista com a postura de galã romântico. Yerin Ha, como Sophie, é descrita como luminosa e traz uma ingenuidade sincera misturada com o cinismo de quem conhece a dureza da vida.
No entanto, nem tudo são flores no jardim dos Bridgerton. Há quem diga que, apesar de estarem fazendo tudo certinho, o romance entre Benedict e Sophie carece daquele calor erótico e da tensão sexual que vimos nos casais anteriores, como Anthony e Kate ou até Penelope e Colin.
O grande problema, talvez, não seja a química dos atores, mas as escolhas do roteiro. No final desta primeira parte, Benedict toma uma decisão que pode ter assassinado a simpatia pelo personagem: ele propõe que Sophie seja sua amante, e não sua esposa.
Em 2026, ver um protagonista “progressista” oferecer uma vida de exclusão social para a mulher que diz amar soa menos como romance de época e mais como um comportamento tóxico, o que gerou críticas pesadas sobre ser um movimento de “veneno de bilheteria” para a marca.

Violet Bridgerton: a verdadeira “diamante” da temporada
Se o casal principal divide opiniões, a matriarca une a torcida. Violet Bridgerton (Ruth Gemmell) sai da posição de mãe casamenteira para viver seu próprio despertar sexual e romântico. O flerte dela com Lord Marcus Anderson (Daniel Francis) traz uma maturidade e uma sensualidade que, honestamente, roubam a cena.
É refrescante ver uma viúva sendo retratada com desejo e vida própria, em vez de apenas viver em função dos filhos. Há quem diga que Violet é o verdadeiro destaque e a “conquista da temporada”, ofuscando até mesmo o drama de Cinderela de seu filho.
O universo “de baixo” e a vilã que amamos odiar
Um acerto inegável desta temporada é a expansão do universo para a classe trabalhadora. A série finalmente olha para quem faz a magia acontecer: os criados. A dinâmica “Upstairs/Downstairs” (os patrões em cima, os empregados em baixo) enriquece a trama e tira a série da bolha exclusiva da aristocracia.
Nesse cenário, brilha Katie Leung (sim, a Cho Chang de Harry Potter) como Lady Araminta Gun. Ela entrega uma madrasta perversa, mas com camadas de complexidade e uma atuação feroz que a torna hipnotizante de assistir. A mudança de Sra. Varley para a casa de Araminta também adiciona um tempero extra, criando uma ponte perigosa entre os segredos dos Bridgertons e a vulnerabilidade de Sophie.
Ritmo e tramas paralelas
A estrutura da temporada, com episódios de mais de uma hora, permite aprofundar a relação do casal principal, mas também cobra seu preço. Algumas subtramas parecem perder força. Penelope como Lady Whistledown, agora revelada e casada, perdeu um pouco daquele perigo e acidez que moviam a coluna de fofocas.
Já a história de Francesca e John Stirling foca em intimidade e autoconhecimento, o que é bonito, mas pode soar arrastado para quem espera os fogos de artifício habituais da série. Além disso, a divisão da temporada em duas partes prejudica o ritmo, deixando a tensão central diluída.
Conclusão
A Parte 1 da 4ª temporada de Bridgerton entrega o luxo visual, as versões instrumentais de pop (sim, Vitamin String Quartet continua lá) e o escapismo que a gente ama. No entanto, ela tropeça ao transformar Benedict de um boêmio livre em um príncipe obcecado de forma muito brusca e termina com uma proposta que pode alienar parte do público.
Apesar dos pesares, a série ganha pontos valiosos ao dar palco para Violet e ao explorar as desigualdades de classe através de Sophie. É um começo promissor, mas que deixa um gosto agridoce. Resta saber se a Parte 2 vai conseguir consertar a “falha de caráter” de Benedict e entregar o final feliz que a gente espera, ou se vamos ficar apenas na torcida pela mãe da família. O baile começou, mas a dança está longe de acabar.
Onde assistir à temporada 4 de Bridgerton?
Trailer da 4ª temporada de Bridgerton
Elenco da quarta temporada de Bridgerton
- Adjoa Andoh
- Julie Andrews
- Lorraine Ashbourne
- Jonathan Bailey
- Ruby Barker
- Sabrina Bartlett
- Harriet Cains
- Bessie Carter
- Nicola Coughlan
- Phoebe Dynevor

















