Mulher Proibida crítica do filme 2024 Prime Video - Flixlândia (1)

A regra é não tocar: o que deu certo (e muito errado) em ‘Mulher Proibida’

Foto: Divulgação
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O Prime Video fisgou muita gente recentemente com “Mulher Proibida” (título original Ang Pintor at ang Paraluman), um drama erótico filipino que vem dando o que falar e dominando as conversas sobre lançamentos.

Dirigido e roteirizado por Marc Misa, o filme de 2024 se apoia numa ideia que é puro suco de tensão psicológica: o que acontece quando o seu maior desejo está bem na sua frente, mas você é estritamente proibido de tocá-lo?

A premissa é instigante e promete entregar uma reflexão profunda sobre controle, arte e obsessão. Mas será que a execução consegue segurar a ambição dessa história?

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Sinopse

A trama acompanha Tristan (Ali Asistio), um pintor de paredes frustrado que sonha em viver de sua arte criando retratos, mas que é constantemente ridicularizado e desmotivado pelo próprio tio, Paeng. No meio de uma grande crise criativa e um apelo desesperado por inspiração, a vida de Tristan vira de cabeça para baixo quando ele recebe a visita noturna de Paraluman (Athena Red), uma mulher misteriosa, quase mítica e de beleza irreal.

Ela faz uma proposta no mínimo curiosa: aceita ser a musa de seus quadros e posar nua para ele, com a única – e inegociável – condição de que Tristan jamais encoste um dedo nela. Se a regra for quebrada e ele ceder ao contato físico, as consequências serão fatais, e Paraluman pode até deixar de existir.

No meio desse jogo de gato e rato emocional, o roteiro ainda introduz Ash (Skye Gonzaga), que forma uma espécie de triângulo com o protagonista, fazendo Tristan questionar o que ele realmente está disposto a sacrificar por essa fantasia.

Crítica do filme Mulher Proibida

A metáfora da musa inalcançável

O grande acerto de “Mulher Proibida” é, sem dúvida, o seu conceito. A palavra em Tagalog “Paraluman” carrega um peso enorme: significa musa, inspiração, e antigamente era usada como referência à “agulha magnética” de uma bússola, mostrando como a figura da mulher funciona literalmente como o norte na vida do artista. O filme é muito feliz ao usar a proibição do toque como uma metáfora para o processo criativo e a idealização.

Tristan não quer apenas amar a sua musa; ele começa a confundir admiração com posse, e a narrativa constrói uma tensão provocativa sobre onde termina a arte e onde começa a apropriação do corpo alheio. É a clássica ideia de que o objeto de desejo se torna muito mais poderoso justamente por ser inalcançável.

Mulher Proibida 2024 crítica do filme Prime Video - Flixlândia (2)
Foto: Divulgação

Boa ideia, execução que escorrega feio

Mas vamos combinar: ter uma ideia genial não salva um filme se a prática deixa a desejar. E é exatamente aí que o longa divide tanto o público, rendendo desde uma nota 4,9 no IMDb até uma impiedosa nota zero de alguns críticos. O problema central da obra está nas atuações e na condução do elenco. A falta de química entre os protagonistas e a artificialidade tomam conta da tela em vários momentos cruciais.

Em vez de sustentar a carga dramática e trágica de um romance impossível, algumas cenas ficam tão forçadas que o clima de tensão evapora, e a coisa toda ganha uma vibe de dupla improvisada de sitcom, beirando a comédia involuntária. Os diálogos muitas vezes soam mecânicos e sem vida, o que quebra totalmente a imersão de quem está assistindo.

O peso da produção “fast food” e a muleta do erotismo

Vale lembrar que o longa é uma produção da Vivamax, uma plataforma filipina muito conhecida por despejar filmes adultos e dramas sensuais em um ritmo bastante acelerado para o streaming. E essa pressa fica muito clara na tela. Como é comum nessas produções feitas a toque de caixa, o filme sofre com problemas de continuidade e um acabamento técnico que peca feio – com direito a críticas pesadas sobre a falta de naturalidade em efeitos práticos e próteses corporais que soam amadoras.

A sensualidade, que deveria ser um complemento à narrativa sobre limites psicológicos, acaba virando uma espécie de muleta. O longa tenta dar um verniz conceitual e “artístico” para as cenas de nudez usando a pintura como desculpa, mas, no fundo, a estética parece servir apenas para tentar disfarçar as falhas narrativas.

Conclusão

No fim das contas, “Mulher Proibida” é o típico filme que funciona muito melhor no papel do que na tela. A premissa de um romance atravessado pela impossibilidade do toque é fascinante e prende a atenção pela pura curiosidade de saber quando e como a regra vai ser quebrada. Porém, a entrega final desmorona por conta de atuações engessadas, falhas técnicas evidentes e uma direção que não consegue segurar a ambição poética do próprio roteiro.

Se você curte comprar a ideia por trás de um drama sensual e focar apenas no simbolismo da história, pode até ser uma experiência curiosa. Mas, se você espera interpretações convincentes e um cinema de alta qualidade, talvez seja melhor seguir a mesma regra de Tristan: manter a distância e não tocar no play.

YouTube player

Elenco do filme Mulher Proibida (2024)

  • Ali Asistio
  • Athena Red
  • Skye Gonzaga
  • Yda Manzano
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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