Confira a crítica do episódio 6 de "Cidade de Deus: A Luta Não Para", final da série de 2024 disponível para assistir na Max.

Série de ‘Cidade de Deus’ é muito mais do que um simples complemento do filme

Foto: Max / Divulgação
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A série “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, disponível na Max, chega ao seu episódio 6 trazendo um final que deixa os espectadores ansiosos para o que pode acontecer na temporada 2 (já anunciada pela própria plataforma).

A missão de revisitar um clássico do cinema nunca é fácil, especialmente quando se trata de um dos filmes mais icônicos da história do Brasil. “Cidade de Deus: A Luta Não Para” chega como a continuação tardia de “Cidade de Deus” (2002), trazendo consigo não apenas o desafio de manter o legado, mas também o de construir algo novo e relevante. A série, dirigida por Aly Muritiba, explora os elementos do passado enquanto busca uma nova abordagem narrativa para os dias atuais.

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Sinopse do episódio 6, final da série Cidade de Deus (2024)

Vinte anos após os acontecimentos do filme original, “Cidade de Deus: A Luta Não Para” retorna à comunidade para mostrar o impacto de novos atores do crime organizado, como as milícias, e as consequências políticas que emergem dessas mudanças.

Com Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Lígia (Eli Ferreira) como jornalistas investigativos, a trama expõe as intricadas relações de poder que sustentam a desigualdade na Cidade de Deus. Além do traficante Bradock (Thiago Martins), a série também traz personagens como o policial corrupto Cabeção (Kiko Marques), agora secretário de segurança, e Jerusa (Andreia Horta), que, ao lado de Berenice (Roberta Rodrigues), representa a força feminina na comunidade.

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Crítica do episódio 6, final de Cidade de Deus, da Max

“Cidade de Deus: A Luta Não Para” busca se distanciar da estrutura do filme original ao assumir o formato televisivo, que oferece mais tempo e espaço para desenvolver seus personagens e explorar novas temáticas. Desde o primeiro episódio, a direção de Muritiba deixa clara a intenção de homenagear o clássico de 2002, mas, rapidamente, a série encontra seu próprio ritmo.

As cenas iniciais são carregadas de referências ao filme, mas servem apenas como uma ponte para um universo distinto, no qual os conflitos são mais prolongados e as narrativas políticas têm mais espaço para se desenvolver.

Narrativa politizada

Um dos grandes acertos da série é a forma como consegue adicionar camadas políticas à narrativa. Enquanto o filme original focava na violência dentro da comunidade e no papel do Estado como um agente corrupto e opressor, a série amplia essa visão ao retratar as milícias como um novo poder emergente.

A figura de Cabeção, agora no governo, e sua relação estreita com as milícias, é um retrato do que vemos na realidade do Rio de Janeiro hoje – uma relação complexa entre crime organizado e política.

Oscilação no roteiro

No entanto, em seus seis episódios, a série oscila em termos de qualidade narrativa. Há momentos em que o enredo parece apressado, como a cena da confissão forçada de Sidney, que soa como um atalho mal construído para avançar a trama. Embora seja compreensível o desejo de manter um ritmo intenso, o resultado é uma falta de consistência que prejudica a verossimilhança da história.

Além disso, enquanto personagens como Jerusa e Berenice brilham e conquistam o público com suas jornadas de empoderamento e resiliência, outros arcos, como o de Bradock, parecem perder força nos episódios finais. A queda do traficante, embora faça sentido dentro da narrativa, carece do impacto esperado para um personagem que ocupou tanto espaço na história.

Em contrapartida, a personagem Lígia, cuja trajetória é claramente inspirada na vereadora Marielle Franco, entrega uma mensagem poderosa sobre o preço da luta contra as injustiças, especialmente no Brasil contemporâneo.

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Conclusão

“Cidade de Deus: A Luta Não Para” é um projeto ambicioso que busca honrar o legado do filme original ao mesmo tempo em que se aventura em novos territórios. Com uma narrativa que equilibra a estética e a dramaticidade das novelas brasileiras com uma abordagem crítica das realidades sociais, a série oferece uma visão atual e relevante sobre a violência e a desigualdade no Rio de Janeiro (e por que não do país?).

Embora apresente algumas falhas em seu desenvolvimento, a série consegue se manter envolvente e promete, com o final aberto e cheio de ganchos, uma segunda temporada que pode explorar ainda mais essas dinâmicas complexas. Em suma, “A Luta Não Para” é uma produção que merece ser vista não apenas como um complemento ao filme de 2002, mas como uma obra independente que traz reflexões necessárias para os dias de hoje.

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Onde assistir à série Cidade de Deus?

A série está disponível para assinantes da Max.

Trailer de Cidade de Deus (2024)

YouTube player

Elenco de Cidade de Deus, da Max

  • Wayne LeGette
  • Alexandre Rodrigues
  • Roberta Rodrigues
  • Thiago Martins
  • Edson Oliveira
  • Marcos Palmeira
  • Andréia Horta
  • Sabrina Rosa
  • Eli Pereira
  • Demétrio Nascimento Alves

Ficha técnica da série Cidade de Deus

  • Gênero: drama, policial
  • País: Brasil
  • Ano: 2024
  • Temporada: 1
  • Episódios: 6
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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