O novo longa-metragem do diretor Eduardo Nunes, Cinco da Tarde, chega aos cinemas no dia 18 de junho como um convite para desacelerar. Marcando o retorno do cineasta à sua cidade natal, Niterói (da qual este que vos escreve também faz parte), a obra explora temas densos como a perda, o pertencimento e a solidão.
Mantendo a assinatura autoral já vista em seus trabalhos anteriores, como Sudoeste (2011) e Unicórnio (2017), o diretor nos entrega uma narrativa vagarosa, que exige paciência, mas recompensa com uma contemplação bonita sobre o tempo e a dor.
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Sinopse
Em Cinco da Tarde, acompanhamos a história de Anabel (vivida por Bárbara Luz), uma jovem de 17 anos que tenta processar e assimilar a morte recente de sua avó. Imersa na dor, ela acaba se aproximando de Meiko (Sharon Cho), sua vizinha extremamente tímida.
O que começa como um contato singelo entre duas meninas de personalidades distintas — uma mais expansiva, outra mais fechada — se transforma num encontro profundo entre duas pessoas machucadas. Ao visitar o apartamento da avó, Anabel sente uma presença estranha que a ajuda a entender melhor o próprio luto, borrando as fronteiras entre a presença e a ausência.
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Crítica do filme Cinco da Tarde
A atmosfera melancólica e a força do preto e branco
A fotografia de Cinco da Tarde é, sem dúvida, um de seus pontos mais altos. A escolha de Eduardo Nunes e do diretor de fotografia Mauro Pinheiro Jr por rodar o filme inteiramente em preto e branco não é um mero capricho estético; ela cumpre muito bem a função de nos imergir na tristeza da protagonista.
Usando enquadramentos em contraluz e personagens subexpostos, a câmera adota uma abordagem naturalista que consegue nos tirar do mundo real e nos transportar para um espaço quase de fábula. É bonito ver cenários marcantes de Niterói, como o Campo de São Bento e a Igreja Porciúncula de Sant’Ana, ganharem contornos nostálgicos e poéticos.

O silêncio que fala e uma amizade genuína
Onde o filme realmente brilha é nas atuações e no desenvolvimento da relação entre as duas jovens. Sharon Cho, em sua estreia em um longa-metragem, aprendeu a “falar com os olhos”, entregando uma sutileza palpável em cena. A dinâmica construída por ela e Bárbara Luz é carregada de afeto real e honesto.
Aqui, vale um enorme elogio à sensibilidade da direção e do roteiro: em vez de ceder ao clichê de transformar a aproximação das protagonistas em um romance amoroso, a trama aposta na força de uma amizade genuína (ou ao menos não sugere isso).
Como bem pontuou a atriz Miwa Yanagizawa, que também compõe o elenco, os sentimentos retratados ali não soam como abstrações, mas como afeto verdadeiro. Muito do que elas sentem é transmitido apenas por olhares e pelo que não é dito.
Entre acertos emocionais e tropeços técnicos
Apesar de sua beleza, a execução tem algumas ressalvas. A cadência muito lenta, os planos longos e os constantes momentos de silêncio exigem um esforço do espectador. Além do ritmo cadenciado, a montagem do filme acaba sendo um obstáculo em certos momentos.
As idas e vindas das lembranças de Anabel sobre sua avó são confusas, deixando o público muitas vezes perdido sobre a veracidade do que está sendo contado pela jovem. Soma-se a isso alguns problemas na captação de som — algo recorrente no cinema independente brasileiro —, o que prejudica um pouco a imersão na história.
Vale a pena ver o filme Cinco da Tarde?
Mesmo com seus tropeços de ritmo e pequenas falhas técnicas de som, Cinco da Tarde é uma obra que pulsa emoção. Trata-se de um filme intimista, esteticamente belíssimo e muito sincero sobre como a intimidade pode, de forma improvável, nascer e florescer a partir do luto. Uma experiência cinematográfica singela que merece ser vista com o coração aberto e sem pressa.
Onde assistir ao filme brasileiro Cinco da Tarde?
Cinco da Tarde estreia no dia 18 de junho de 2026 exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer do filme Cinco da Tarde (2026)
Elenco do filme brasileiro Cinco da Tarde
- Bárbara Luz
- Sharon Cho
- Analu Prestes
- Miwa Yanaguizawa
Ficha técnica do filme Cinco da Tarde (2026)
- Direção e Roteiro: Eduardo Nunes
- Produção Executiva: Izabella Faya, Fernanda Reznik & Rodrigo Areias
- Direção de Fotografia: Mauro Pinheiro Jr, ABC
- Figurino: Luciana Buarque
- Montagem: Flávio Zettel, EDT
- Assistente de Direção: Ana Izabel Aguiar
- Música: Paulo Furtado
- Desenho de Som: Pedro Marinho
- Mixagem: Maurício D’Orey
- Produção e Distribuição: 3 Tabela Filmes
- Coprodução: Bando à Parte


















