Dele e Dela resenha crítica da série Netflix 2026 Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘Dele & Dela’: quando o suspense clichê encontra o caos absoluto (e divertido)

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquela sensação de um verão abafado, onde o som das cigarras é onipresente, criando uma atmosfera que é, ao mesmo tempo, sufocante e hipnótica? É exatamente esse clima “gótico sulista” que permeia Dele e Dela, a nova minissérie limitada da Netflix.

Baseada no best-seller de Alice Feeney, a produção chega como a típica aposta de janeiro do streaming: um suspense lustroso, estrelado por talentos de primeira grandeza como Tessa Thompson e Jon Bernthal, pronto para ser consumido em uma maratona de fim de semana.

À primeira vista, parece mais um daqueles mistérios de assassinato feitos sob medida, saindo da esteira de produção interminável da plataforma. Mas, comandada por William Oldroyd (conhecido por Lady Macbeth), a série rapidamente tenta provar que é mais do que um simples “quem matou?”, entregando uma trama que oscila entre o genérico e o completamente desequilibrado.

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Sinopse

A trama nos leva até Dahlonega, na Geórgia, uma cidade pequena onde o calor é intenso e os segredos são muitos. Tudo começa com uma cena brutal: o corpo de Rachel Hopkins é encontrado no capô de um carro esporte vermelho no meio da floresta.

No centro desse furacão estão Anna Andrews (Tessa Thompson) e Jack Harper (Jon Bernthal). Eles são um casal separado, ainda lidando com o luto devastador pela perda da filha pequena. Anna é uma âncora de telejornal de Atlanta que foi afastada e substituída por uma rival mais jovem, Lexy, enquanto Jack é o detetive local encarregado da investigação do assassinato.

O que complica tudo? Anna volta à cidade para cobrir o caso e tentar salvar sua carreira, e Jack, além de ser o investigador, tinha um caso com a vítima e estava com ela na noite do crime. Com ambos escondendo segredos e agindo de forma suspeita, a linha entre investigador e suspeito desaparece rapidinho.

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Resenha crítica da série Dele e Dela

Mais do que aparenta (ou apenas uma bagunça divertida?)

Se você entrar em His & Hers esperando um procedimento policial sério, pode se frustrar. A série opera em um registro quase de novela, ciente de seus exageros. O roteiro aposta naquelas coincidências forçadas que a gente adora odiar: a vítima era uma “frenemy” de escola da Anna; o cinegrafista que Anna “rouba” para cobrir o caso é, convenientemente, marido de sua rival Lexy; e Jack, o detetive, não consegue dar um passo sem se incriminar.

No entanto, é justamente essa natureza cheia de reviravoltas e absurda que torna a série tão maratonável. Diferente de produções recentes que se levam a sério demais e entregam pouco, como Ninguém Pode Saber, aqui a narrativa avança sem freio. É aquele tipo de “comfort television” para quem gosta de ver gente bonita tomando decisões terríveis.

Dele e Dela 2026 resenha crítica da série Netflix Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

O peso do elenco estelar

O grande trunfo da produção reside na dupla principal. Tessa Thompson e Jon Bernthal elevam um material que, em mãos menores, poderia ser esquecível. Thompson transita bem entre a dor de uma mãe em luto e a ambição desenfreada de uma jornalista que precisa recuperar seu posto, equilibrando tristeza e uma “bitchiness” quase divertida ao lidar com rivais. Já Bernthal, com um sotaque sulista impecável (algo raro em Hollywood), entrega um homem à beira do abismo, cuja competência como detetive é questionável, mas cuja dor é palpável.

A química entre eles é carregada de história e mágoa. Cada cena compartilhada estala com a tensão de um casal que se perdeu após uma tragédia. O elenco de apoio também tem seus momentos, com destaque para Crystal Fox como Alice, a mãe de Anna que sofre de demência, e Sunita Mani como Priya, a parceira de Jack que parece ser a única pessoa sensata tentando resolver o crime no meio daquele circo.

Problemas de tom e estrutura

Apesar de ser baseada em um livro que divide as perspectivas entre “Ele e Ela”, a série abandona essa estrutura narrativa interessante em favor de uma onisciência padrão de TV, o que é uma oportunidade perdida. Além disso, o tom é uma montanha-russa. Em alguns momentos, tenta ser um estudo sombrio sobre luto e maternidade; em outros, flerta com a paródia, com diálogos preguiçosos e situações inverossímeis (como um detetive colhendo DNA da própria sobrinha para evitar se incriminar).

A direção de Oldroyd cria uma estética bonita e vazia, que às vezes parece artificial demais, como se a série estivesse constantemente piscando para o espectador, lembrando que aquilo é ficção.

Um final que divide opiniões

Sem entrar em spoilers específicos sobre a identidade do assassino, é preciso avisar: o final é o ponto de ruptura. Para alguns, é uma conclusão “de cair o queixo”, surpreendente e que amarra os temas de maternidade e proteção de forma chocante. Para outros, é um desastre inepto com “dois finais”, um óbvio e outro estúpido, que beira o mal-intencionado e exploratório.

A série decide chutar o balde nos últimos episódios, saindo do suspense convencional para algo muito mais desequilibrado. A revelação final tenta passar uma mensagem com “M maiúsculo” sobre o que mães são capazes de fazer para proteger (ou vingar) seus filhos, mas a execução pode parecer exagerada para quem buscava coerência.

Conclusão

Dele e Dela não reinventa a roda do mistério de assassinato. Pelo contrário, ela se apoia em clichês, coincidências convenientes e uma atmosfera gótica sulista para prender a atenção. O resultado é uma série imperfeita, com um roteiro que muitas vezes não faz sentido, mas que é salva pelo carisma inegável de Tessa Thompson e Jon Bernthal.

É uma produção que oscila entre o suspense tenso e a novela absurda, perfeita para desligar o cérebro e devorar em um fim de semana de janeiro. Se você conseguir perdoar as falhas de lógica e abraçar a loucura do final, vai encontrar um entretenimento sólido e envolvente. Mas não espere uma obra-prima; espere um caos divertido e bem atuar.

Onde assistir à série Dele e Dela?

Trailer de Dele e Dela (2026)

YouTube player

Elenco de Dele e Dela, da Netflix

  • Tessa Thompson
  • Jon Bernthal
  • Pablo Schreiber
  • Marin Ireland
  • Sunita Mani
  • Rebecca Rittenhouse
  • Crystal Fox
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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