Emily Blunt em Dia D de 2026 - crítica do filme com spoilers

‘Dia D’ não é uma obra-prima, mas é o resgate perfeito do bom e velho Spielberg (spoilers)

Foto: Universal Pictures / Divulgação
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Aos 79 anos de idade, Steven Spielberg prova que ainda domina a arte de conduzir o espetáculo cinematográfico. Com Dia D (Disclosure Day), o lendário diretor resgata o fascínio pelo desconhecido, entregando uma aventura de ficção científica com ambiciosas 2 horas e 25 minutos de duração.

Em vez de apostar no terror de uma invasão alienígena clássica, Spielberg abraça sua tradicional visão de extraterrestres benevolentes. A verdadeira ameaça e os ares de vilania ficam nas mãos de corporações e agências governamentais dos Estados Unidos, que passaram décadas escondendo a verdade do público a todo custo.

Não se trata de uma obra-prima irretocável que vai redefinir a história do cinema, mas sim daquele excelente e honesto “filme de barzinho”: uma produção imersiva, cheia de reviravoltas, que convida o espectador a tomar uma cerveja após a sessão para debater sobre as entrelinhas da história. É um filme de aventura com substância, digno da assinatura do cineasta.

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Sinopse

A trama ganha força por não se limitar a corredores escuros de laboratórios burocráticos. Na sua essência, a obra funciona como um frenético e tenso road movie de perseguição. Logo na genial cena de abertura — filmada em primeira pessoa a partir da perspectiva de um lutador apanhando em um ringue de wrestling —, o filme dita o seu ritmo.

Acompanhamos a fuga implacável do trio principal. Daniel Kellner (Josh O’Connor) é um jovem especialista em cibersegurança que roubou um pacote de dados comprometedores e precisa fugir ao lado de sua namorada, a ex-freira Jane (Eve Hewson). Simultaneamente, a narrativa acompanha Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma jornalista que atua como garota do tempo de um telejornal local de Kansas City. Após um misterioso colapso ao vivo na TV, ela começa a desenvolver habilidades inexplicáveis de leitura mental e compreensão de idiomas desconhecidos.

É aqui que o peso do elenco de apoio eleva o suspense. Do outro lado do tabuleiro, temos a imponente corporação Wardex, liderada pelo exausto e obstinado CEO Noah Scanlon (Colin Firth). Para equilibrar a balança, o roteiro introduz Hugo Wakefield (Colman Domingo), um desertor da própria Wardex e líder da operação que visa vazar os segredos extraterrestres para o mundo. O grupo carrega o fardo da maior descoberta da história da humanidade e corre contra o relógio para quebrar um sigilo mantido por 79 anos.

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Crítica do filme Dia D, de Steven Spielberg

O choque entre fé, ciência e os segredos de Estado (com spoilers)

A genialidade mecânica de Dia D está em como ele lida com os artefatos alienígenas. Existem três dispositivos em jogo, que permitem ao usuário se conectar mentalmente a outras pessoas, enxergando através de seus olhos. É usando essa tecnologia que Scanlon rastreia os fugitivos incansavelmente, criando uma tensão constante de que lugar nenhum é seguro.

No entanto, o roteiro de David Koepp brilha ao dar espaço para respiros reflexivos. O filme provoca abertamente o conflito entre fé e ciência. A personagem Jane atua como a âncora cética e amedrontada da trama. Em um diálogo poderoso no esconderijo de um convento com a madre superiora (a sempre ótima Elizabeth Marvel), Jane questiona como a religião sobreviveria à confirmação de que a humanidade não possui uma posição especial na criação. A resposta da freira — de que a vastidão do universo não exclui a existência divina — é apenas a ponta do iceberg de um debate excelente.

Dia D de 2026 - crítica do filme com spoilers
Foto: Universal Pictures / Divulgação

Críticas políticas

Spielberg aproveita essa premissa para dar boas cutucadas na fé cega, mas mira sua principal crítica no governo estadunidense. Em um momento histórico real marcado por polarização e pela efervescência política de líderes como Donald Trump, a narrativa funciona como uma crítica ferrenha ao autoritarismo, ao monopólio da informação e às mentiras de Estado.

O clímax em Kansas City amarra essas pontas em uma corrida eletrizante. O objetivo de Daniel, Margaret e Hugo é usar uma emissora de TV para transmitir ao vivo todos os arquivos da Wardex, revelando naves, operações secretas e contatos que o governo acobertou.

Em uma reviravolta tática, quando os agentes de Scanlon cortam a energia do prédio, é Jane quem ressurge com o terceiro artefato alienígena, permitindo que Margaret restaure a luz e inicie a transmissão global.

O grande diferencial do desfecho, porém, não são os alienígenas, mas as relações humanas. Scanlon, movido há décadas pelo trauma da morte da esposa, simplesmente desiste ao ver a transmissão no ar. A silenciosa troca de olhares entre ele e Hugo, antigos companheiros de operação, é um dos momentos mais melancólicos do longa.

Detalhes do final de Dia D: spoilers brutais do filme

Spielberg guarda o verdadeiro choque para os minutos finais. Descobrimos que a ligação entre Daniel e Margaret não é fruto do acaso: ambos foram abduzidos na infância por seres pacíficos que se manifestavam na forma de animais.

Enquanto a jornalista recebeu o dom da conexão humana, o jovem especialista em tecnologia foi presenteado com a compreensão da linguagem matemática do universo.

Com o mundo inteiro assistindo à transmissão, o personagem Hugo ressurge trazendo uma última surpresa: ele nos apresenta um líder alienígena que, até então, estava sendo mantido em segredo sob os seus cuidados na Terra.

Em um encerramento corajoso — e sem qualquer cena pós-créditos —, a criatura se aproxima e sussurra algo para Daniel, que repassa a mensagem para Margaret. Ela se vira para as câmeras, respira fundo para entregar o recado aos bilhões de espectadores, e a tela corta abruptamente para o preto.

Vale a pena ver o filme Dia D?

Dia D não entrega respostas fáceis mastigadas, preferindo deixar o público com a mesma ansiedade extasiada de seus personagens. É um retorno digno de Spielberg ao gênero que o consagrou, provando que o maior efeito especial do cinema ainda é uma boa provocação.

Onde assistir ao filme Dia D, com Emily Blunt?

O filme Dia D estreia nesta quinta-feira, dia 11 de junho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer do filme Dia D (2026)

YouTube player

Elenco de Dia D, de Steven Spielberg

  • Emily Blunt
  • Josh O’Connor
  • Colin Firth
  • Eve Hewson
  • Colman Domingo
  • Wyatt Russell
  • Henry Lloyd-Hughes
  • Elizabeth Marvel
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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