Andrew Stanton é um nome que impõe respeito graças às suas obras-primas no mundo da animação, como WALL-E e Procurando Nemo. No entanto, sua relação com o live-action tem sido mais complicada desde o fracasso de John Carter, em 2012. Seu retorno ao formato acontece agora com Em Um Piscar de Olhos (In the Blink of an Eye), um drama de ficção científica ambicioso que teve sua estreia mundial no Festival de Sundance de 2026 e já está disponível no catálogo do Disney+.
Tentando abraçar milhares de anos de história humana em enxutos 94 minutos, a produção chega com a promessa de ser uma experiência contemplativa, mas acabou dividindo bastante tanto a crítica quanto o público.
Sinopse
A trama é estruturada em três linhas do tempo distintas que se cruzam de forma temática e literal. Voltamos para 45.000 a.C. para acompanhar uma família de neandertais liderada por Thorn, que luta pela sobrevivência em um ambiente brutal. No presente (2025), conhecemos Claire (Rashida Jones), uma antropóloga que estuda fósseis dessa mesma era pré-histórica, enquanto tenta conciliar o luto pela mãe doente com um novo relacionamento com seu colega Greg (Daveed Diggs).
Dando um salto para o ano de 2417, vemos a astronauta geneticamente modificada Coakley (Kate McKinnon), que cruza o espaço sideral ao lado da IA ROSCO com a missão de levar embriões humanos para colonizar o planeta Kepler-16b. O elemento visual que conecta essas eras tão distantes é uma simples bolota de carvalho, simbolizando o legado e a continuidade da raça humana.
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Crítica do filme Em Um Piscar de Olhos
Um épico que caberia melhor em uma minissérie
O maior desafio que Em Um Piscar de Olhos enfrenta é o de dar conta de sua própria premissa. O roteiro de Colby Day tenta condensar temas gigantescos — como mortalidade, evolução e laços familiares — em apenas uma hora e meia. O resultado, infelizmente, é a sensação de estarmos assistindo a um grande “resumão” em vídeo. O terceiro ato do filme acelera demais, trocando o desenvolvimento genuíno dos personagens por montagens apressadas que cortam todo o peso dramático das histórias.
A impressão que fica é que a obra precisava desesperadamente do respiro de uma minissérie televisiva para explorar seus conceitos, ou talvez devesse ter sido feita em formato de animação, onde o tom mais sentimental de Stanton costuma brilhar com naturalidade em vez de soar piegas.

O silêncio de ouro dos neandertais
Se há um consenso positivo sobre a obra, é que o segmento pré-histórico salva o dia. E muito disso se deve à genialidade de Stanton, que utilizou diretamente sua experiência com os robôs silenciosos de WALL-E para criar essa dinâmica.
Como a família de neandertais fala um idioma inventado e não possui legendas, toda a emoção precisou ser transmitida por entonações, expressões corporais através de pesadas próteses e pela fluida e espetacular trilha sonora de Thomas Newman. É o único terço do filme onde o drama não precisa ser mastigado ou explicado, entregando uma narrativa de sobrevivência e luto que é genuinamente bela e palpável.
Presente e futuro perdem o fôlego
Infelizmente, o encanto se quebra nas outras duas linhas temporais, que muitas vezes parecem melodramas rasos e mal formulados. No presente, a trama de Claire sofre com um desenvolvimento engessado. Em vez de sentirmos a dor da personagem, o filme nos entrega o drama de forma logística, através de mensagens de texto. Para piorar, existem problemas técnicos gritantes, como os efeitos visuais bizarros usados para envelhecer a personagem de Rashida Jones.
Já no futuro, a história de Coakley não é forte o suficiente para se sustentar. McKinnon faz um bom esforço dramático, mas não consegue se desvincilhar totalmente de seus trejeitos cômicos. Além disso, a subtrama que revela a tecnologia de imortalidade artificial (o Elixir) responsável pelo colapso da Terra quase esbarra na paródia. Há momentos no filme que chegam a parecer uma apresentação corporativa fria, tirando do espectador a conexão emocional necessária e dando a obra uma estranha roupagem de infomercial do Vale do Silício.
A mensagem por trás do caos
Apesar da execução turbulenta, o longa tem o coração no lugar certo. A intenção de Stanton foi entregar uma ficção científica humanista, mostrando que, não importa o tempo ou o espaço, as maiores batalhas do ser humano continuam sendo a conexão, o amor e a nossa relação com o tempo.
O desfecho em Kepler-16b, onde Coakley decide abandonar o novo planeta para permitir que a nova geração humana cresça livre da maldição da imortalidade artificial, fecha bem a mensagem sobre a importância da finitude.
A bolota passando de mão em mão nos lembra que o verdadeiro progresso da humanidade está no que deixamos de conhecimento para quem vem depois. É um conceito bonito, mesmo que a embalagem tenha vindo um pouco amassada.
Conclusão
Em Um Piscar de Olhos é a definição perfeita de “dar um passo maior que a perna”. Como apontado por boa parte da mídia, o longa acaba sendo essencialmente “um terço de um bom filme”, ancorado pelos brilhantes 30 minutos focados nos neandertais.
Para os fãs mais pacientes de um sci-fi altamente introspectivo, contemplativo e que foca no aspecto psicológico em vez de explosões espaciais, ele tem seus méritos e garante boas reflexões. No entanto, quem espera uma narrativa redondinha e bem amarrada pode se frustrar bastante com a edição picotada e o desenvolvimento atropelado. Vale pelo conceito corajoso, mas prova que, no live-action, Andrew Stanton ainda está tentando encontrar o seu compasso.
Onde assistir online ao filme Em Um Piscar de Olhos?
Trailer de Em Um Piscar de Olhos (2026)
Elenco de Em Um Piscar de Olhos, do Disney+
- Rashida Jones
- Kate McKinnon
- Daveed Diggs
- Jorge Vargas
- Tanaya Beatty
- Skywalker Hughes


















