Confira a crítica da série "Étoile: A Dança das Estrelas", comédia de 2025 disponível para assistir no Prime Video.

‘Étoile: A Dança das Estrelas’ não encontra o ritmo

Foto: Prime Video / Divulgação
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A série “Étoile: A Dança das Estrelas” chega ao catálogo do Prime Video como uma das apostas mais ambiciosas do streaming em 2025. Criada por Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino, responsáveis pelos sucessos “Gilmore Girls” e “A Maravilhosa Sra. Maisel”, a produção propõe um mergulho bilíngue e transatlântico no universo do balé clássico — uma arte de beleza ímpar, mas profundamente marcada por tensões e crises contemporâneas.

Com a promessa de humor refinado, drama sofisticado e coreografias de tirar o fôlego, “Étoile” tenta fazer para o balé o que “Sra. Maisel” fez para o stand-up: tirá-lo do nicho e apresentá-lo com afeto ao grande público. Mas será que a série consegue se sustentar sob a pressão de seus próprios saltos?

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Sinopse da série Étoile: A Dança das Estrelas (2025)

A história gira em torno de duas prestigiadas companhias de balé — a Metropolitan Ballet Theater, em Nova York, e o Le Ballet National, em Paris — ambas enfrentando queda de público, crise financeira pós-pandemia e um certo descompasso com a cultura atual. A solução? Uma ousada troca de estrelas: bailarinos e coreógrafos são trocados entre as companhias, numa jogada de marketing para reacender o interesse do público.

No centro desse projeto estão Jack McMillan (Luke Kirby), diretor artístico americano que vive à sombra do legado familiar, e Geneviève Lavigne (Charlotte Gainsbourg), diretora interina francesa que luta para firmar seu espaço em uma estrutura hierárquica hostil. Entre intrigas, vaidades, ensaios, rivalidades e uma pitada de excentricidade, a série desenha um retrato do balé que alterna reverência e ironia.

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Crítica de Étoile: A Dança das Estrelas, do Prime Video

A maior virtude de “Étoile” é sua paixão declarada pela dança. Sherman-Palladino, que foi bailarina antes de se dedicar à escrita, impregna a série com detalhes que só alguém que viveu o ambiente conheceria.

O elenco de apoio — composto por bailarinos profissionais — confere autenticidade e magnetismo às coreografias, algumas das quais ganham créditos à parte, com nome dos bailarinos e coreógrafos em destaque, como nos documentários de Frederick Wiseman que inspiraram a criadora.

Entretanto, a direção opta por uma linguagem visual estática, que raramente explora o potencial cinematográfico do movimento. A câmera quase nunca se move com os bailarinos; os planos longos e distantes lembram o olhar de um espectador sentado na plateia — mas esta não é a plateia, é a televisão, e falta imersão.

Personagens geniais e exaustivos

Os protagonistas são, ao mesmo tempo, a maior promessa e o maior problema da série. Jack e Geneviève têm profundidade emocional e excelentes atores por trás — Kirby está contido e intenso; Gainsbourg, mesmo deslocada, impõe uma aura enigmática.

Mas são personagens que se expressam quase sempre por meio de diálogos frenéticos, recheados de referências culturais, autoindulgência e sarcasmo. A série confunde excentricidade com carisma, e o excesso de floreios verbais transforma cenas inteiras em monólogos apressados e pouco envolventes.

Já a estrela francesa Cheyenne Toussaint (Lou de Laâge) é uma das figuras mais interessantes da série: imperiosa, ecológica, inacessível e brilhante. Sua resistência ao estrelato e sua entrega absoluta à dança criam camadas que valem ser exploradas. De Laâge consegue canalizar dureza e sensibilidade num equilíbrio difícil — é uma pena que o roteiro nem sempre saiba o que fazer com ela.

Narrativa desbalanceada e ritmo descompassado

“Étoile” parece duas séries costuradas às pressas: a primeira metade apresenta o plano de troca e seus desdobramentos com relativa coerência, enquanto a segunda metade se entrega ao caos narrativo. Tramas surgem do nada, romances se insinuam sem química, personagens aparecem e somem sem aviso. A estrutura dos oito episódios carece de harmonia — a série parece perder o fôlego, como um bailarino que exagerou no primeiro ato e não sustenta o grand jeté até o fim.

Humor dança fora do ritmo

Famosos pelo humor veloz e cheio de referências, os Palladinos tentam trazer o mesmo tom aqui. Mas o balé, com sua solenidade e rigor, talvez não seja o melhor palco para esse estilo de comédia. Algumas piadas funcionam — como o coreógrafo Tobias (Gideon Glick) surtando por falta de pasta de dente americana — mas boa parte parece deslocada ou simplesmente repetitiva.

O vilão “Crispy” Shamblee (Simon Callow) é um exemplo claro disso: um caricatural magnata das armas que surge vestido de Snoopy ou com leggings dos anos 80, e que representa um dos vários momentos em que a sátira escorrega para o pastelão.

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Conclusão

“Étoile: A Dança das Estrelas” é uma série cheia de ambição, charme visual e amor declarado pela arte da dança. Mas como um espetáculo mal ensaiado, tropeça no próprio ego. Seu elenco talentoso e ambientação entre Nova York e Paris poderiam ter rendido uma obra-prima elegante e provocadora.

Em vez disso, o excesso de preciosismo nos diálogos, a desorganização narrativa e a falta de envolvimento emocional transformam a experiência em algo mais exaustivo do que encantador.

Ainda assim, para os apaixonados por balé ou fãs de longa data de Amy Sherman-Palladino, há momentos de beleza e inteligência suficientes para justificar a maratona. Mas se você espera a leveza de “Gilmore Girls” ou a engenhosidade de “Maisel”, talvez saia da sessão com a sensação de que a estrela — ou melhor, a étoile — aqui brilhou menos do que deveria.

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Onde assistir à série Étoile: A Dança das Estrelas?

A série está disponível para assistir no Prime Video.

Trailer de Étoile: A Dança das Estrelas (2025)

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Elenco de Étoile: A Dança das Estrelas, do Prime Video

  • Luke Kirby
  • Charlotte Gainsbourg
  • Lou De Laâge
  • Gideon Glick
  • David Alvarez
  • Ivan Du Pontavice
  • Taïs Vinolo
  • David Haig
  • Lamay Zhang
  • Simon Callow

Ficha técnica da série Étoile: A Dança das Estrelas

  • Título original: Étoile
  • Criação: Daniel Palladino, Amy Sherman-Palladino
  • Gênero: comédia
  • País: Estados Unidos
  • Temporada: 1
  • Episódios: 8
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

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