Chegamos ao penúltimo episódio da segunda temporada de Fallout, intitulado “A Transição”, e a sensação é de estar à beira de um precipício. Sabe aquele momento em que as peças do quebra-cabeça não só se encaixam, mas formam uma imagem muito mais perturbadora do que a gente imaginava? Pois é.
O episódio deixa de lado a enrolação e mergulha fundo na filosofia moral da série, preparando o terreno para um final que promete ser brutal. Se antes a linha entre herói e vilão parecia tênue, agora a série joga tudo no liquidificador, questionando o que realmente significa “salvar o mundo”.
Sinopse
O episódio se divide em frentes tensas. No subterrâneo, descobrimos o passado sombrio de Steph (Annabel O’Hagan): ela não nasceu no Refúgio, mas sim no Canadá pré-guerra, onde aprendeu a sobreviver matando “americanos” para garantir seu lugar no Vault-Tec. No presente, seu casamento com Chet vai pelos ares quando ele a expõe na frente de todos. Enquanto isso, Norm está em apuros com o pessoal do Refúgio 31, que debate se deve ou não executá-lo.
Na superfície, uma aliança improvável se forma entre o Ghoul, Maximus e Thaddeus para enfrentar Deathclaws em New Vegas e invadir o Lucky 38. Já Lucy (Ella Purnell) enfrenta um dilema ético ao lado de seu pai, Hank, descobrindo que o plano dele envolve apagar memórias traumáticas para criar uma sociedade “feliz” e obediente.
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Resenha crítica do episódio 7 da temporada 2 de Fallout
A desumanização como sobrevivência
A abertura do episódio foi um soco no estômago. Ver o passado da Steph não serviu apenas para encher linguiça; recontextualizou toda a personagem. A frase da mãe dela antes de morrer — “Não pense neles como seres humanos, pense neles como americanos” — é de arrepiar. Isso explica a frieza dela. A série acerta em cheio ao mostrar que os Refúgios não preservam a humanidade, eles apenas selecionam quem tem estômago para fazer o “trabalho sujo”.
E, finalmente, o Chet reagiu! Ver ele encontrando os óculos do Woody no triturador da pia e tendo a coragem de dizer “não” no altar foi um dos momentos mais satisfatórios. A revelação de que a Steph é uma canadense de 200 anos causou um pânico quase cômico nos habitantes do Refúgio, uma crítica ácida de como a série retrata a xenofobia e o medo do desconhecido.

O trio improvável e o fan service de qualidade
Na superfície, a dinâmica entre o Ghoul, Maximus e Thaddeus funcionou muito bem. É interessante ver o choque de realidade: Maximus ainda acredita que boas pessoas farão a coisa certa com a fusão a frio, enquanto o Ghoul, calejado por séculos de traições, sabe que o buraco é mais embaixo.
Para os fãs dos jogos, ver o Maximus vestindo a Power Armor da NCR e a luta contra o Deathclaw foi puro suco de New Vegas. A batalha foi caótica e quase custou caro, com o Maximus ficando preso em um carro, mas serviu para mostrar que heroísmo nesse mundo é bagunçado e raramente limpo. E um detalhe bizarro que não dá para ignorar: o braço do Thaddeus caindo do nada? Parece que a “cura” que ele tomou está transformando ele em algo bem pior que um ghoul comum.
O dilema moral de Lucy e a cabeça no pote
O núcleo emocional mais forte ficou com a Lucy. A Ella Purnell entregou tudo nas cenas com o Kyle MacLachlan (Hank). O terror aqui não é de monstros, mas de ideologia. O Hank realmente acredita que apagar memórias e transformar pessoas em “robôs felizes” (como o soldado da Legião passando pano no chão) é a salvação.
A série brilha ao não transformar o Hank em um vilão de desenho animado; ele é um homem que escolheu a ordem a qualquer custo. Mas a Lucy percebe que uma paz forçada, onde ninguém lembra quem é, não vale a pena. A descoberta final — a cabeça da Representante Welch viva, conectada ao mainframe, servindo de processador biológico — foi o toque de horror corporal que a gente espera de Fallout. É a confirmação de que até os “bons” políticos do passado viraram apenas engrenagens na máquina da Vault-Tec.
O retorno do Sr. House
E não podemos esquecer o finalzão. O Ghoul finalmente chega ao escritório do Sr. House e, ao plugar a fusão a frio, vemos o rosto de Robert House na tela. Isso praticamente confirma um dos finais do jogo New Vegas, sugerindo que ele sobreviveu (pelo menos como consciência digital).
Ver o desenrolar dos flashbacks do Cooper, entregando a tecnologia para o que ele achava ser “o lado certo” (o Presidente), e ver como isso deu errado no presente, amarra a tragédia do personagem de forma magistral.
Conclusão
O episódio 7 prova que a temporada 2 de Fallout não está para brincadeira. Ele equilibra ação, horror existencial e desenvolvimento de personagem de um jeito que poucas adaptações conseguem. Todas as facções agora têm um pedaço do apocalipse nas mãos e ninguém é inocente.
Com o retorno do Sr. House, a ameaça da Vault-Tec e os Deathclaws soltos em Freeside, o final promete ser insano. A série respeita o material original, mas, mais importante, respeita a inteligência da audiência ao não dar respostas fáceis. Que venha o final!
Onde assistir à 2ª temporada de Fallout?
Trailer da temporada 2 de Fallout
Elenco da segunda temporada de Fallout
- Ella Purnell
- Walton Goggins
- Aaron Moten
- Moises Arias
- Leer Leary
- Frances Turner
- Leslie Uggams
- Annabel O’Hagan


















