Três anos se passaram desde os eventos turbulentos da primeira temporada de Gangues da Galícia, e a poeira definitivamente não baixou em Cambados. A Netflix finalmente trouxe os novos episódios deste drama criminal estrelado por Clara Lago e Tamar Novas, mudando a marcha da história.
Se a primeira temporada girava muito em torno da vingança, esta segunda foca puramente no peso das consequências e no colapso da família criminosa Padín. É uma temporada que divide águas: enquanto mergulha fundo na psicologia dos personagens, também sofre para organizar a própria bagunça narrativa.
Sinopse
A trama recomeça com Ana voltando para Cambados depois de anos fugindo, e ela não está lá a passeio. Para quitar uma dívida financeira pesada e proteger sua família, ela faz um acordo com Macario, chefe do cartel colombiano, para montar uma fábrica de drogas ilícitas bem no território dos Padín. Do outro lado, temos Daniel, que acabou de sair da prisão em condicional e jura que quer uma vida limpa e legítima.
O problema é que o império do seu pai, José María Padín, está desmoronando, e a liderança dele é ameaçada por Paco, um padre local que, por incrível que pareça, construiu um cartel paralelo pelas sombras. Quando José María sofre uma tentativa de assassinato em plena luz do dia, o submundo de Cambados vira um barril de pólvora, e Ana e Daniel acabam em lados opostos dessa guerra enquanto a polícia fecha o cerco.
Crítica da temporada 2 de Gangues da Galícia
Um roteiro superlotado e meio confuso
Vamos tirar o elefante da sala primeiro: o roteiro da segunda temporada tenta abraçar o mundo e acaba tropeçando nas próprias pernas. A série introduz centenas de fios narrativos e informações ao mesmo tempo, criando dinâmicas criminais que parecem superlotadas. Ao longo dos 6 episódios, o excesso de idas e vindas atrapalha o ritmo da história, que às vezes substitui o suspense verdadeiro por um melodrama incessante.
É muita traição, muita política de cartel, e o espectador termina um pouco confuso quando a série tenta costurar tudo às pressas na reta final. Se você não prestar muita atenção, é fácil se perder no meio de tanta conspiração entre as polícias locais, a DEA e as facções rivais.

Dilemas morais e personagens complexos
Apesar dos deslizes no ritmo, o que realmente salva a temporada é a complexidade dos arcos dos personagens centrais. A série acerta em cheio ao colocar Daniel e Ana em situações quase impossíveis, onde não existe escolha puramente “certa”. Ana precisa ser super pragmática, chegando ao ponto de atuar como informante das autoridades para entregar o esquema de Macario, tudo para garantir que sua filha, Sara, possa entrar em um carro e fugir em segurança. A inspetora Torres usa táticas brutais, chantageando Daniel com a ameaça de transferi-lo para um bloco prisional controlado por colombianos, forçando Ana a cooperar e entrar no programa de proteção a testemunhas.
Daniel, por sua vez, carrega o maior peso emocional da trama. Ele passa a temporada inteira querendo sair do crime, mas, na hora de dedurar sua família e assinar a sentença de morte do pai em troca de uma vida pacífica com Ana, ele recusa o acordo. É fascinante ver a contenção dele na cena do asilo, quando ele aponta uma arma para Paco acreditando que ele mandou matar seu pai, mas escolhe não atirar. Aquele momento prova que ele não quer mais perpetuar o ciclo de assassinato, embora tenha que assumir a culpa e voltar para trás das grades apenas por estar com a arma.
O foco nas consequências brutais
Outro ponto altíssimo desta temporada é a recusa em entregar finais perfeitinhos e fáceis. A lealdade aos Padín cobra um preço doentio. O melhor exemplo disso é a manipulação terrível que Daniel e a mãe de Marco (seu afilhado) fazem com o garoto. Para impedir que o jovem testemunhasse no tribunal e acabasse morto pelo cartel colombiano, eles forjam o sequestro da própria mãe dele, traumatizando o menino para que ele minta sob juramento.
É pesado, mas mostra como a gravidade desse estilo de vida puxa todo mundo para a lama. Além disso, a série é corajosa ao não revelar de imediato quem mandou atirar em José María – as suspeitas pairam sobre Paco e Macario –, mostrando que, quer ele viva ou morra, sua autoridade já era.
Conclusão
A 2ª temporada de Gangues da Galícia definitivamente não é perfeita, escorregando em um enredo muito denso e por vezes cansativo. No entanto, ela se redime ao focar intensamente no drama humano e nas consequências desastrosas de se fazer parte do crime organizado.
A escolha de Daniel de não trair suas raízes, mesmo que isso custe sua liberdade e sua família, deixou o público dividido, mas é inegavelmente uma decisão narrativa de muito peso. Com um final aberto que deixa o vácuo de poder em Cambados sem solução, a série prepara um terreno interessante para uma possível terceira temporada, provando que, nesse submundo, a sobrevivência e a justiça raramente andam de mãos dadas.
Trailer da temporada 2 de Gangues da Galícia
Elenco da 2ª temporada de Gangues da Galícia
- Clara Lago
- Tamar Novas
- Xosé Antonio Touriñán
- Melania Cruz
- Miguel de Lira
- Cris Iglesias
- Chechu Salgado
- Tomás del Estal
- Diego Anido
- Lucía Veiga

















