Demolidor Renascido 2 temporada 2 crítica dos episódios 2 e 3 - Flixlândia (1)

Fisk joga xadrez, Matt joga vidas: a tensão explode nos episódios 2 e 3 da 2ª temporada de ‘Demolidor: Renascido’

Foto: Disney+ / Divulgação
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Se a estreia da segunda temporada de Demolidor: Renascido foi explosiva, a decisão da Disney+ de lançar os episódios 2 e 3 de uma só vez acabou sendo um acerto e tanto. Isso porque estamos lidando com dois capítulos que funcionam como os dois lados da mesma moeda na vida de Matt Murdock: a paciência fria e o caos absoluto.

Enquanto o episódio 2 (“Mirar na Lua”) pisa forte no freio para organizar as peças do tabuleiro político de Nova York, o episódio 3 (“A Balança e a Espada”) chuta a porta com ação visceral e mostra que a essência urbana e sombria do Demolidor está mais viva do que nunca. Se você estava com medo da série perder a mão, pode respirar aliviado.

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Sinopse

A trama retoma o gancho absurdo da estreia, com Matt Murdock lidando com o trauma de ter sido desmascarado e salvo justamente pelo seu arqui-inimigo, o Mercenário (Benjamin Poindexter). Enquanto Dex assombra a cidade e tira o sono de Vanessa Fisk, o prefeito Wilson Fisk intensifica sua caçada aos vigilantes através da sua força-tarefa implacável, a AVTF, prendendo cidadãos inocentes como Soledad Ayala.

Quando o sistema legal se mostra totalmente corrompido — o que fica escancarado no julgamento forjado de Jack Duquesne, o Espadachim —, Matt percebe que jogar pelas regras não é mais uma opção. Ele e Karen Page partem para a ofensiva e descobrem uma prisão secreta do governo.

O resultado é uma missão de resgate brutal encabeçada pelo Demolidor, pelo próprio Espadachim e pela nova Tigresa Branca (Angela del Toro). No entanto, provando que sempre está um passo à frente, Fisk detona o navio Northern Star para apagar de vez as provas do seu esquema de contrabando e silenciar as testemunhas.

Crítica dos episódios 2 e 3 da temporada 2 de Demolidor: Renascido

O jogo político e a cartada de mestre do Rei do Crime

O segundo episódio reduz o ritmo da ação, mas compensa com uma tensão psicológica fortíssima. A série acerta em cheio ao fazer um paralelo do mundo real com as ações da AVTF, que opera nas ruas de Nova York com uma brutalidade fascista, espelhando questões super atuais de abuso de autoridade.

Mas o que realmente rouba a cena é a inteligência de Wilson Fisk. O cara descobre a identidade de Matt, mas em vez de expor o segredo para o mundo e transformar o advogado em mártir, ele vai à TV e pede para a população ajudar a encontrar o “herói” desaparecido que salvou sua vida. É uma jogada de mestre! Ele prende o Matt na própria vida civil, dificultando o trabalho do Demolidor de agir nas sombras.

Em paralelo, o núcleo de personagens “comuns” ganha um peso legal, especialmente com a B.B. Urich se revelando a mente por trás do @CityWithoutFear, batendo de frente com a propaganda do governo através da sua amizade balançada com Daniel Blake, braço direito do prefeito.

Demolidor Renascido temporada 2 crítica dos episódios 2 e 3 - Flixlândia (1)
Foto: Disney+ / Divulgação

Fantasmas do passado e a sombra do Mercenário

Outro ponto alto é o retorno de Poindexter. A direção faz um trabalho estilístico irado, banhando as cenas do Mercenário em luz azul (contrastando com o vermelho clássico do Matt). Vê-lo entrar na Igreja Clinton procurando pela Irmã Maggie (que descobrimos estar em Roma) em busca de algum tipo de absolvição mostra o quão quebrado ele ainda está. A série cria uma ironia bizarra ao colocá-lo quase como um anjo da guarda letal do Matt, caçando os policiais corruptos da AVTF e aterrorizando a mente de Vanessa Fisk.

A porrada estanca: o plano-sequência que faltava

Se o episódio 2 organiza as ideias, o 3 é puro suco de Demolidor. A frustração de Matt ao ver a advogada Kirsten McDuffie perder a defesa do Jack Duquesne para as mentiras forjadas pela psiquiatra Heather Glenn deixa claro que os tribunais acabaram.

Quando o Demolidor invade a prisão secreta do Fisk, a série nos presenteia com aquilo que todo fã esperava: um plano-sequência (oner) de cair o queixo. A coreografia é suja, pesada e sem frescuras de computação gráfica. E cara, ver o Tony Dalton se divertindo absurdamente ao usar canos como espadas para lutar ao lado do Demolidor é impagável. Esse resgate ganha ainda mais peso com a adição de Angela del Toro assumindo de vez o amuleto e a responsabilidade da Tigresa Branca.

O distanciamento moral de Matt e Karen

A dinâmica entre Matt e Karen Page está mais fascinante do que nunca. Karen não é mais a donzela ou o suporte emocional; ela dita as regras e toma atitudes moralmente cinzas. Quando ela sequestra e interroga um agente da AVTF, o próprio Matt a compara com a frieza do Justiceiro.

É muito interessante ver Matt, que sempre foi o cara da porrada, tentando desesperadamente se agarrar ao sistema, enquanto Karen já aceitou que eles precisam cruzar a linha para derrubar Fisk.

Conclusão

Esses dois episódios provam que Demolidor: Renascido não está para brincadeira e encontrou de vez o seu tom. Apesar de entregar uma vitória suada e muito legal com a fuga da prisão, o gosto que fica na boca no final é amargo. Ao explodir o Northern Star e matar todas as testemunhas e evidências, Fisk lembra ao nosso herói e ao público que ganhar uma batalha na rua não significa ganhar a guerra em Nova York.

A mistura entre drama de tribunal, intriga autoritária e porrada sem cortes faz deste momento um dos mais altos da temporada até agora. O Demolidor abraçou o seu lado mais sombrio, e nós estamos prontos para a jornada.

Trailer da 2ª temporada de Demolidor: Renascido

YouTube player

Elenco da temporada 2 de Demolidor: Renascido

  • Charlie Cox
  • Vincent D’Onofrio
  • Deborah Ann Woll
  • Margarita Levieva
  • Ayelet Zurer
  • Wilson Bethel
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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