Confira a crítica do Flixlândia para o filme Honey, Não, comédia de 2025 com Margaret Qualley, Aubrey Plaza e Chris Evans - Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘Honey, Não!’ prova que o carisma do estilo Coen vence a coerência

Filme é dirigido por Ethan Coen e estrelado por Margaret Qualley, Aubrey Plaza e Chris Evans

Foto: Divulgação / Universal Pictures
Compartilhe

O nome Coen evoca um cinema de mistérios distorcidos, humor corrosivo e personagens inesquecíveis, e o segundo projeto solo de Ethan Coen (em parceria com Tricia Cooke, sua esposa e co-roteirista/editora) sem o irmão Joel, “Honey, Não!”, chega como o esperado — e, ao mesmo tempo, controverso — sucessor de “Garotas em Fuga”.

Anunciado como a segunda parte de uma audaciosa “trilogia lésbica de filmes B”, o filme não busca a perfeição narrativa, mas sim atitude e estilo. A reação polarizada da crítica e do público – de ódio ferrenho à adoração desmedida – já sugere que estamos diante de uma obra que é, propositalmente, um coquetel explosivo e de difícil digestão.

É um neo-noir que mergulha nas cores desbotadas do submundo de Bakersfield, Califórnia, usando o charme clássico da pulp fiction para subverter clichês e se firmar como uma experiência cinematográfica singular, ainda que assumidamente bagunçada.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

O filme nos apresenta a Honey O’Donahue (interpretada de forma eletrizante por Margaret Qualley), uma detetive particular espirituosa e com estilo retrô-chique, que incorpora o arquétipo do private dick (detetive particular) da ficção pulp, mas com um toque abertamente queer. Sua rotina é interrompida ao se envolver na investigação de mortes estranhas que a ligam a uma igreja misteriosa, o Templo Four-Way, liderado pelo carismático — e perigosamente sedutor — Reverendo Drew Devlin (Chris Evans).

Conforme Honey mergulha em um mundo de segredos de culto, tráfico de drogas e intrigas sexuais, ela desenvolve uma atração mútua e explosiva pela policial MG Falcone (Aubrey Plaza), que se torna sua aliada e amante. Ambientado na crua e ensolarada Bakersfield, o filme é um thriller policial com forte pitada de humor ácido, exibido Hors Concours no Festival de Cannes 2025.

➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e  streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Crítica

“Honey, Não” é, inegavelmente, um filme sobre o qual é impossível ficar indiferente. Aqueles que o amam apontam sua ousadia, o elenco magnético e o estilo irretocável como os pontos altos, enquanto seus detratores criticam a trama confusa, o ritmo irregular e o final insatisfatório. No meio de tudo, a obra se consolida como uma celebração de personagens marcantes e diálogos afiados, provando que o carisma às vezes pode superar a coerência.

Margaret Qualley é, indiscutivelmente, o motor e o coração do filme. Ela não apenas veste os figurinos retrô-chiques de Peggy Schnitzer; ela incorpora o arquétipo do detetive solitário e apreciador de uísque, quebrando as normas do gênero ao injetar uma perspectiva assumidamente queer.

Honey O’Donahue é uma combinação única do charme de Humphrey Bogart com a sagacidade de Lauren Bacall, mas completamente original. A tensão sexual que ela exala em cena, seja com MG Falcone ou com qualquer outra figura de interesse, é palpável.

O filme consegue ser um exercício de neo-noir sáfico, onde a orientação sexual da protagonista não é uma anomalia forçada, mas sim um elemento orgânico que subverte os clichês pulp de décadas. É a atuação magnética de Qualley que conduz o filme por cima de seus desvios narrativos e falhas estruturais, fazendo com que o público perdoe a trama labiríntica em nome de sua atitude.

Leia a crítica do filme Honey, Não (2025) - Flixlândia
Foto: Divulgação / Universal Pictures

Brilho apagado e química explosiva

O filme acerta em cheio ao colocar um elenco estelar em papéis que parecem ter sido escritos sob medida, mesmo que alguns sejam subutilizados. A química eletrizante entre Qualley e Aubrey Plaza (MG Falcone) é um dos maiores trunfos, adicionando uma tensão e imprevisibilidade raras ao romance policial.

Plaza, com seu humor seco e mistério característicos, brilha, especialmente na cena pós-sexo que injeta uma inesperada profundidade emocional e revela traumas compartilhados entre as personagens (relações abusivas com figuras paternas).

No lado dos vilões, Chris Evans continua a se afastar do “bom rapaz americano” da Marvel, entregando um Reverendo Devlin que é o epítome do vilão carismático, narcisista e depravado – uma figura que se encaixa perfeitamente no universo distorcido dos Coen. No entanto, os atores são lamentavelmente subdesenvolvidos em função da duração e do ritmo acelerado.

Roteiro confuso e maldição da trama

A história de culto, tráfico de drogas e a miríade de subtramas (incluindo o caso da sobrinha desaparecida e o pai de Honey) é uma bagunça desorganizada que carece da trama meticulosa dos melhores trabalhos dos Coen. O roteiro, que se move em ritmo vertiginoso em menos de 90 minutos, parece cair em uma série de piadas desconexas e gags Coen-escos que não se desenvolvem em algo satisfatório.

A sensação de que eles tentaram demais é recorrente, com críticas apontando para um final abrupto e imerecido, que sugere que os roteiristas simplesmente se cansaram de controlar o caos. O filme parece amar o desvio, se deliciando em subtramas que não chegam a lugar nenhum e que, muitas vezes, parecem apenas distrações sedutoras (como o flerte com a femme fatale francesa), mas que sacrificam a coesão do mistério central.

Conclusão

“Honey, Não!” é um filme que vive em uma tensão constante entre o brilhantismo estético e a fragilidade narrativa. Visualmente, é um deleite — a cinematografia de Ari Wegner, os figurinos retro-chic e a trilha sonora western-noir de Carter Burwell dão ao filme uma pulsação própria e uma atmosfera inegavelmente magnética. É estiloso, ousado e cheio de personalidade, um projeto que celebra a atitude acima da perfeição técnica.

Se você busca um thriller conciso e um mistério com todas as pontas amarradas, o título serve como um aviso: Honey, Não!. No entanto, se você está à procura de um neo-noir irreverente, ancorado por uma atuação estelar de Margaret Qualley e carregado com o humor ácido e a disposição para quebrar as regras que definem o melhor do universo Coen, esta aventura desorganizada, mas deliciosa, vale muito a pena.

Onde assistir ao filme Honey, Não?

O filme foi exibido no Festival do Rio e estreia nesta quinta-feira, 6 de novembro de 2025, exclusivamente nos cinemas.

Trailer de Honey, Não (2025)

YouTube player

Elenco do filme Honey, Não!

  • Margaret Qualley
  • Aubrey Plaza
  • Chris Evans
  • Lera Abova
  • Jacnier
  • Gabby Beans
  • Talia Ryder
  • Charlie Day
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
‘Love Me, Love Me’ o que sabemos sobre a adaptação do tórrido romance que promete abalar as estruturas no streaming (1)
Críticas

Nem tudo é o que parece: uma análise sincera de ‘Love Me, Love Me’

Sejamos honestos: quem resiste a um bom drama adolescente ambientado em escolas...

A Cela dos Milagres 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia (1)
Críticas

‘A Cela dos Milagres’ é um misto de lágrimas e clichês

Se você abriu a Netflix nesta sexta-feira (13), provavelmente deu de cara...

Caju, Meu Amigo crítica do filme do Globoplay 2026 - Flixlândia
Críticas

‘Caju, Meu Amigo’: entre o afeto canino e as cicatrizes de uma tragédia

Falar sobre tragédias recentes é sempre caminhar em um campo minado, e...

A Sapatona Galáctica 2026 crítica do filme animação - Flixlândia
Críticas

‘A Sapatona Galáctica’ é uma joia do cinema indie que transborda originalidade

A Sapatona Galáctica (um título que, por si só, já convida ao...

Confira a resenha crítica do filme Caminhos do Crime (Crime 101), suspense de 2026 com Chris Hemsworth, Halle Berry e Mark Ruffalo
Críticas

‘Caminhos do Crime’: quando torcer pelo bandido parece a escolha mais fácil

Olá, meu caro apreciador de blockbusters! Bem-vindo! Baseado em Crime 101 (título...

O Morro dos Ventos Uivantes 2026 crítica do filme Flixlândia
Críticas

‘O Morro dos Ventos Uivantes’ (2026): paixão em excesso como linguagem

Dirigido por Emerald Fennell, O Morro dos Ventos Uivantes (2026) propõe uma...

Meu Amor É Um Príncipe 2017 crítica do filme Netflix Flixlândia
Críticas

‘Meu Amor É Um Príncipe’: química do casal vale o seu tempo na Netflix

Sabe aqueles dias em que a realidade pesa um pouco e tudo...

The Rose Come Back to Me crítica do documentário 2026 Flixlândia
Críticas

‘The Rose: Come Back To Me’ funciona como um abraço caloroso para os fãs

The Rose: Come Back to Me é um documentário imersivo sobre a...