Lembra de quando o diretor Neil Marshall despontou nos anos 2000 como uma das grandes promessas do terror e suspense? Filmes como Abismo do Medo e Cães de Caça deixaram a gente na beira da poltrona. A triste realidade é que, de uns tempos para cá, a carreira dele deu uma bela esfriada. É nesse contexto que chega Instinto Fatal (Compulsion), o mais novo projeto do diretor em parceria com sua esposa e musa, a atriz Charlotte Kirk.
O filme é uma tentativa clara de resgatar aquela vibe dos thrillers eróticos que lotavam as locadoras nos anos 80 e 90, misturando referências pesadas a lendas como Brian De Palma e Dario Argento. Mas será que essa viagem no tempo funcionou ou foi só mais um tropeço?
Sinopse
A história nos leva para as paisagens ensolaradas da ilha de Malta, onde Evie (Anna-Maria Sieklucka), uma jovem de passado sombrio, chega para passar uns dias na luxuosa mansão de seu padrasto ricaço. O que ela não sabe é que seus vizinhos não são nada amigáveis. A ladra sedutora Diana (Charlotte Kirk) e seu namorado encrenqueiro e abusivo, Reese (Zach McGowan), decidem que a visitante é o alvo perfeito para um golpe.
O plano de Diana é simples: seduzir Evie, ganhar a confiança dela e rapar o cofre da mansão. Só que, no meio de toda essa pegação e falsidade, uma assassina em série vestida da cabeça aos pés em couro estilo BDSM começa a fatiar a galera pela ilha.
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Crítica do filme Instinto Fatal (2024)
Uma carta de amor ao Giallo e a De Palma
Se tem algo em que Instinto Fatal acerta, é na vontade de abraçar o absurdo do seu próprio estilo. O filme não tem vergonha nenhuma de ser aquele suspense trash e classudo ao mesmo tempo. Neil Marshall mergulha de cabeça nas homenagens aos filmes italianos giallo, trazendo cenas de assassinato viscerais, câmeras em primeira pessoa (POV) e uma energia de “estilo acima da substância”.
A fotografia de Ali Asad ajuda muito a criar essa atmosfera neon e noir, fazendo com que os cenários paradisíacos de Malta pareçam um pesadelo glamouroso e cheio de sombras. Se você curte a estética de obras como Dublê de Corpo ou Vestida para Matar, vai notar as referências ao diretor Brian De Palma espalhadas por toda parte.

Roteiro capenga e atuações duvidosas
Agora, quando a gente olha para além do visual, a coisa fica complicada. O roteiro, escrito a quatro mãos por Marshall e Kirk, é uma verdadeira bagunça. Os diálogos soam artificiais, servindo quase sempre como muleta de exposição, o que não ajuda em nada nas atuações, que já são bem exageradas.
Aliás, rola uma certa estranheza no elenco: mesmo se passando na Europa, todo mundo fala inglês, e muitos dos atores não são nativos no idioma, o que deixa as falas com um tom travado e bizarro em várias cenas. Os personagens são super rasos e mal desenvolvidos, funcionando apenas como peões para fazer a trama andar até a reta final.
Ritmo arrastado e mistério óbvio
Outro ponto que exige paciência é o ritmo do filme. Depois de um começo que tenta ser instigante, o meio da história dá uma bela empacada. Marshall tenta segurar o interesse do público com cenas eróticas — meio na pegada das atrações do Supercine antigo —, mas falta tensão real para amarrar o mistério.
Aquele elemento do “quem é o assassino?” (whodunnit) não engana ninguém. O elenco focado é pequeno, o que deixa super previsível quem está por trás dos assassinatos sangrentos. O que salva (ou afunda de vez, dependendo do seu nível de exigência) é a reviravolta no terceiro ato. O final é completamente insano e absurdo. Para alguns, vai ser uma surpresa deliciosamente idiota; para outros, o motivo perfeito para revirar os olhos.
Conclusão
No fim das contas, Instinto Fatal é um longa de altos e baixos, pendendo mais para os baixos. Não é, nem de longe, o retorno triunfal que a gente esperava de Neil Marshall. Mas, para ser justo, o filme tem lá o seu charme se você souber o que está indo assistir.
Se você for procurar um suspense lógico e bem atuado, as chances de se irritar ou avançar o filme na pressa são enormes. Agora, se você curte a energia de um thriller erótico bagunçado, gosta de referências descaradas aos clássicos dos anos 80 e 90, e está a fim de desligar o cérebro para ver gente bonita cometendo crimes e sendo perseguida em Malta, pode ser que o longa garanta uma diversão descompromissada. Para quem ficou curioso, o título está disponível no Brasil exclusivamente no streaming Adrenalina Pura+.
Onde assistir online ao filme Instinto Fatal?
Trailer de Instinto Fatal (2024)
Elenco do filme Instinto Fatal (2024)
- Zach McGowan
- Anna-Maria Sieklucka
- Charlotte Kirk
- Matthew Camilleri
- Antonella Axisa
- Giulia Gorietti














