Iron Lung crítica do filme 2026 - Flixlândia

‘Iron Lung’: fenômeno de bilheteria afunda em roteiro raso e tédio prolongado

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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A invasão dos criadores de conteúdo em Hollywood acaba de ganhar seu capítulo mais ambicioso. Assumindo as funções de diretor, roteirista, financiador e protagonista, Mark Fischbach — o gigante da internet Markiplier — traz aos cinemas Iron Lung, adaptação do jogo independente de David Szymanski.

Distribuído no Brasil pela Paris Filmes, o longa entra em cartaz no dia 12 de março (quinta-feira) com a impressionante marca de US$ 50 milhões arrecadados globalmente contra um orçamento de apenas US$ 4 milhões. Os números são incontestáveis, mas a experiência na sala escura conta uma história bem diferente.

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Sinopse

A premissa é fantástica. Após um evento cataclísmico chamado O Êxtase Silencioso, que apagou todos os corpos celestes habitáveis do universo, a humanidade tenta sobreviver em estações espaciais.

O prisioneiro Simon (Markiplier) recebe uma missão suicida: navegar em um minúsculo submarino sem janelas através de um oceano de sangue em uma lua desolada para coletar recursos. Se tiver sucesso, ganha a liberdade. O problema é que o fascínio gerado por essa introdução naufraga rapidamente.

Crítica do filme Iron Lung

A armadilha do mistério excessivo

Ao optar por confinar a câmera no set físico minúsculo do submarino, a direção evoca imediatamente a agonia de obras como Enterrado Vivo (2010), com Ryan Reynolds. Contudo, o suspense exige um protagonista pelo qual o público queira torcer, e o roteiro falha miseravelmente em desenvolver isso.

Na tentativa de manter a aura enigmática do jogo original, o filme não explica quase nada do universo e entrega um personagem central completamente em branco. Sem camadas dramáticas, Simon é apenas um avatar descartável. Para o espectador que não possui uma bagagem emocional prévia com o youtuber ou com o game, a empatia é nula. Se a estrutura do submarino ceder, o público pouco se importa.

Iron Lung 2026 crítica do filme - Flixlândia
Foto: Paris Filmes / Divulgação

Exaustão técnica e narrativa

Outro erro letal é a duração. Esticar uma premissa tão limitada por mais de duas horas transforma qualquer faísca de tensão em um cansaço profundo. O marketing martelou a quebra do recorde de A Morte do Demônio (2013) com o uso de 300 mil litros de sangue falso. O efeito prático é visualmente nojento e realista, mas litros de sangue não consertam a ausência de ritmo.

Na parte técnica, o design de som acerta ao transformar o ranger do metal e os bipes do maquinário em uma tortura auditiva que simula a pressão das profundezas. A mixagem de áudio, porém, derrapa feio nas vozes. Diálogos inteiros soam abafados e inaudíveis, prejudicando o entendimento. O elenco de vozes e apoio, que traz nomes talentosos como Caroline Kaplan e Troy Baker, além do criador Seán McLoughlin (Jacksepticeye), acaba subaproveitado em um material que se recusa a sair do lugar.

Conclusão

Ao subirem os créditos, a verdadeira dimensão de Iron Lung fica clara: estamos diante de um estudo de caso fenomenal sobre a força da economia de criadores, mas não de um bom filme.

Desafiar a engrenagem dos grandes estúdios e mobilizar milhões de pessoas pelo mundo com um projeto totalmente independente e anticomercial é um feito que merece aplausos de pé. A bilheteria explosiva atesta o poder de engajamento de Mark Fischbach e a lealdade inabalável de sua comunidade.

Entretanto, quando separamos o criador da criatura e avaliamos o longa puramente como uma obra cinematográfica, o que sobra é um teste de resistência arrastado e monótono. Uma viagem imersiva, sim, mas em um mar de tédio.

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Elenco do filme Iron Lung (2026)

  • Mark Fischbach
  • Caroline Kaplan
  • Troy Baker
  • Elsie Lovelock
  • Elle LaMont
  • Mick Lauer
  • Dave Pettitt
  • Holt Boggs
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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