Lefter O Professor resenha crítica do filme Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Lefter: O Professor’: na sombra do amor, a ausência do futebol

Foto: Netflix / Divulgação
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Quando um filme biográfico se propõe a contar a vida de uma lenda, a expectativa é alta. No caso de Lefter Küçükandonyadis, um dos maiores jogadores de futebol da Turquia, a promessa era de um épico esportivo e cultural. Lefter: O Professor, lançado pela Netflix, tinha tudo para cumprir essa missão.

A história de um cidadão turco de origem grega que se torna um ícone nacional, navegando por tensões sociopolíticas e atingindo o estrelato internacional, é material de cinema de primeira. Infelizmente, o resultado final é um filme que, apesar de um desempenho central cativante e de uma produção visual competente, tropeça feio no que é mais fundamental: o roteiro e o foco narrativo. Esta é a crítica de uma oportunidade desperdiçada que escolheu a briga doméstica em vez da glória em campo.

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Sinopse

Lefter: O Professor acompanha a jornada de Lefter Küçükandonyadis desde a sua juventude em Büyükada, onde ele desafia os desejos do pai (que queria que ele seguisse uma carreira acadêmica ou na engenharia) para perseguir o sonho do futebol.

O filme mapeia sua ascensão, passando por seu serviço militar (onde o futebol continuou a impulsionar sua carreira), sua decisiva chegada ao Fenerbahçe e sua atuação na seleção turca (incluindo a Copa do Mundo de 1954, que é estranhamente minimizada).

Ao mesmo tempo, o enredo aborda a complexidade de sua identidade greco-turca, marcada por intensa hostilidade, e, de forma central, a turbulência de sua vida amorosa. O retorno de Lefter à Turquia, após passagens pela Itália e França, serve como gancho para a história, que foca na crise conjugal causada por um caso extraconjugal com Meri, que chega a gerar um filho.

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Resenha crítica do filme Lefter: O Professor

Foco desviado: cadê o futebol?

O problema mais gritante desta cinebiografia esportiva é que ele parece não gostar muito de esporte. A maior parte da narrativa é dedicada à vida pessoal e romântica de Lefter, especialmente seu triângulo amoroso com a esposa, Stavriani, e a amante, Meri.

O futebol, que deveria ser o coração pulsante da lenda do “Professor”, é tratado como um mero pano de fundo ou uma coleção de montagens apressadas. Temos dribles e gols em sequências breves e genéricas, mas somos privados do que realmente define um craque: os momentos icônicos.

Para um filme sobre um jogador lendário que liderou a Turquia em sua primeira Copa do Mundo em 1954, é inaceitável que o torneio receba menos tempo de tela do que um caso extraconjugal que, convenhamos, não tem a mesma relevância histórica.

Em vez de recriações detalhadas de gols memoráveis ou de estatísticas que definiram sua carreira, o filme nos oferece um drama de romance. É difícil não sentir que se trata de um filme de drama romântico onde, por acaso, o protagonista joga futebol profissionalmente.

Lefter O Professor resenha crítica filme Netflix 2025 Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Superficialidade e fragmentação do roteiro

Apesar de ter material riquíssimo — a identidade dual, as tensões sociopolíticas dos anos 50 (incluindo a perseguição à população de origem grega) e a glória esportiva — o roteiro de Ayşe İlker Turgut falha em tecer uma narrativa coesa.

O ritmo é desigual e fragmentado. Momentos importantes são tratados com “um verniz superficial”, sem a devida profundidade. A vida de Lefter foi cheia de contradições e desafios fascinantes, mas o filme se contenta em juntar cenas desconectadas sem a devida construção emocional.

A escolha de focar tanto no relacionamento com Meri é particularmente controversa, pois não só desvia o foco, mas também parece ter sido uma invenção ou, no mínimo, uma dramatização exagerada da vida privada, sacrificando a precisão histórica.

O pior é o desfecho desse arco: após 5 anos de separação, Lefter retorna à esposa com um filho de outra mulher, e Stavriani o recebe com um sorriso inexplicável e sem problemas. Essa falta de reação e a ausência de construção emocional tornam o final risível e quebram a suspensão de descrença.

Problemas de produção e atuação central

Apesar dos erros do roteiro, há pontos positivos. A performance de Erdem Kaynarca como Lefter traz humanidade, vulnerabilidade e paixão ao personagem. Ele é, de fato, a âncora do filme. Além disso, a direção de Can Ulkay e a produção conseguem criar uma atmosfera de época convincente, e o uso de imagens de arquivo adiciona textura histórica.

No entanto, a produção esbarra em decisões confusas, como usar o mesmo ator para interpretar Lefter adolescente e adulto, sem qualquer maquiagem ou efeito visual de envelhecimento, o que é altamente discutível. Some-se a isso a crítica de que, em vez de emoção autêntica, algumas cenas usam músicas e floreios piegas para tentar manipular o sentimento do espectador.

Conclusão

Lefter: O Professor é, na melhor das hipóteses, uma experiência mediana. Ele consegue prestar um tributo sincero a Lefter Küçükandonyadis através da atuação de Kaynarca e da exploração de sua complexa identidade greco-turca. No entanto, o filme é um completo impedimento” em sua estrutura e foco narrativo.

Ao dar prioridade a um drama romântico excessivamente dramatizado e, aparentemente, ficcionalizado, ele falha miseravelmente em capturar a verdadeira escala da lenda de um dos maiores jogadores de futebol da Turquia.

É um filme que, com um elenco forte e boa produção, se perde por causa de um roteiro desastroso, deixando o espectador (especialmente o fã de futebol e da história de Lefter) com uma profunda sensação de oportunidade desperdiçada.

Onde assistir ao filme Lefter: O Professor?

  • Netflix

Trailer de Lefter: O Professor (2025)

YouTube player

Elenco de Lefter: O Professor, da Netflix

  • Erdem Kaynarca
  • Deniz Işın
  • Aslıhan Malbora
  • Aslıhan Gürbüz
  • Edip Tepeli
  • Halit Ergenç
  • Bora Akkaş
  • Onur Durmaz
  • Erdem Şanlı
  • Engin Alkan
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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