Matar Vingar Repetir crítica do filme 2025 HBO Max - Flixlândia (1)

Muito além da Marvel: o multiverso sombrio e realista de ‘Matar, Vingar, Repetir’

Foto: Divulgação
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Sabe aquela sensação de que o cinema já esgotou completamente a fórmula do multiverso? Com tantos super-heróis e realidades absurdas invadindo as telas nos últimos anos, é normal a gente dar aquela revirada de olhos quando ouve o termo. Mas Matar, Vingar, Repetir (Redux Redux), o novo longa independente dos diretores e roteiristas Kevin e Matthew McManus, chegou para provar que ainda dá para fazer algo novo com o conceito.

Longe de salvar o mundo ou lidar com poderes mágicos, o filme usa a ficção científica para entregar um thriller intimista, sombrio e muito focado na dor da perda, fugindo dos clichês e trazendo um frescor que o subgênero estava precisando.

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Sinopse

A trama acompanha Irene Kelly (interpretada por Michaela McManus, que por acaso é irmã dos diretores), uma mãe que teve a vida destruída após sua filha de 14 anos ser assassinada por um serial killer chamado Neville. Disposta a tudo por vingança, Irene usa uma máquina de viajar pelo multiverso — que tem uma aparência bizarra, meio termo entre um caixão e uma geladeira velha — para pular de universo em universo com um único objetivo: caçar e matar Neville repetidas vezes em cada realidade que visita.

Porém, a rotina sangrenta de Irene muda drasticamente quando, em um dos universos, ela encontra Mia, uma adolescente de 15 anos amarrada no cativeiro do assassino. Após salvar a vida da garota, as duas acabam embarcando juntas nessa road trip interdimensional de vingança e traumas não resolvidos.

Crítica do filme Matar, Vingar, Repetir

O multiverso pés no chão

O que mais chama a atenção na construção desse universo é como as coisas são intencionalmente simples e diretas. Em vez de perder tempo com diálogos expositivos intermináveis sobre como a viagem entre mundos funciona ou os perigos dos paradoxos temporais, o roteiro confia na inteligência do público.

Os irmãos McManus apostaram em realidades paralelas onde as diferenças são irritantemente sutis — como uma caneca que em um universo é amarela e no outro é vermelha —, o que torna a busca de Irene por uma realidade perfeita ainda mais frustrante.

A própria estética do filme colabora para isso: a máquina de viagem é rudimentar, pesada e cheia de marcas de uso, construída nos bastidores com efeitos práticos que envolveram até copinhos de papelão para criar o impacto da queda. Isso dá ao longa uma textura muito palpável, crua e realista.

Matar Vingar Repetir crítica do filme HBO Max 2025 - Flixlândia (1)
Foto: Divulgação

Luto, vingança e a dinâmica Irene-Mia

No fundo, toda a roupagem de ficção científica serve apenas como uma grande metáfora para ilustrar o luto tóxico e como o desejo de vingança pode se tornar um ciclo vicioso e destrutivo. Irene está literalmente presa em um loop de ódio que vai minando a sua própria humanidade. Michaela McManus entrega a alma ao papel, equilibrando perfeitamente a exaustão de uma mãe que perdeu tudo com uma frieza implacável no olhar.

A entrada da jovem Stella Marcus como Mia é o que salva o filme de se tornar mórbido demais. A dinâmica disfuncional entre a mulher endurecida e a adolescente rebelde lembra muito a relação de Sarah e John Connor em O Exterminador do Futuro 2, trazendo um alívio cômico e servindo como a âncora emocional que força Irene a repensar sua espiral de violência.

Ação eletrizante x diálogos arrastados

Mas o filme também tem seus defeitos. Na parte da ação, os diretores mostram que sabem o que estão fazendo, entregando sequências excelentes com lutas corporais intensas, tiroteios e perseguições. Eles se inspiraram em filmes focados em vingança crua, como Blue Ruin, e no próprio O Exterminador do Futuro, e isso fica nítido na câmera tensa e na edição.

O problema é que, quando as armas esfriam e os personagens precisam apenas conversar, o filme tropeça. Há críticas apontando que várias cenas de diálogo soam artificiais, mal dirigidas e burocráticas. Essa inconstância afeta um pouco o ritmo, fazendo com que a obra, principalmente em seu terço final, pareça um pouco mais arrastada do que deveria.

Conclusão

Apesar de escorregar um pouco na execução de algumas cenas mais dramáticas e no ritmo das conversas, Matar, Vingar, Repetir termina sendo uma experiência muito acima da média para o cinema independente. É um thriller que prefere a ambiguidade a entregar respostas mastigadas.

Se você gosta de uma ficção científica que usa a adrenalina e a ação para explorar a mente humana e os traumas que carregamos, esse mergulho no multiverso vale muito o seu tempo.

Onde assistir online ao filme Matar, Vingar, Repetir?

Trailer de Matar, Vingar, Repetir (2025)

YouTube player

Elenco do filme Matar, Vingar, Repetir

  • ⁦⁨Michaela McManus⁩
  • ⁨Stella Marcus⁩
  • ⁨Jeremy Holm⁩
  • ⁨Jim Cummings
  • ⁨Taylor Misiak⁩
  • ⁨Dendrie Taylor⁩⁩
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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