Se você procura um cinema que vai muito além do entretenimento e toca na ferida das lutas históricas, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro tem um convite irrecusável. A partir desta quinta-feira, 19 de fevereiro, o espaço recebe a mostra “O cinema anticolonial de Sarah Maldoror”.
É uma oportunidade rara — e a mais profunda já realizada no país — de mergulhar na obra dessa cineasta que usou a câmera como uma arma poética a favor da independência dos países africanos. Com entrada gratuita, a programação segue até 16 de março e traz não apenas filmes, mas debates, cursos e leituras dramáticas.
O que torna essa mostra imperdível?
Sarah Maldoror (1929-2020) não foi apenas uma diretora; foi uma ativista que colocou as mulheres no centro das narrativas revolucionárias. A curadoria, assinada por Lúcia Monteiro, Izabel de Fátima Cruz Melo e Letícia Santinon, reuniu 24 títulos. Desses, 14 são dirigidos por Maldoror e 10 por outros realizadores que dialogam com sua obra, incluindo gigantes como Gillo Pontecorvo e Chris Marker.
O grande destaque da abertura é a exibição de “Sambizanga” (1972), considerada a obra-prima da diretora. O filme, que retrata a resistência angolana contra a polícia secreta portuguesa, chega ao Rio em uma versão restaurada pela Cineteca di Bologna e pela World Cinema Foundation, um projeto incentivado por ninguém menos que Martin Scorsese.
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Quem foi Sarah Maldoror?
Para entender a mostra, é preciso entender a mulher. Sarah dedicou sua carreira a dar visibilidade às lutas de libertação em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Ela deixou mais de 40 filmes, transitando entre a ficção e o documentário, sempre com um olhar humanitário e esteticamente refinado.
Destaque da curadoria: A mostra não foca apenas no passado. A ideia é traçar paralelos entre as realidades africanas que Sarah filmou e as questões da diáspora negra no Brasil de hoje.

Programação especial: encontros e debates
A experiência no CCBB vai além da tela. A sessão inaugural de “Sambizanga”, às 17h30 do dia 19, terá comentários de Henda Ducados, filha da cineasta. Ela compartilhará memórias pessoais e o impacto político do trabalho da mãe. A pesquisadora Janaína Oliveira também participa desse momento.
Outros pontos altos da agenda incluem:
- Diálogo com o Cinema Brasileiro: A cineasta baiana Safira Moreira apresenta seu primeiro longa, “Cais” (2025), e dirige uma leitura dramática inédita do roteiro “As garotinhas e a morte”, um projeto de Maldoror que nunca foi filmado.
- Curso Gratuito: Para quem quer estudar a fundo, haverá o curso “Arquivos do cinema de mulheres”, ministrado por Anita Leandro e Ana Paula Alves Ribeiro (inscrições por ordem de chegada).
- Clássicos Conexos: Exibição de “A Batalha de Argel” (no qual Sarah foi assistente) e obras brasileiras fundamentais como “Alma no Olho”, de Zózimo Bulbul, e “Ôrí”, de Raquel Gerber.
Onde e quando acontece a mostra de Sarah Maldoror?
A mostra ocorre no Cinema I (térreo) do CCBB Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66, Centro). Vai de 19 de fevereiro a 16 de março de 2026.
Como retirar os ingressos?
A entrada é gratuita. Os ingressos ficam disponíveis a partir das 9h do dia de cada sessão, tanto na bilheteria física quanto no site do CCBB.
A mostra vai para outras cidades?
Sim! O projeto, patrocinado pelo Banco do Brasil, seguirá para o CCBB São Paulo (de 21 de fevereiro a 22 de março) e também passará pelo CCBB Salvador.
Programação completa da mostra de Sarah Maldoror no CCBB Rio
Para te ajudar a se planejar, organizamos a agenda dia a dia:
Semana de Abertura
- 19/02 (Quinta): 17h30 – Sambizanga (Abertura com Henda Ducados).
- 20/02 (Sexta): 16h00 – Monangambé + Alma no olho | 18h00 – Debate: Racismo e representação.
- 21/02 (Sábado): 16h30 – Prefácio a fuzis para Banta | 18h00 – Sessão Carnaval (Fogo, Carnaval no Sahel, Em Bissau).
- 22/02 (Domingo): 15h30 – A batalha de Argel | 18h00 – Uma sobremesa para Constance.
Segunda Semana
- 23/02 (Segunda): 18h00 – Sessão Poesia (Louis Aragon, René Depestre, Léon G. Damas).
- 25/02 (Quarta): 16h30 – Aimé Césaire, un homme une terre | 18h00 – E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras.
- 26/02 (Quinta): 16h30 – O hospital de Leningrado | 18h00 – Sem Sol (Chris Marker).
- 27/02 (Sexta): 17h30 – Ôrí.
- 28/02 (Sábado): 16h00 – Curtas de Sara Gómez + debate | 18h30 – Elles + O legado da coruja (Ep. 7).
- 01/03 (Domingo): 15h00 – Cais (com debate) | 17h30 – Leitura dramática de roteiro inédito.
Terceira Semana
- 02/03 (Segunda): 17h30 – Sambizanga.
- 04/03 (Quarta): 16h00 – Sessão Carnaval | 18h00 – Uma sobremesa para Constance.
- 05/03 (Quinta): 16h00 – Retratos de mulheres | 18h00 – Sessão Poesia.
- 06/03 (Sexta): 16h30 – Aimé Césaire, un homme une terre | 18h00 – E os cães se calavam + Aimé Césaire, a máscara das palavras.
- 07/03 (Sábado): 16h30 – O hospital de Leningrado | 18h00 – Curtas de Sara Gómez.
- 08/03 (Domingo): 16h00 – Cais | 17h30 – Sambizanga.
Semana Final
- 09/03 (Segunda): 16h30 – Prefácio a Fuzis para Banta (comentado).
- 11/03 (Quarta): 16h00 – Uma sobremesa para Constance | 17h30 – Ôrí.
- 12/03 (Quinta): 16h30 – Monangambé + Alma no olho | 18h00 – Retratos de mulheres.
- 13/03 (Sexta): 16h30 – Elles + O legado da coruja | 17h30 – Sem Sol.
- 14/03 (Sábado): 17h00 – Cais (com debate).
- 15/03 (Domingo): 15h00 – A batalha de Argel (comentado) | 18h00 – Curso: Arquivos do cinema de mulheres (Parte 1).
- 16/03 (Segunda): 17h30 – Prefácio a Fuzis para Banta | 18h00 – Curso: Arquivos do cinema de mulheres (Parte 2).
***A classificação indicativa da mostra é de 14 anos.
Serviço da mostra Sarah Maldoror
- Evento: Mostra O cinema anticolonial de Sarah Maldoror
- Onde: CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66, Centro
- Quando: de 19 de fevereiro a 16 de março de 2026
- Ingressos: disponíveis a partir das 9h do dia de cada sessão/atividade na bilheteria física e no site do CCBB
- Contato: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br
- Mais informações: bb.com.br/cultura















