Joe e a Viagem de Carro crítica do filme da Netflix 2026 - Flixlândia

‘Joe e a Viagem de Carro’: Tyler Perry assumiu o volante e a gente não sabe se ri ou se chora

Foto: Netflix / Divulgação
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Vamos ser honestos: dar o play em um filme do Tyler Perry é como aceitar um convite para um jantar de família onde você sabe que vai ter gritaria, comida gordurosa e aquele tio sem filtro falando absurdos. Você pode até sair de lá com dor de cabeça, mas dificilmente sairá entediado. Com Joe e a Viagem de Carro (Joe’s College Road Trip), que chegou à Netflix em fevereiro de 2026, a sensação é exatamente essa.

Perry, que construiu um império baseado em estereótipos e humor escrachado, decide tirar a famosa Madea dos holofotes (ela mal aparece aqui) e dar o protagonismo para Joe, seu irmão ex-cafetão e rabugento. O resultado? Uma mistura caótica de road movie com sermão de domingo que, por incrível que pareça, pode ter mais profundidade do que a gente esperava — ou ser um desastre completo, dependendo da sua tolerância para baixarias.

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Sinopse

A premissa é simples, quase uma desculpa para colocar dois opostos dentro de um carro apertado. Temos B.J. (Jermaine Harris), o filho de Brian (vivido pelo onipresente Tyler Perry), um garoto da Geração Z criado em uma bolha de privilégio, vegano e cheio de discursos sobre masculinidade tóxica e patriarcado. B.J. quer ir para a universidade de Pepperdine com seus amigos brancos, mas seu pai sonha que ele vá para Morehouse, uma faculdade historicamente negra, para se conectar com suas raízes.

Sem coragem para impor sua vontade ao filho mimado, Brian segue o conselho de Madea e incumbe o avô Joe de levar o garoto para a faculdade. A ideia é que uma viagem cruzando o país naquele Buick velho ensine a B.J. como o mundo real funciona fora de seu condomínio de luxo. Obviamente, o que começa como uma viagem se torna uma sucessão de desastres, paradas em bordéis e perseguições.

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Crítica do filme Joe e a Viagem de Carro

O choque entre o “cancelador” e o “incancelável”

O coração do filme está na dinâmica entre Joe e B.J., que funciona como uma caricatura gritante do conflito geracional atual. De um lado, temos Joe, um “fóssil” vivo que resolve tudo na base do grito e ofensas que seriam consideradas crimes de ódio em quase todos os estados americanos. Do outro, B.J., o estereótipo do jovem liberal moderno que Perry parece adorar alfinetar, alguém que acha que postar indignação no Instagram resolve os problemas do mundo.

Embora Joe seja o chamariz, a verdadeira revelação acaba sendo Jermaine Harris como B.J. Ele consegue a proeza de manter o personagem simpático mesmo quando o roteiro exige que ele seja insuportavelmente moralista. A química entre os dois sustenta o filme, pois ambos são forçados a sair de seus extremos. É interessante ver como o roteiro pune a arrogância juvenil de B.J., mas também não deixa Joe sair impune de sua rigidez.

Joe e a Viagem de Carro 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Uma “farofa” com recheio sério (talvez sério até demais)

O que pega muita gente de surpresa — e é o ponto onde o filme divide águas — é a tentativa de Perry de inserir drama real no meio da palhaçada. O filme oscila violentamente de esquetes de humor questionável (envolvendo flatulências e piadas de banheiro) para tramas sobre tráfico humano e a importância da história negra.

A introdução da personagem Destiny (Amber Reign Smith), uma profissional do sexo que pega carona com a dupla, serve como uma ponte necessária entre o avô e o neto. Ela traz uma dose de realidade crua que falta a B.J. e humaniza o cinismo de Joe.

Há momentos de sinceridade genuína, onde Joe expressa orgulho pelo filho Brian ou tenta proteger o neto, que pegam o espectador desprevenido. É aquela velha tática do Perry: te fazer rir (ou sentir vergonha alheia) por uma hora para depois tentar te emocionar com uma lição de moral sobre ancestralidade e identidade.

A estética do caos

Visualmente e narrativamente, o filme é a bagunça habitual. A direção é uma esquizofrenia tonal, misturando paródias malfeitas de Matrix com cenas de ação que parecem saídas de um filme B. Para quem busca cinema refinado, Joe e a Viagem de Carro está bem longe disso, sendo um pesadelo de poluição visual e roteiro preguiçoso.

No entanto, o formato de road movie faz bem ao estilo do diretor. Tirar os personagens de dentro de uma sala de estar (cenário padrão das peças e filmes de Madea) e jogá-los na estrada dá um ritmo mais ágil à narrativa. As paisagens mudam, os problemas mudam, e isso impede que o filme fique estagnado apenas nas discussões circulares entre avô e neto.

Conclusão

Joe e a Viagem de Carro não vai ganhar o Oscar e provavelmente fará alguns críticos questionarem por que a Netflix continua dando dinheiro para Tyler Perry. É barulhento, politicamente incorreto e, muitas vezes, de mau gosto. Mas, no meio desse caos, existe uma mensagem estranhamente relevante sobre a necessidade de reconciliação entre o passado e o futuro, e sobre como a identidade cultural não pode ser aprendida apenas nos livros ou nas redes sociais.

Se você já detesta a franquia Madea, passe longe: é mais do mesmo, só que com Joe no comando. Mas se você consegue desligar o senso crítico apurado e rir do absurdo, pode acabar se surpreendendo com uma das melhores dinâmicas de personagens que Perry criou em anos. É um desastre? Talvez. Mas é um desastre que, curiosamente, sabe onde quer chegar.

Onde assistir ao filme Joe e a Viagem de Carro?

Trailer de Joe e a Viagem de Carro (2026)

YouTube player

Elenco de Joe e a Viagem de Carro, da Netflix

  • Tyler Perry
  • Jermaine Harris
  • Amber Reign Smith
  • Bethany Anne Lind
  • Jeremy Gimenez
  • Millie Jackson
  • Wil Deusner
  • Ms. Pat
  • DeEtta West
  • Ben Swilley
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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