A nova aposta do Apple TV, Mulheres Imperfeitas (baseada no livro de Araminta Hall e adaptada por Annie Weisman), já chegou dividindo opiniões. Com uma aprovação morna da crítica internacional — na faixa dos 41% no Rotten Tomatoes —, o suspense psicológico vem sendo chamado de genérico por alguns, mas, ironicamente, já se tornou um hit imediato, figurando no Top 3 mundial de audiência do streaming logo na estreia.
E não é difícil entender o porquê: a mistura de gente rica com atitudes péssimas, segredos sombrios e um elenco de primeiríssima linha é a receita perfeita para nos manter grudados na tela.
Sinopse
A história acompanha três amigas que se conhecem há mais de duas décadas: a ambiciosa Eleanor (Kerry Washington), a dona de casa Mary (Elisabeth Moss) e Nancy (Kate Mara), que casou com um herdeiro rico de pavio curto. O vínculo das três é colocado à prova quando Nancy é brutalmente assassinada.
O choque da tragédia piora quando fica claro que a vida delas era cheia de omissões: Nancy estava tendo um caso com um artista chamado Davide, algo que apenas Eleanor sabia, deixando Mary completamente magoada e no escuro. A partir daí, a investigação policial se cruza com a paranoia das amigas, enquanto o viúvo de Nancy, Robert (Joel Kinnaman), e a própria Eleanor se veem embolados em uma teia de mentiras e desejos reprimidos.
Crítica dos episódios 1 e 2 da série Mulheres Imperfeitas
A ilusão da amizade perfeita
A série não perde tempo tentando nos convencer de que essas mulheres são heroínas imaculadas. Pelo contrário, o roteiro abraça a confusão moral delas e foge da necessidade de criar protagonistas 100% “gostáveis”. O grande trunfo aqui é como a morte de Nancy expõe a hipocrisia e a fragilidade de uma amizade que supostamente era inabalável.
Alguns críticos apontam, com razão, que o roteiro peca ao não nos dar tempo suficiente para comprar essa química toda, já que somos jogados direto no pior momento da vida delas, forçando o público a acreditar no afeto apenas pela palavra das personagens.
Ainda assim, o choque de Mary ao descobrir as mentiras da falecida amiga traz um peso emocional muito bem trabalhado por Elisabeth Moss. Ela logo assume uma postura quase obsessiva de tentar desvendar o crime por conta própria, revoltada por ter sido excluída da vida secreta de Nancy.

Luto, tensão e decisões (muito) questionáveis
Se tem algo que gruda os olhos na tela no episódio 2, “Paixão”, é a dinâmica perigosa entre Eleanor e o viúvo Robert. A trama deixa claro que Eleanor carrega uma atração por ele há anos, desde antes de apresentá-lo a Nancy. A série não faz muita cerimônia para explorar isso: o luto logo se transforma em uma válvula de escape impulsiva.
A viagem dos dois para a casa de Ojai, teoricamente para empacotar as coisas da vítima, culmina naquilo que qualquer fã de um bom drama novelesco já esperava: eles acabam indo para a cama juntos. É um clichê? Sim. Mas funciona para elevar a tensão, especialmente quando o gancho final do episódio nos dá um belo tapa na cara. Eleanor encontra uma carta que prova que Robert já sabia do caso extraconjugal da esposa — contrariando totalmente sua pose de marido traído pego de surpresa e o colocando no topo da lista de suspeitos.
Um suspense de novela que se apoia no elenco
No fundo, Mulheres Imperfeitas sabe exatamente o que é: uma “leitura de praia” transformada em um thriller visualmente impecável e cheio de reviravoltas. Se você for assistir esperando uma revolução na televisão, pode se decepcionar. No entanto, se você baixar as expectativas e aceitar a premissa, a diversão é garantida.
As atuações elevam o material mediano. Kerry Washington brilha como a protagonista que esconde segredos sob uma postura de puro controle, enquanto Kate Mara traz um magnetismo enigmático para Nancy através de flashbacks. Para completar, atores coadjuvantes como Leslie Odom Jr. — interpretando Donovan, o irmão de Eleanor que julga absolutamente todas as escolhas da irmã — injetam um carisma muito bem-vindo à trama.
Conclusão
Em resumo, os dois primeiros episódios de Mulheres Imperfeitas jogam as cartas na mesa de forma rápida e instigante. Pode não ser a série de suspense mais inovadora do mundo, flertando bastante com o melodrama e repetindo a fórmula de mulheres ricas e seus segredos letais, mas ela constrói uma atmosfera de desconfiança que realmente funciona.
O terreno já está preparado, os podres de todo mundo começaram a vazar e, sinceramente, a fofoca e o mistério estão bons demais para a gente querer largar agora.
Elenco da série Mulheres Imperfeitas, da Apple TV
- Kerry Washington
- Elisabeth Moss
- Kate Mara
- Joel Kinnaman
- Audrey Zahn
- Violette Linnz
- Jackson Kelly
- Michelle Arthur
















