Peaky Blinders O Homem Imortal crítica do filme da Netflix 2026 - Flixlândia

‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’ é uma despedida melancólica, enlameada e digna

Foto: Netflix / Divulgação
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Após o fim da série em 2022, o destino de Tommy Shelby havia ficado no ar, marcado por aquele desfecho enigmático em que ele desiste do suicídio e desaparece montado em um cavalo branco.

Agora, Cillian Murphy veste a boina mais famosa da cultura pop mais uma vez — embalado pelo seu Oscar recente de Melhor Ator — para entregar a aguardada conclusão dessa história.

O resultado é “Peaky Blinders: O Homem Imortal”, um projeto feito sob medida como um presente para os fãs que acompanharam a saga do gângster de Birmingham ao longo de mais de uma década.

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Sinopse

A trama dá um salto no tempo e cai em 1940, em meio ao caos dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Encontramos um Tommy Shelby irreconhecível: longe do crime, vivendo em autoexílio há cerca de seis anos em uma mansão afastada e escrevendo suas memórias para tentar lidar com os fantasmas de seu passado (como as mortes de sua filha Ruby e de seu irmão Arthur).

Enquanto isso, seu filho ilegítimo, Duke (Barry Keoghan), assumiu o controle da gangue. Movido pela ambição, o jovem aceita colaborar com John Beckett (Tim Roth), um simpatizante nazista que lidera um plano fascista (inspirado na Operação Bernhard da vida real) para inundar a Grã-Bretanha com libras falsificadas e quebrar o país. Com a família e a nação em risco, Tommy precisa abandonar seu retiro pacífico e voltar à guerra.

Crítica do filme Peaky Blinders: O Homem Imortal

O peso do legado e o ritmo apressado

A sensação que fica ao assistir ao longa, dirigido por Tom Harper, é de que o criador e roteirista Steven Knight tentou comprimir a complexidade de uma temporada de seis episódios em pouco menos de duas horas. É verdade que a produção é visualmente deslumbrante e abraça de vez o tom cinematográfico — a sequência inicial do bombardeio na fábrica é de tirar o fôlego —, mas essa pressa narrativa cobra seu preço.

O desenvolvimento de alguns arcos fica pelo caminho e os novos personagens perdem força. O vilão de Tim Roth, por exemplo, soa genérico e não consegue exalar a mesma ameaça manipuladora que outros antagonistas da franquia, como Oswald Mosley, já entregaram.

Peaky Blinders O Homem Imortal 2026 crítica do filme da Netflix - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

Pai contra filho na lama e no sangue

Felizmente, o grande coração do filme mora na dinâmica familiar, que sempre foi a espinha dorsal da história. A dobradinha entre Cillian Murphy e Barry Keoghan é o grande acerto do longa. Keoghan absorve a imprevisibilidade de Murphy com perfeição, e a escalação do ator foi super inusitada: tudo começou com uma mensagem de feliz Dia dos Pais que ele mandou para Cillian em 2024.

O embate geracional entre os dois atinge o ápice em uma cena sensacional onde pai e filho trocam socos em um chiqueiro, rolando em meio à lama e aos porcos. Vale destacar também o “empurrãozinho” que Tommy recebe da cigana Kaulo (Rebecca Ferguson), uma figura sedutora e mística que ajuda a preencher o grande vazio deixado pela matriarca Polly Gray.

De anti-herói a mocinho?

Um efeito colateral interessante dessa trama é a mudança na bússola moral do nosso protagonista. Ao colocar os Peaky Blinders para combater nazistas que querem acabar com a Inglaterra, o roteiro transforma Tommy numa espécie de “mocinho” patriota, o que dilui um pouco daquela velha aura punk e subversiva contra o sistema que consagrou a série. Mas não se engane: o velho Tommy ainda vive.

O filme sabe dosar ameaça com um humor absurdo, entregando uma das melhores cenas da franquia quando Tommy entra no pub The Garrison. Após um recruta insolente perguntar “Quem diabos é Tommy Shelby?”, a resposta vem na forma de uma granada viva jogada dentro da camisa do soldado. Isso sem falar na clássica cena de transformação ao estilo “super-herói”, onde ele abandona as roupas pacatas e volta a vestir o colete, o sobretudo e a boina, assumindo a frieza que o define.

Conclusão

Mesmo com o roteiro espremido e a ausência sentida de boa parte do clã Shelby, “Peaky Blinders: O Homem Imortal” cumpre seu papel de ponte e encerramento. É uma despedida melancólica, enlameada e digna.

O desfecho não poupa o espectador das consequências de uma vida inteira dedicada à violência: após derrotar os fascistas, Tommy é gravemente baleado e morre nos braços de Duke, selando uma pesada e sangrenta passagem de bastão.

Cremado em uma carroça tradicional cigana ao lado de seus pertences, o maior gângster de Birmingham finalmente encontra a paz que tanto procurou. Por ordem dos Peaky Blinders, a lenda se torna, de fato, imortal.

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Elenco do filme Peaky Blinders: O Homem Imortal

  • Cillian Murphy
  • Rebecca Ferguson
  • Tim Roth
  • Barry Keoghan
  • Stephen Graham
  • Sophie Rundle
  • Packy Lee
  • Jay Lycurgo
  • Ned Dennehy
  • Ian Peck
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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