Crítica da temporada 2 da série Ninguém Quer (2025) - Flixlândia

Segunda temporada de ‘Ninguém Quer’ evita clichês e amadurece

Foto: Netflix / Divulgação
Compartilhe

Transformar uma comédia romântica de sucesso em uma série de TV com múltiplas temporadas é um desafio quase existencial: o que acontece depois do “felizes para sempre”? O risco de fabricar dramas inverossímeis ou forçar o casal a retroceder em sua maturidade é alto. É por isso que a temporada 2 de Ninguém Quer se estabelece não apenas como um acerto, mas como um feito notável.

Embora o material de divulgação tenha flertado com o melodrama, sugerindo que o carismático Noah (Adam Brody) e a irreverente Joanne (Kristen Bell) cairiam na armadilha das discussões vazias, a realidade é muito mais satisfatória. A série, disponível na Netflix, rejeita o caminho mais fácil e, em vez disso, celebra a evolução.

Os 10 novos episódios provam que é possível ter drama consistente – decorrente de pressões de fé e carreira – enquanto se mantém a integridade de um dos relacionamentos mais bem construídos da televisão recente. Ao sustentar o humor afiado e uma comunicação invejável, Ninguém Quer não apenas sobrevive ao segundo ano, mas o usa para reafirmar seu status de comédia romântica essencial.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A segunda temporada retoma a vida de Noah, o rabino, e Joanne, a podcaster agnóstica. Depois do beijo no season finale do primeiro ano, a dupla decide viver o presente e ignorar temporariamente a grande questão que paira sobre o relacionamento: a conversão de Joanne ao judaísmo. Este dilema inter-religioso, que não tem uma resolução fácil, serve como pano de fundo consistente, gerando consequências reais para a carreira de Noah e sua convivência com a família.

Enquanto lidam com pressões externas, como a desaprovação da mãe de Noah e um revés profissional para ele, o cotidiano do casal é recheado de comédia. Paralelamente, a série expande seu olhar para os relacionamentos coadjuvantes: a irmã de Joanne, Morgan (Justine Lupe), ganha destaque com uma trama própria e hilária, e o casal Sasha (Timothy Simons) e Esther (Jackie Tohn) enfrenta os desafios de manter a paixão após anos de casamento.

➡️ Segunda temporada de ‘Gen V’ traz um final explosivo e coeso
➡️ A força de ‘Task’ reside na humanidade dos seus falhos heróis
➡️ ‘O Monstro de Florença’ desvia da abordagem sensacionalista e oferece novas reflexões sobre o caso

Crítica

O grande diferencial de Ninguém Quer reside na sua abordagem inovadora dos conflitos. Ao contrário de muitas comédias românticas que se arrastam em mal-entendidos e ressentimentos não ditos, a série faz com que seus personagens conversem, e conversem bem. Os problemas surgem e são, em sua maioria, rapidamente discutidos e superados com um nível de comunicação que chega a ser aspiracional.

Os erros — toques de ansiedade, ciúmes ou dificuldades em lidar com interferências externas — são cometidos, mas o roteiro de Erin Foster e a nova equipe de showrunners (Jenni Konner e Bruce Eric Kaplan) priorizam a maturidade na resposta a esses desafios.

A trama prova, assim, que o drama pode existir sem ser tóxico, focando na leveza e no bom humor para retratar um relacionamento realisticamente saudável na TV. É um alívio satisfatório ver as peças se encaixando sem que seja necessário recorrer a brigas bobas e forçadas.

➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e  streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAMXTIKTOKYOUTUBEWHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

Expansão do universo

A nova temporada acerta ao distribuir o foco narrativo. A dinâmica entre Kristen Bell (Joanne) e Adam Brody (Noah), sustentada pela química eletrizante que permanece o coração da série, é complementada pela elevação dos personagens secundários.

Justine Lupe, como Morgan, é a grande revelação cômica, roubando cenas com sua casualidade ao entregar falas insanas e sua função de equilibrar e, por vezes, desafiar Joanne. O arco de Morgan, com um novo interesse amoroso, adiciona camadas, mesmo que esta subtrama, por vezes, pareça apressada ou forçada para criar um contraste com o relacionamento principal.

Igualmente importante é o aprofundamento de Sasha e Esther. O casal, que explora os dilemas do casamento de longa data, adiciona autenticidade e vulnerabilidade ao retrato dos relacionamentos. Timothy Simons e Jackie Tohn oferecem um contraponto bem-humorado e, por vezes, sério, à dupla principal, enriquecendo o universo da série.

Embora a inclusão de guest stars como Seth Rogen e Kate Berlant seja promissora, a série peca ao não dar a eles — ou a outros personagens promissores, como a Bina de Tovah Feldshuh na segunda metade da temporada — tempo de tela suficiente, limitando seu impacto a participações pontuais e, por vezes, subdesenvolvidas.

Cena da temporada 2 da série Ninguém Quer (2025) - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

Amor, fé e autoconhecimento

O motor temático da série, o embate entre a fé (o judaísmo de Noah) e o ceticismo (o agnosticismo de Joanne), é explorado com mais nuances. Em vez de apressar uma conversão forçada, a temporada permite que Joanne inicie um processo de descoberta pessoal e de respeito pela fé do parceiro, sem cair na idealização fácil.

Noah, por sua vez, enfrenta questionamentos sobre sua vocação e a possibilidade de um caminho religioso mais progressista com uma parceira gentia. A série se mantém autêntica ao não oferecer um “final idealizado” imediato, preferindo a jornada de autoconhecimento e as concessões mútuas.

A leveza e o humor continuam a ser o veículo para tratar de temas sérios como insegurança, pertencimento e o peso das expectativas comunitárias, tornando os personagens falhos e, por isso, profundamente verossímeis.

Conclusão

A segunda temporada de Ninguém Quer é uma evolução madura. Ao evitar a repetição de fórmulas e os conflitos fabricados, a série investe na profundidade de seus personagens e na expansão do seu universo narrativo, com a valorização de Morgan, Sasha e Esther.

Preservando o humor afiado, o romance crível e a química magnética de Kristen Bell e Adam Brody, a série reafirma seu mérito de ter conquistado indicações em grandes premiações. Ela não é apenas uma comédia romântica agradável, mas um estudo envolvente e otimista sobre o amor moderno, a convivência e a importância do diálogo.

Ninguém Quer consolida-se como uma das produções mais consistentes e bem-humoradas do catálogo da Netflix, provando que, no final das contas, o público quer, sim, ver um relacionamento saudável.

Onde assistir à segunda temporada de Ninguém Quer?

A série “Ninguém Quer” está disponível para assistir na Netflix.

Veja o trailer da temporada 2 de Ninguém Quer

YouTube player

Quem está no elenco de Ninguém Quer, da Netflix?

  • Kristen Bell
  • Adam Brody
  • Justine Lupe
  • Timothy Simons
  • Jackie Tohn
  • Stephanie Faracy
  • Tovah Feldshuh
  • Paul Ben-Victor
  • Michael Hitchcock
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Fallout Temporada 2 Episódio 8 final último resenha crítica da série Prime Video 2026 Flixlândia
Críticas

‘Fallout’ (2×08): série encerra a segunda temporada olhando para o futuro

Se você passou a temporada inteira esperando ver New Vegas em toda...

The Pitt temporada 2 episódio 4 resenha crítica da série HBO Max 2026 Flixlândia
Críticas

‘The Pitt’ (2×04): Síndrome de Julho, erros de principiante e um final de arrepiar

Depois da carga emocional pesadíssima do episódio anterior, que focou na conexão...

O Cavaleiro dos Sete Reinos episódio 3 resenha crítica da série HBO Max 2026 Flixlândia (1)
Críticas

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ (1×03): marionetes, profecias e um chute na cara

Chegamos oficialmente à metade da primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete...

The Beauty Lindos de Morrer 4 episódio resenha crítica da série Disney+ 2026 Flixlândia (1)
Críticas

‘The Beauty: Lindos de Morrer’ (1×04): o ponto de virada sombrio da série

O quarto episódio marca um ponto de virada narrativo para The Beauty:...

Bridgerton temporada 4 parte 1 resenha crítica da série Netflix 2026 Flixlândia
Críticas

Cinderela realista e Violet apaixonada salvam a Parte 1 da 4ª temporada de ‘Bridgerton’?

Depois de quase dois anos de espera, a família mais fofoqueira e...

Sequestro temporada 2 episódio 3 resenha crítica da série Apple TV 2026 Flixlândia
Críticas

‘Sequestro’ (2×03): a verdade sobre Sam Nelson vem à tona

Depois de um início de temporada que deixou muita gente coçando a...