Se você é fã de documentários criminais, provavelmente já esbarrou (ou devorou) a nova aposta da Netflix. Lançada em 6 de março de 2026, a minissérie de dois episódios “O Assassino do TikTok” (dirigida por Héctor Muniente) rapidamente escalou para o Top 3 global da plataforma.
Mas o que torna essa produção tão assustadora não é apenas o crime em si, e sim como a vida digital de um assassino em série se misturou com a busca desesperada de uma família. Sabe aquele alerta clássico sobre tomar cuidado com quem você conhece em viagens e pela internet? Essa história eleva isso ao nível máximo.
Abaixo, a gente te conta tudo o que aconteceu na vida real, sem enrolação.
Quem era Esther Estepa e como ela conheceu o Assassino do TikTok?
Esther Estepa era uma mulher espanhola de 42 anos, nascida em Sevilha, que levava um estilo de vida aventureiro e nômade. Ela não costumava parar em um lugar por muito tempo e, após sair de um relacionamento abusivo e passar um tempo em um abrigo para mulheres, decidiu colocar o pé na estrada pela Espanha.
Em agosto de 2023, enquanto estava na cidade litorânea de Alicante, Esther conheceu José Jurado Montilla, de 64 anos, no saguão de um albergue. Montilla não parecia uma ameaça. Com um rosto marcado pelo tempo, sem alguns dentes e com um papo amigável sobre história local, ele administrava um perfil no TikTok com o apelido de “Dinamita Montilla”. Lá, ele compartilhava suas caminhadas e aventuras para cerca de seis mil seguidores. Esther decidiu acompanhá-lo em algumas de suas rotas, uma decisão que mudaria tudo.
O que aconteceu com Esther Estepa? O desaparecimento misterioso
No dia 22 de agosto de 2023, os dois fizeram uma caminhada exaustiva de 37 quilômetros entre Dénia e Gandía. Ao final do trajeto, Esther estava com muitas dores nas pernas e na cabeça, o que fez Montilla chamar uma ambulância. Ela foi atendida em um hospital local e recebeu alta na madrugada do dia 23, por volta das 4h30. Essa foi a última vez que ela foi vista com vida por autoridades médicas.
Cerca de 13 horas depois, a mãe de Esther, Pepa (Josefa), recebeu mensagens muito esquisitas no WhatsApp. No texto, a filha dizia que estava indo começar uma “nova vida em Buenos Aires” com amigas. A família sacou na hora que havia algo errado: a mensagem tinha erros de digitação estranhos, Esther não conhecia ninguém em Alicante para viajar e, mais importante do que tudo, ela jamais abandonaria seus dois cães de estimação.

A investigação e o papel do rastro digital no TikTok
Inicialmente, a polícia tratou o caso como um desaparecimento voluntário, já que Esther era uma mulher adulta com histórico de viagens repentinas. Sem o apoio imediato das autoridades, a mãe e a irmã de Esther, Raquel, começaram a investigar por conta própria.
A grande reviravolta aconteceu em setembro de 2023, quando o próprio Montilla ligou para a mãe de Esther, dizendo que queria ajudar nas buscas e repetindo a versão de que havia se despedido dela no hospital. Desconfiada, Raquel jogou o nome dele no Google e o que ela encontrou foi de gelar a espinha.
Quem é José Jurado Montilla? O passado sombrio do influencer
“Dinamita Montilla” não era apenas um viajante peculiar; ele era um assassino em série condenado. Na década de 1980 (entre 1985 e 1987), ele assassinou brutalmente quatro pessoas na região de Málaga, incluindo turistas da Alemanha e do Reino Unido.
Montilla havia sido condenado a 123 anos de prisão, mas acabou cumprindo apenas 28 anos. Ele foi solto em 2013 graças a uma decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (a anulação da Doutrina Parot), que alterou o cálculo de redução de penas na Espanha. Homem livre, ele se reinventou como criador de conteúdo no TikTok.
O mais macabro dessa história é que, mesmo sendo o principal suspeito para a família, Montilla continuou postando vídeos no TikTok, fingindo procurar por Esther e alegando que os dois tinham um romance. O diretor do documentário, Héctor Muniente, chegou a afirmar que assistir aos vídeos de Montilla, onde ele alternava rapidamente entre tristeza e alegria, era como “observar um exemplo de psicopatia em tempo real”.
Como a polícia prendeu o Dinamita Montilla?
Enquanto o caso de Esther empacava na falta de um corpo, a polícia já investigava Montilla por outro crime brutal. Em 2022, um jovem estudante de 21 anos, chamado David, foi morto a tiros numa propriedade rural em Málaga. A polícia encontrou DNA no zíper da mochila da vítima que batia com a linhagem da família Jurado.
Como Montilla vivia como um nômade e só postava vídeos de lugares de onde já havia saído, rastreá-lo foi difícil. Após meses, as autoridades o localizaram perto da fronteira com Portugal, em Valdebótoa (Badajoz). Agentes disfarçados coletaram uma amostra de DNA que deu match perfeito com a cena do crime de David, resultando em sua prisão em maio de 2024.
O trágico fim: Onde o corpo de Esther foi encontrado?
A prova definitiva de que Esther não havia fugido para a Argentina surgiu de forma trágica. Em fevereiro de 2024, turistas encontraram um crânio humano na região de Gandía. Em junho do mesmo ano, testes confirmaram ser de Esther, e o restante da sua ossada foi achado escondido em um canavial próximo.
Os exames indicaram que ela morreu vítima de um forte golpe na cabeça e há indícios de violência sexual. Além disso, a perícia no celular apreendido de Montilla encontrou fotos do corpo de Esther, derrubando de vez a versão de que eles haviam se separado pacificamente.
Onde está o Dinamita Montilla hoje?
Atualmente, aos 64 anos, José Jurado Montilla encontra-se preso preventivamente na Espanha. Ele aguarda julgamento tanto pelo assassinato do jovem David quanto pelo homicídio de Esther Estepa (processos previstos para o final de 2026). Ele nega veementemente a autoria dos crimes e até se recusou a participar das gravações do documentário da Netflix.
O Assassino do TikTok não é apenas mais uma série de true crime; é um alerta pesado sobre o cruzamento da vida digital com a realidade. Como as mensagens forjadas no WhatsApp e os vídeos exibicionistas no TikTok mostram, as redes sociais de Montilla viraram um “arquivo involuntário” para a polícia e para a família, sendo a principal chave para a sua própria ruína.

















