Crítica do filme O Caixão de Vidro, da Netflix (2025) - Flixlândia

‘O Caixão de Vidro’, quando o fim não é a morte, mas o pesadelo

Filme é remake de um clássico tailandês

Foto: Netflix / Divulgação
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O cinema de terror asiático, em particular o tailandês, tem um talento singular para explorar medos que se enraízam não apenas no sobrenatural, mas na psique humana. O Caixão de Vidro (2025), dirigido por Oat Vatanyu Ingkavivat, é um exemplo notável dessa abordagem.

Sendo a sexta refilmagem do clássico drama tailandês Susan Khonpen (สุสานคนเป็น), mas a primeira produzida para o cinema, o longa mergulha em uma história de infidelidade e obsessão, transformando a clássica trama de triângulo amoroso em um pesadelo sufocante. Com 92 minutos de duração, o filme se destaca pela produção meticulosa e pelas atuações impactantes, mesmo que a narrativa, comprimida, perca um pouco de seu ritmo.

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Sinopse

O filme acompanha o casal Cheev (Thanavate Siriwattanagul) e Ros (Arachaporn Pokinpakorn), que se mudam para uma mansão remota para cumprir uma condição bizarra de herança: viver por cem dias com o cadáver preservado da falecida esposa de Cheev, Lunthom (Woranuch Bhirombhakdi), exibido em um caixão de vidro.

O que começa como uma oportunidade para uma nova vida feliz, rapidamente se transforma em uma experiência aterrorizante. O espírito de Lunthom, consumido pela traição, não descansa e passa a assombrar a vila e a casa, concentrando sua fúria em Ros e testando os limites da sanidade e do medo.

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Crítica

O que diferencia O Caixão de Vidro de um filme de terror genérico é a sua abordagem à vingança. Enquanto muitos filmes do gênero se limitam a punir os traidores com a morte, este longa explora uma forma de retaliação mais sutil e profunda: a dor perpétua de permanecer vivo. O espírito de Lunthom não busca apenas a destruição física; ele quer o tormento psicológico. É intrigante que a maior parte de sua ira seja direcionada a Ros, a amante, e não a Cheev, o marido infiel.

O filme, de forma inteligente, sugere que o verdadeiro castigo para Cheev é ter de lidar com uma parceira em constante terror, enquanto para Ros, a “vingança” é a chance de escapar. Ela tem a oportunidade de se libertar desse relacionamento tóxico, mas sua ganância e apego a Cheev a prendem, levando-a a um destino ainda mais sombrio.

O desfecho, em particular, é chocante e memorável, sugerindo que Ros está condenada a ser eternamente “a segunda opção”, uma espécie de “remanescente” que sempre viverá na sombra da falecida esposa. É um final que não apenas assusta, mas também provoca reflexão sobre as consequências de escolhas egoístas, ecoando a frase tailandesa “beber água debaixo do cotovelo”, uma expressão que significa aceitar a inferioridade em um relacionamento.

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Atuações e qualidade da produção

Um dos pontos mais fortes do filme é a performance do trio de protagonistas. Woranuch Bhirombhakdi entrega uma versão única de Lunthom. Sua beleza atemporal, mesmo com a maquiagem assustadora de fantasma, adiciona uma camada de fascínio e tormento à personagem.

Arachaporn Pokinpakorn e Thanavate Siriwattanagul também brilham, mostrando sua versatilidade ao dar vida a personagens complexos e moralmente ambíguos. A atuação de Siriwattanagul, em particular, como o traiçoeiro e presunçoso Cheev, evoca o tipo de repulsa que faz o público torcer por sua miséria.

A produção de O Caixão de Vidro é, sem dúvida, de alta qualidade. A atenção aos detalhes em figurino, maquiagem e cabelo é impecável, refletindo com precisão a época retratada. O design de som e a edição, com transições suaves e envolventes, criam uma atmosfera que prende o espectador. É uma produção que se compara a filmes de terror internacionais, adotando a estética de uma cabana isolada na floresta, mas imersa na cultura tailandesa.

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Ritmo e conflito narrativo

Apesar de seus méritos, o filme sofre com a compressão de uma trama que originalmente foi uma série de televisão. O roteiro, ao condensar os eventos em 92 minutos, resulta em um primeiro ato um tanto lento e diálogos excessivamente cuidadosos. A narrativa só ganha impulso em sua segunda metade.

Com apenas três personagens principais e um foco quase exclusivo no casal adúltero, a história pode parecer um pouco arrastada em certos momentos. As aparições do xamã, por exemplo, parecem mais uma formalidade do que um elemento crucial para o desenvolvimento do enredo. Além disso, a dependência de sustos repentinos (jump scares), embora eficazes, pode não agradar aos fãs que buscam um terror mais psicológico e profundo.

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Conclusão

O Caixão de Vidro pode, à primeira vista, parecer um filme de terror genérico com uma premissa bizarra, mas é muito mais do que isso. É uma crítica mordaz à ganância, à traição e às consequências de um amor ilícito. O filme se destaca pela produção de alta qualidade e pela performance espetacular de seu elenco, que eleva o material, mesmo com as limitações de ritmo.

Embora a compressão do roteiro e a dependência de sustos possam ser pontos fracos, o filme oferece uma experiência perturbadora e um final que ficará na mente do espectador por muito tempo. É uma adaptação bem-sucedida que, em seu melhor, prova que o verdadeiro horror não está na morte, mas na vida de dor e arrependimento que vem depois.

Onde assistir ao filme O Caixão de Vidro?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Assista ao trailer de O Caixão de Vidro (2025)

YouTube player

Quem está no elenco de O Caixão de Vidro, da Netflix?

  • Woranuch Bhirombhakdi
  • Thanavate Siriwattanagul
  • Arachaporn Pokinpakorn
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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