A Memória do Cheiro das Coisas crítica do filme 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘A Memória do Cheiro das Coisas’ e o preço a pagar por conflitos

Foto: Divulgação
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À medida que envelhecemos, certas coisas vão se tornando mais difíceis. Memórias voltam, decisões erradas nos corroem e não podemos voltar atrás. Certamente, é mais difícil para quem passa por traumas e situações extremas, como Armênio (José Martins), veterano da guerra entre Portugal e Angola que é levado a um lar de idosos no longo “A Memória do Cheiro das Coisas”.

Sinopse

O filme narra o encontro entre Arménio, um ex-combatente debilitado pela idade e pela solidão, e Hermínia, sua nova enfermeira. A relação entre os dois revela traumas do passado colonial, preconceitos e a possibilidade de cura emocional por meio da empatia e da convivência.

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Crítica

O longa lusitano toca em diversos temas que convergem sempre para a história de vida do protagonista: idadismo, preconceito, motivação. Armênio lutou pelas tropas do Estado Novo português, um regime imperialista que buscava manter, e perdeu, o controle de países como Angola. A memória da violência o acompanha, como trauma e normalidade, em um dicotomia que resulta em uma alva cheia de cicatrizes.

Por já ter uma idade avançada, os filhos o colocam em um asilo pensando assim ser melhor para o ex-soldado. Lá, longe da solidão de morar sozinho com o cachorro, ele desenvolve laços ao mesmo tempo que também está perto da morte, não mais pela violência da guerra, e sim pelo curso natural da vida humana.

Nesse tempo, ele conhece e desenvolve um afeto específico por Herminia (Mina Andala), uma cuidadora negra. A dicotomia entre as piadas preconceituosas com amigos antigos e o respeito criado pela funcionária tomam um rumo que deveria ser natural, com a compreensão vencendo os conceitos criados por questões culturais que, se são ultrapassadas para muitos, ainda são presentes.

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Decisões distintas

O diretor Antônio Ferreira não tenta ser criativo nas tomadas, sendo bastante protocolar em como filma Armênio e seu cotidiano. Os ângulos são básicos, até pela proposta de gravar quase todo o filme em ambientes fechados, reforçando a claustrofobia do protagonista, até então independente em suas decisões, e que passa a seguir a rotina rígida do retiro, quase como uma volta ao exército.

As relações humanas o salvam. Mesmo ofendida, Hermínia o ajuda com pequenos prazeres culpados como o cigarro, ao contrário dos filhos do ex-militar, que tomam decisões pensando em prolongar a vida do pai ao invés de deixá-lo feliz. Essa talvez seja a maior questão: o tempo já tirou várias coisas de Armênio, e as pessoas que deveriam amá-lo querem tirar inclusive suas decisões.

A Memória do Cheiro das Coisas crítica do filme 2025 - Flixlândia
Foto: Divulgação

Conclusão

“A Memória do Cheiro das Coisas” fala de diversos temas, sempre tratando com respeito e uma reverência que eles merecem. Idadismo, bagagens, preconceitos e o surgimento de novas opções estão entre os assuntos, tão atuais quanto eram na época da guerra colonial portuguesa. E que esperamos que alguns deles estejam resolvidos nos próximos 50 anos.

Leia mais:

➡️ Colin Farrell contra o caos em ‘Balada de Um Jogador’
➡️ ‘A Própria Carne’, um banho de sangue com sabor de podcast
➡️ Para além do espetáculo: a brutalidade nua e crua de ‘Novembro’

Onde assistir ao filme A Memória do Cheiro das Coisas?

O filme “A Memória do Cheiro das Coisas” estreia nesta quinta-feira, 30 de outubro, nos cinemas brasileiros.

Veja o trailer de A Memória do Cheiro das Coisas (2025)

YouTube player

Quem está no elenco do filme A Memória do Cheiro das Coisas?

  • José Martins
  • Mina Andala
  • Pedro Lamas
  • Robson Lemos
  • Maria Manuel Almeida
  • Maria José Almeida
  • Sofia Coelho
  • Paula Barata
  • José Castela
  • Cláudia Carvalho
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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