Se você recentemente se emocionou com o novo lançamento mexicano da Netflix, “A Cela dos Milagres” (2026), ou desidratou de chorar com o fenômeno turco “Milagre na Cela 7” (2019), saiba que a semente dessa história foi plantada muito antes. A origem de tudo está na Coreia do Sul, com o filme “Milagre na Cela N° 7” (7-beon-bang-ui seon-mul), lançado em 2013.
Embora as versões da Netflix tenham popularizado a trama no ocidente, o original sul-coreano é uma obra-prima que mistura comédia e tragédia de uma forma única, carregando um final bem diferente — e mais doloroso — do que a maioria dos espectadores conhece. Vamos mergulhar nas origens desse fenômeno global.
O enredo original de Milagre na Cela N° 7
A premissa básica é universal: um pai com deficiência intelectual é preso injustamente. No entanto, o filme de 2013, dirigido por Lee Hwan-kyung, traz detalhes específicos que definem seu tom.
A história segue Yong-gu (interpretado brilhantemente por Ryu Seung-ryong), um homem com a idade mental de seis anos, que vive para sua filha, Ye-sung. O conflito começa por causa de uma mochila da Sailor Moon. Yong-gu quer comprar a mochila para a filha, mas se envolve em um acidente fatal com a filha do comissário de polícia em um dia de inverno.
Ao tentar fazer reanimação cardiorrespiratória (RCP) na menina caída, sua ação é mal interpretada como abuso, levando à sua prisão e condenação à morte sob a acusação de sequestro, estupro e assassinato,. Dentro da prisão de segurança máxima, na famigerada “Cela 7”, ele conquista a amizade de criminosos endurecidos que armam um plano ousado para trazer a pequena Ye-sung para dentro da cadeia.
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As grandes diferenças: Coreia x Turquia x México
A maior dúvida dos fãs é sobre o desfecho. As adaptações fizeram mudanças drásticas para se adequarem ao gosto local ou para oferecerem mais esperança.
1. O final: execução ou fuga?
- Coreia do Sul (Original, 2013): Prepara-se, pois aqui não há “milagre” de fuga. O pai morre. Yong-gu é executado em 23 de dezembro, data que coincide com o aniversário da filha. Ele confessa o crime falsamente após ser espancado e ameaçado pelo comissário de polícia, que diz que matará Ye-sung se ele não assumir a culpa. O filme termina anos depois, com a filha já adulta e advogada, limpando o nome do pai em um novo julgamento.
- Turquia e México (Netflix): Tanto a versão turca quanto a mexicana (“A Cela dos Milagres”) optam por um final onde o pai sobrevive. Em ambas, um prisioneiro (Yusuf na Turquia, Iván no México) se sacrifica no lugar do protagonista,.
2. O tom: comédia x melodrama
O cinema coreano é mestre em misturar gêneros. O filme original de 2013 tem uma forte carga de comédia, especialmente na dinâmica entre os presos da cela, antes de desferir o golpe emocional final,. Já a versão turca aposta no drama puro e na fotografia emotiva, enquanto a mexicana foca em um realismo mais “sujo” e na denúncia social da corrupção latino-americana.
3. A revelação do “avô”
No filme mexicano de 2026, é confirmado que o prisioneiro que se sacrifica (Iván) é o avô da menina. No original coreano, essa subtrama de “sacrifício de um avô arrependido” não existe da mesma forma; o foco é puramente na injustiça do sistema e no amor entre Yong-gu e Ye-sung.

A verdade por trás do filme: baseado em fatos reais?
Muitos se perguntam se a história é real. A resposta é: parcialmente.
O filme sul-coreano foi inspirado na história real de Jeong Won-seop. Em 1972, na cidade de Chuncheon, a filha de 9 anos de um chefe de polícia foi encontrada morta. Jeong foi torturado e coagido a confessar o estupro e assassinato da criança. Ele passou 15 anos na prisão antes de ser solto em condicional. Somente em 2008 — mais de 30 anos depois — ele foi finalmente exonerado e inocentado pela justiça coreana.
Diferente do filme, Jeong não tinha deficiência intelectual e não foi executado, mas a dor da injustiça e a luta judicial tardia foram a base para o roteiro emocionante de 2013.
Conheça todas as versões de Milagre na Cela N° 7
A história de “Milagre na Cela 7” provou ser universal. Além do sucesso na Coreia (onde se tornou um dos filmes de maior bilheteria da história, com mais de 12 milhões de espectadores), o roteiro foi adaptado para:
- Índia (Pushpaka Vimana, 2017).
- Filipinas (2019).
- Turquia (7. Koğuştaki Mucize, 2019) – O grande sucesso da Netflix.
- Indonésia (2020/2022),.
- México (A Cela dos Milagres, 2026) – A versão mais recente.
Cada versão adapta elementos culturais (como a religião ou o sistema legal), mas mantém o coração da trama: a inocência de um pai contra a brutalidade do mundo.
Respostas rápidas para apressados
Qual a ordem cronológica dos filmes?
O original é o sul-coreano de 2013. A versão turca (famosa na Netflix) saiu em 2019. A versão mexicana estreou em fevereiro de 2026.
Onde assistir ao filme original coreano?
Enquanto as versões turca e mexicana são originais ou licenciadas pela Netflix, o filme coreano de 2013 (Milagre na Cela N° 7) pode ser encontrado em plataformas de VOD (Video on Demand) ou serviços de streaming focados em conteúdo asiático, dependendo da região.
Qual versão é a mais triste?
A versão coreana é considerada por muitos críticos como a mais impactante devido ao seu final trágico e realista, onde a execução realmente acontece,. A versão turca é conhecida por ser a mais melodramática e emotiva visualmente.
O personagem principal realmente existiu?
O personagem Yong-gu é ficcional, mas foi inspirado no caso real de Jeong Won-seop, um homem preso injustamente na Coreia nos anos 70.

















