Fazer uma sequência para uma obra amada é sempre um risco, especialmente quando se espera uma década inteira para isso. A primeira temporada de O Gerente da Noite, lançada em 2016, foi um sucesso estrondoso, elevando o nível dos thrillers de espionagem com a química impecável entre Tom Hiddleston e Hugh Laurie. Agora, numa produção conjunta entre BBC e Prime Video, a série retorna não mais baseada diretamente na obra de John le Carré, mas como uma história original escrita por David Farr.
A grande pergunta que fica após assistir aos três primeiros episódios é: essa continuação justifica sua existência ou é apenas uma tentativa de capitalizar em cima da nostalgia? A resposta é complexa, mas o início da temporada sugere que, apesar de alguns tropeços, o charme de Jonathan Pine ainda sobrevive.
Sinopse
A história dá um salto no tempo, passando-se quase dez anos após os eventos da primeira temporada. Encontramos Jonathan Pine (Tom Hiddleston) vivendo sob a identidade de Alex Goodwin. Ele trocou o glamour da hotelaria presencial pelo comando dos “Night Owls” (Corujas da Noite), uma unidade de vigilância secreta do MI6 que monitora hotéis de luxo remotamente. Pine parece levar uma vida tranquila, acreditando que seu antigo nêmesis, Richard Roper (Hugh Laurie), está morto — algo “confirmado” por um flashback onde Angela Burr (Olivia Colman) identifica o corpo do vilão.
No entanto, a paz acaba quando Pine identifica um antigo capanga de Roper durante uma vigilância. Isso desencadeia uma série de eventos trágicos, incluindo a morte suspeita de seu mentor, Rex Mayhew, o que força Pine a sair das sombras. Ignorando ordens superiores, ele vai para a Colômbia com sua equipe leal para se infiltrar no círculo de Teddy Dos Santos (Diego Calva), um traficante de armas carismático que se vende como o “disciple” (discípulo) e sucessor espiritual de Roper.
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Resenha crítica da temporada 2 de O Gerente da Noite
A sombra de Richard Roper e o peso da nostalgia
O maior desafio destes primeiros episódios é sair da sombra da primeira temporada. O roteiro se apoia pesadamente na memória do público, com diálogos constantes relembrando “como Roper fazia as coisas”. Essa dependência inicial faz com que a série pareça, por vezes, uma “sequência legado” que reverencia demais o passado em vez de inovar.
A estrutura da trama emula quase que perfeitamente o original: temos um novo vilão rico, uma nova “namorada do vilão” em conflito (vivida por Camila Morrone) e Pine assumindo mais uma identidade falsa para se infiltrar. Para quem esperava algo totalmente novo, essa repetição pode cansar um pouco no início.

Ritmo lento, mas com recompensa
Sejamos honestos: o começo é um pouco arrastado. Os críticos apontam que os primeiros dois episódios e meio sofrem com um excesso de exposição para situar o espectador após tantos anos. A dinâmica do escritório dos “Night Owls” em Londres não tem o mesmo apelo sexy e perigoso das interações cara a cara da temporada anterior.
A série só engata de verdade quando a ação se muda para a Colômbia. É lá que a produção volta a entregar o que faz de melhor: cenários deslumbrantes (“hotel porn”, como alguns chamam), tensão palpável e jogos de poder em festas de gala.
Hiddleston e o novo elenco
Tom Hiddleston continua excelente. Ele traz uma versão mais madura, “assombrada” e endurecida de Pine, que agora parece carregar o peso de seus traumas. Sua performance é o âncora que segura a série mesmo nos momentos mais mornos.
Entre as novidades, Diego Calva (de Babylon) merece destaque. Ele começa parecendo apenas um substituto pálido para Hugh Laurie, mas rapidamente constrói um vilão com vulnerabilidade e carisma próprios, criando uma tensão interessante — e até um flerte implícito — com Pine.
Já Camila Morrone, apesar de competente, sofre com uma personagem que, por enquanto, parece um pouco mal desenvolvida em comparação à Jed da primeira temporada. Uma surpresa agradável é Hayley Squires como Sally, que traz uma energia nova e necessária à equipe de Pine.
O grande “plot twist”
Toda a construção lenta e a sensação de “já vi isso antes” são viradas de cabeça para baixo no final do terceiro episódio. A revelação de que Richard Roper não está morto, mas vivo e trabalhando com Teddy, muda completamente o jogo.
Esse gancho (cliffhanger) é o momento em que a série diz a que veio. Ele recontextualiza tudo o que assistimos nos dois primeiros episódios e transforma uma sequência “desnecessária” em algo urgente e imperdível para os fãs.
Conclusão
Os três primeiros episódios da segunda temporada de O Gerente da Noite exigem um pouco de paciência do espectador. A série luta inicialmente para justificar seu retorno, reciclando estruturas narrativas e dependendo muito da nostalgia.
No entanto, a qualidade técnica, as atuações sólidas de Hiddleston e Calva, e a virada chocante no terceiro episódio provam que ainda há vida e intriga neste universo. Se você conseguir passar pelo início mais lento, será recompensado com um thriller que promete pegar fogo na segunda metade da temporada.
Onde assistir à temporada 2 de O Gerente da Noite
Trailer da 2ª temporada de O Gerente da Noite
Elenco da segunda temporada de O Gerente da Noite
- Tom Hiddleston
- Olivia Colman
- Camila Morrone
- Diego Calva
















