Os Abandonados resenha crítica da série Netflix 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Os Abandonados’: de Cersei a Scully, um duelo estelar preso na poeira do clichê

Foto: Divulgação / Netflix
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“Os Abandonados”, a nova empreitada de faroeste da Netflix criada por Kurt Sutter (o mesmo por trás de “Sons of Anarchy”), chega cercada de expectativas, especialmente pelo seu elenco estelar: Gillian Anderson e Lena Headey.

No entanto, a série rapidamente se revela um verdadeiro teste de Rorschach para o espectador, que certamente vai dividir opiniões entre aqueles que veem nela um western inócuo e divertido, e os que a consideram a encarnação de tudo que há de frustrante na televisão atual.

Prometendo um drama operístico no Velho Oeste com duas “mães-urso” em conflito, a série tinha um potencial de “arrasar”, mas parece tropeçar mais do que cavalgar.

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Sinopse

A trama se passa em 1854, no Território de Washington, mais especificamente em Angel’s Ridge e no vizinho Jasper Hollow. O palco do conflito é a prata sob o solo de Jasper Hollow. De um lado, temos a fria e calculista magnata da mineração, Constance Van Ness (Gillian Anderson), que precisa expandir seus negócios para acalmar investidores.

Do outro, a devota rancheira católica irlandesa Fiona Nolan (Lena Headey), que vive com sua “família encontrada” de órfãos adotados, os “Abandons”, e se recusa a ceder sua terra. A ganância de Constance (e a necessidade de prata) leva a família Van Ness aterrorizar os moradores de Jasper Hollow, dando início a uma guerra declarada entre o poder e a impotência, o direito legal e a justiça moral, a riqueza e a união por laços de escolha.

O clímax é acelerado pelo ataque sexual do filho volátil de Constance, Willem, contra a órfã Dahlia, forçando as duas matriarcas a travarem uma batalha de vida ou morte por suas respectivas famílias e legados.

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Resenha crítica da série Os Abandonados

A série de sete episódios se propõe a ser um épico faroeste, mas a execução, marcada por problemas de ritmo, clichês e uma produção que flerta com o amadorismo, a deixa mais para uma imitação desbotada de “Deadwood” ou “1923” do que um sucessor digno de “Sons of Anarchy”.

Talento desperdiçado

O grande chamariz, o duelo entre Anderson e Headey, é inegavelmente o ponto alto. Lena Headey brilha como Fiona Nolan, encarnando com raiva e paixão a matriarca protetora, é o maior trunfo da série. Gillian Anderson, por outro lado, embora exiba sua frieza calculista de “Dama de Ferro” (reeditando a carranca de Margaret Thatcher), está rígida e inconsistente, com sua personagem Constance, sendo unidimensionalmente malvada.

O problema real reside no material que lhes é dado. Os confrontos entre as protagonistas, que deveriam ser climáticos, caem no vazio devido a uma direção que não se decide entre o realismo e o exagero de “diva versus diva”.

O elenco mais jovem é ruim, com muitos atuando como se fossem personagens de “novela teen” em vez de indivíduos do século XIX. A falta de sutileza e as atuações forçadas de nomes como Nick Robinson e Lucas Till enfraquece, a credibilidade histórica da série.

Os Abandonados 2025 resenha crítica da série Netflix Flixlândia (1)
Foto: Divulgação / Netflix

Problemas de roteiro

A série sofre com um roteiro clichê e raso. A trama se apoia em tropos cansados do western, como o conflito de terras, a exploração capitalista e o uso de violência sexual (o ataque de Willem a Dahlia) como mero motor de enredo. O diálogo é terrivelmente desleixado, com anacronismos e falas pomposas que tentam imitar o estilo de “Deadwood” sem o sucesso do original.

Além disso, a produção, às vezes, deixa a desejar, parecendo, em muitos casos, amadora. Poderia citar situações como o uso notório de Inteligência Artificial (IA) para criar a debandada de gado, por exemplo, mas esse texto ficaria extenso e cansativo demais.

Falta de nuance e seriedade excessiva

Por fim, “Os Abandonados” se leva muito a sério, o que sufoca qualquer possibilidade de leveza ou autoironia. Embora toque em temas importantes como o racismo (com o personagem de Albert, um órfão negro) e o conflito com tribos indígenas (os Cayuse), essas subtramas parecem ser apenas “janelas decorativas” usadas para marcar território de temas de faroeste revisionista, sem se aprofundar ou se desenvolverem em arcos completos.

A inclusão de mulheres como protagonistas de um western é importante, mas a novidade se desgasta rápido, já que suas preocupações continuam as mesmas de sempre, como proteger a família, lutar contra o privilegiado, entre outros clichês do gênero.

Conclusão

“Os Abandonados” é uma série com uma premissa sólida, um elenco de ponta e o selo de um criador conhecido por seus dramas intensos. No entanto, os problemas de execução — a escrita clichê, a produção amadora, o ritmo inconsistente e o desperdício de talento do elenco mais jovem — a impedem de alcançar seu potencial.

No todo, o resultado final é um faroeste que, embora assistível – se você for um fã de Kurt Sutter ou de Anderson/Headey -, “Os Abandonados” carece de profundidade e nuance, ou seja, uma decepção. Fica a dúvida se a série terá uma segunda temporada, especialmente após a saída de Sutter e um final apressado que termina num cliffhanger.

Onde assistir à série Os Abandonados?

Trailer de Os Abandonados (2025)

YouTube player

Elenco de Os Abandonados, da Netflix

  • Lena Headey
  • Gillian Anderson
  • Nick Robinson
  • Diana Silvers
  • Aisling Franciosi
  • Lucas Till
  • Lamar Johnson
  • Natalia Del Riego
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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