Se você estava sentindo falta de ver Steve Carell brilhando no mundo das comédias, pode comemorar. A nova aposta da HBO, “Rooster”, traz o ator de volta à televisão em um projeto criado por ninguém menos que Bill Lawrence e Matt Tarses, as mentes por trás de sucessos como Scrubs e Ted Lasso.
Logo no primeiro episódio, a série deixa claro a que veio: é uma comédia sobre pessoas que, teoricamente, já deveriam ter a vida resolvida, mas que na prática estão lidando com um caos absoluto. A estreia mistura o humor de constrangimento clássico de Carell com o tom emocional e nostálgico característico de Lawrence, entregando um piloto que, apesar de tropeçar em alguns clichês, prende a nossa atenção do início ao fim.
Sinopse
O episódio de estreia nos apresenta a Greg Russo (Carell), um famoso autor de livros de suspense de aeroporto focados no herói de ação machão “Rooster”. Greg vai até a fictícia Ludlow College, no nordeste dos EUA, para dar uma palestra e, principalmente, checar como está sua filha, a professora de história da arte Katie (Charly Clive). Katie está no fundo do poço emocional depois que seu marido, Archie (Phil Dunster), também professor, a trocou por uma aluna de pós-graduação chamada Sunny (Lauren Tsai).
O que deveria ser uma visita rápida sai totalmente do controle. A palestra de Greg é marcada por uma aluna o questionando sobre misoginia em seus livros. Depois, ele e a filha acabam se escondendo em arbustos no campus para espionar o ex dela com a nova namorada. Como se não bastasse, Greg ainda tem a bebida confiscada por um policial por tentar pagar a conta de um estudante menor de idade.
O ápice da loucura chega no final: após Katie invadir o quintal de Archie subindo em uma árvore e finalmente confrontá-lo, o ex-marido solta a bomba de que a amante está grávida. Em um surto de raiva, Katie decide queimar um dos livros dele na lareira, mas o fogo sai do controle e ela acidentalmente incendeia a casa inteira do ex.
Crítica do episódio 1 da série Rooster
O humor de constrangimento encontra a Geração Z
Logo de cara, o episódio brinca com o choque de gerações. Greg é aquele cara mais velho, um pouco desatualizado e que não entende muito bem as novas regras sociais da juventude acadêmica. A cena em que ele é colocado contra a parede por uma aluna que pergunta se ele odeia as mulheres, por causa da forma como descreve personagens femininas em seus livros, é ótima.
A série usa isso não para fazer uma crítica amarga ao “politicamente correto”, mas para gerar um humor revigorante, mostrando que o próprio protagonista é bem perdido e inseguro. Ele se defende de forma atrapalhada, revelando que os traços da personagem foram baseados na sua ex-mulher.
Em alguns momentos, a série até soa como uma sitcom datada dos anos 90 tentando parecer moderna, mas, cá entre nós, o carisma de Carell faz a gente relevar qualquer momento que pareça um pouco mais fora de tom.

A dinâmica imperfeita (e maravilhosa) entre pai e filha
O coração desse primeiro episódio está na relação de Greg e Katie. Os criadores fugiram do estereótipo do pai distante que não consegue conversar com a filha e apostaram em uma dinâmica que parece mais uma amizade. A química entre Carell e Charly Clive transborda na tela.
A cena em que os dois estão abaixados em um arbusto espionando Archie e Sunny é hilária e mostra que, no fundo, nenhum dos dois tem maturidade emocional para lidar com a situação. Quando eles são flagrados por outro casal e tiram uma foto deles no mato, a fuga de Greg correndo da cena é aquele puro suco de humor físico que só Steve Carell sabe entregar.
Coadjuvantes que roubam a cena de imediato
Mesmo com pesos pesados no protagonismo, o elenco de apoio não fica para trás nesse piloto. John C. McGinley, que interpreta o presidente da faculdade, Walter Mann, é um espetáculo à parte. A cena em que Greg entra na sala de Walter e o encontra sem camisa, discursando loucamente sobre sua rotina de exercícios, é brilhante e já mostra que o personagem será uma máquina de situações absurdas.
Outro destaque do episódio é a introdução da professora Dylan Shepherd, vivida pela talentosíssima Danielle Deadwyler. Ela tenta flertar com Greg após um drink, convidando-o para entrar em sua casa, mas Greg fica tão nervoso e dá uma resposta tão esquisita (dizendo que é velho e está “fora de prática”) que ela acaba acidentalmente quebrando a porta de vidro da própria casa para fugir do constrangimento. É aquele tipo de humor caótico que funciona perfeitamente.
Um ritmo que acelera até pegar fogo (literalmente)
O roteiro constrói muito bem a escalada do estresse de Katie. A revelação final de que Sunny, a amante de Archie, está grávida, é o estopim perfeito para a explosão da personagem.
A queima do livro de Tolstói, Guerra e Paz, que foge do controle e incendeia a casa de Archie, eleva a série de um drama familiar indie para uma comédia de proporções absurdas logo no primeiro episódio. Isso amarra a premissa para o resto da temporada: agora o pai precisará ficar por perto e aceitar a vaga de professor na faculdade para ajudar a filha a limpar essa bagunça colossal.
Conclusão
O primeiro episódio de “Rooster” faz exatamente o que um bom piloto de comédia deve fazer: apresenta personagens altamente falhos e carismáticos, estabelece um cenário propício para confusões (o campus universitário) e termina com um grande gancho dramático. Embora a série possa flertar com temas que já vimos várias vezes – a clássica história do cara branco legal que falha mas continua subindo na vida –, a execução é charmosa demais para ser ignorada.
Com diálogos afiados, atuações no ponto certo e uma casa incendiada para selar o acordo, a estreia nos convence de que vale muito a pena acompanhar a jornada de reivenção de Greg e Katie nas próximas semanas. Se o resto da temporada mantiver a energia caótica desse primeiro capítulo, teremos uma das comédias mais divertidas do ano.
Onde assistir online à série Rooster?
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