Se você abriu a Netflix recentemente e deu de cara com um pirata charmoso encarando o horizonte num cenário paradisíaco, provavelmente topou com Sandokan. A nova aposta do streaming chegou fazendo barulho, escalando o Top 10 em diversos países e trazendo de volta um clássico que marcou gerações.
Mas, vamos ser sinceros: refazer uma obra cultuada dos anos 70, que tinha o lendário Kabir Bedi no papel principal, é uma tarefa ingrata. Será que essa nova versão, estrelada pelo astro turco Can Yaman e pelo eterno “Chuck Bass” (Gossip Girl), Ed Westwick, consegue honrar o legado ou é apenas mais uma produção bonita, mas vazia?
Para responder à essa pergunta, preparei uma análise detalhada (e sem enrolação) baseada em tudo o que rolou nessa primeira temporada para te dizer se vale a pena investir seu tempo nessa aventura.
Sinopse
Diferente da versão clássica onde o herói já começava como um príncipe deposto em sua ilha, a nova série decide contar uma história de origem. Estamos em meados do século XIX, em Bornéu. Sandokan (Can Yaman) vive como um pirata focado na sobrevivência, sem saber muito sobre seu passado real. Aos poucos, ele descobre pistas de que é, na verdade, filho de um rei guerreiro — o legítimo Príncipe de Bornéu — e que sua família foi massacrada pela ganância colonial britânica.
A trama ganha corpo quando ele cruza o caminho de Marianna Guillonk (Alanah Bloor), a “Pérola de Labuan” e filha do cônsul britânico. O que começa como um encontro tenso evolui para um romance proibido que desencadeia uma guerra. Do outro lado, temos Lord James Brooke (Ed Westwick), um caçador de piratas implacável e obcecado, que quer a cabeça de Sandokan e o coração de Marianna. Tudo isso culmina em traições, revelações sobre linhagem real e um plano de fuga ousado envolvendo uma “falsa morte” para escapar da forca.
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Resenha crítica da série Sandokan
Visual de milhões, ‘sujeira’ de centavos
Não dá para negar: a série é linda. A produção da Lux Vide não economizou na tecnologia, usando paredes de LED de 360 graus (no estilo O Mandaloriano) para recriar oceanos e selvas dentro do estúdio, além de filmar em locações deslumbrantes na Calábria, Toscana e na ilha Reunião. O resultado é uma experiência imersiva, com cores vibrantes que fogem daquele tom cinza e escuro de muitas séries atuais.
Porém, essa beleza cobra um preço na verossimilhança. Um ponto que incomodou parte do público (e com razão) é o excesso de “polimento”. O Sandokan de Can Yaman parece ter acabado de sair de um salão de beleza, mesmo depois de dias no mar ou lutando na selva. Falta aquela sujeira, o suor e o caos que Kabir Bedi trazia na versão de 76. Enquanto o original parecia cheirar a álcool e mar, o novo parece cheirar a colônia e sabonete de jasmim. É um visual muito “limpo” para um pirata que vive à margem da lei.

O fator Can Yaman e o elenco
Can Yaman se entregou ao papel: perdeu 10kg, treinou combate e tem uma presença física inegável. Ele convence como herói de ação e tem carisma, mas falta um pouco da “loucura” no olhar que tornava o personagem original tão magnético e selvagem. Ele entrega um Sandokan mais humano e vulnerável, mas às vezes parece mais um modelo fazendo poses do que um guerreiro temido.
Do lado dos vilões, Ed Westwick brilha. Ele encarna Lord Brooke com aquela energia de quem a gente “ama odiar”, trazendo um antagonista elegante, cruel e perturbador, que serve como um ótimo contraponto ao herói. Já Alessandro Preziosi, como o fiel Yanez, é um dos pontos altos, trazendo humor e lealdade, embora o roteiro tenha pesado a mão ao dar a ele um passado trágico e religioso que, para alguns, tirou um pouco do brilho malandro do personagem original.
Romance morno e escolhas de roteiro duvidosas
Aqui a série tropeça um pouco. A química entre Sandokan e Marianna certamente vai dividir opiniões. Enquanto a trama tenta vender um amor épico, há momentos em que a conexão parece forçada e sem faísca, Alanah Bloor tendo uma atuação abaixo da média e, por vezes, parecendo ter mais química com o vilão Brooke do que com o próprio herói.
Além disso, o roteiro toma liberdades criativas estranhas. A inserção de um personagem chamado “Emilio” (uma referência ao autor Emilio Salgari) dentro da tripulação, que quebra a quarta parede, soou, muitas vezes, como uma fanfiction mal executada e causou certa vergonha alheia.
Outro ponto crítico é a escalação do elenco: a escolha de atores europeus para papéis que deveriam ser nativos (malaios/dayaks) provavelmente vai gerar aqueles velhos (e corretos) debates sobre a falta de representatividade e autenticidade histórica, algo difícil de engolir em uma produção de 2025.
Ritmo e ação
Se você gosta de agilidade, a notícia é boa. Com apenas 8 episódios de cerca de 50 minutos, a série não enrola. As cenas de luta são mais coreografadas e sangrentas que as de 1976, trazendo uma modernidade bem-vinda para as batalhas.
No entanto, o final da temporada correu demais. Os últimos episódios tentaram resolver tanta coisa ao mesmo tempo — identidade real, guerra colonial, fuga romântica — que a sensação foi de atropelamento narrativo, sem deixar os momentos dramáticos respirarem.
Conclusão
O novo Sandokan é uma “mistureba” curiosa. Ele funciona muito bem como entretenimento escapista para quem busca aventura, cenários bonitos e gente atraente na tela, lembrando o estilo de Piratas do Caribe com um toque de novela turca.
No entanto, se você é um purista da obra original ou busca precisão histórica e profundidade dramática, pode acabar torcendo o nariz para a falta de “alma selvagem” e para as escolhas de elenco questionáveis. O final, com a falsa morte e a fuga para Mompracem, deixa o terreno preparado para a 2ª temporada, que já está confirmada e deve começar a ser filmada em 2026.
O “Tigre da Malásia” sobreviveu, mas voltou domesticado pelo filtro da alta definição. Vale a pipoca, mas talvez não roube seu coração como o original fez.
Onde assistir à série Sandokan?
Trailer de Sandokan (2025)
Elenco de Sandokan, da Netflix
- Can Yaman
- Alanah Bloor
- Alessandro Preziosi
- Ed Westwick
- Madeleine Price
- Owen Teale
- John Hannah
- Lucy Gaskell
- Matt McCooey
- Angeliqa Devi

















