Sequestro Elizabeth Smart história real do documentário da Netflix 2026 Flixlândia

A história real de Elizabeth Smart: o que o novo documentário da Netflix revela sobre o sequestro

Foto: Netflix / Divulgação
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Se você abriu a Netflix neste início de 2026, deve ter notado um título que está dominando as conversas entre os fãs de true crime: “Sequestro: Elizabeth Smart”. Lançado no final de janeiro, o filme dirigido por Benedict Sanderson não é apenas mais uma reconstituição de crime; é um relato íntimo, contado pela própria sobrevivente, que hoje assume o controle da sua narrativa.

Segundo a crítica especializada, a produção se destaca por fugir do sensacionalismo barato e focar na resiliência da vítima, trazendo entrevistas inéditas com Elizabeth, seu pai Ed e sua irmã Mary Katherine. Mas, para entender a profundidade do que é mostrado na tela, precisamos voltar a 2002 e entender o que realmente aconteceu naquelas madrugadas frias de Utah.

Se o documentário despertou sua curiosidade, aqui está a história real completa, sem filtros e com atualizações sobre o destino dos criminosos.

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Elizabeth Smart: a história real do sequestro

Era madrugada de 5 de junho de 2002, em Salt Lake City, Utah. Elizabeth, na época com apenas 14 anos, dormia no quarto que dividia com sua irmã mais nova, Mary Katherine, de 9 anos. A tranquilidade da casa mórmon da família Smart foi quebrada quando um homem invadiu o quarto e colocou uma faca contra o pescoço da adolescente.

O invasor ameaçou matar Elizabeth e toda a sua família caso ela gritasse. Sob a mira da arma, ela foi forçada a sair de casa de pijama, caminhando pelas ruas até as montanhas próximas. O sequestrador não era um desconhecido total: ele era Brian David Mitchell, um homem em situação de rua que se autoproclamava profeta e que, meses antes, havia realizado pequenos reparos na casa dos Smart sob o nome de “Emmanuel”.

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Nove meses de cativeiro: o que o documentário mostra (e o que esconde)

O que a produção aborda com muita sensibilidade, mas que foi brutal na vida real, é a rotina de terror que durou nove meses. Mitchell não agia sozinho; ele contava com a ajuda de sua esposa, Wanda Barzee.

A “profecia” e o abuso

Mitchell usava a religião de forma distorcida para justificar seus crimes. Ele realizou uma cerimônia bizarra de casamento para tornar Elizabeth sua “segunda esposa”. A partir daí, a jovem foi submetida a abusos diários. Ela era forçada a consumir álcool e drogas, obrigada a assistir pornografia e sofria estupros constantes.

Para mantê-la submissa, Mitchell utilizava o terror psicológico. Ele dizia que, se ela tentasse fugir, ele sabia onde sua família morava e mataria a todos. Em muitos momentos, Elizabeth ficava amarrada a árvores com cabos de aço para evitar qualquer tentativa de fuga.

Sequestro Elizabeth Smart 2026 história real do documentário da Netflix Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Por que a polícia demorou tanto para encontrar Elizabeth Smart?

Esta é uma das perguntas mais frequentes sobre o caso, e a resposta envolve uma série de falhas na investigação e manipulação psicológica.

  1. Foco Errado: Inicialmente, as autoridades gastaram um tempo precioso investigando a própria família de Elizabeth, especialmente o pai, Ed Smart, e outros suspeitos locais como Richard Ricci, ignorando pistas sobre o fanático religioso.
  2. Disfarces em Público: Surpreendentemente, Elizabeth foi levada para locais públicos várias vezes. O trio viajou para a Califórnia e voltou para Utah. Eles obrigavam a menina a usar vestimentas pesadas, véus e túnicas que cobriam seu rosto.
  3. A Chance Perdida na Biblioteca: Um dos momentos mais tensos relatados é quando um detetive abordou o grupo em uma biblioteca pública meses após o sequestro. O policial notou o trio estranho e pediu que ela levantasse o véu. Mitchell interveio, alegando motivos religiosos. O policial recuou. Elizabeth, aterrorizada pelas ameaças e com Wanda apertando sua perna por baixo da mesa como aviso, não conseguiu gritar por socorro.

Como Elizabeth Smart foi resgatada? A reviravolta

A chave para o resgate não veio da tecnologia forense, mas da memória da irmã mais nova, Mary Katherine. Meses após o crime, enquanto lia o Livro dos Recordes Guinness, ela teve um estalo: a voz do sequestrador era idêntica à de “Emmanuel”, o homem que havia trabalhado na casa deles.

A família insistiu para que a polícia fizesse um retrato falado com base nessa nova informação. Quando a imagem de “Emmanuel” (Brian David Mitchell) foi divulgada na mídia, parentes do próprio criminoso o reconheceram e contataram as autoridades.

Em 12 de março de 2003, o trio foi avistado caminhando em Sandy, Utah. Pessoas reconheceram o sequestrador e chamaram a polícia. Ao serem abordados e separados, Elizabeth, ainda com medo, hesitou. Quando um policial perguntou se ela era Elizabeth Smart, ela respondeu com uma frase bíblica condicionada pelos captores: “Tu o dizes” (Thou sayest), confirmando sua identidade logo depois.

Onde estão os sequestradores de Elizabeth Smart hoje?

Para quem busca saber o destino dos criminosos após assistir ao documentário:

  • Brian David Mitchell: Foi condenado à prisão perpétua em 2011 e permanece preso em uma penitenciária de segurança máxima, sem possibilidade de condicional.
  • Wanda Barzee: A situação dela gerou controvérsia. Ela foi condenada a 15 anos e solta em 2018 por erros de cálculo na sentença, sob liberdade condicional estrita. No entanto, atenção para a atualização recente: em abril de 2025, Wanda foi presa novamente. Ela violou as restrições de liberdade condicional ao frequentar parques proibidos para ofensores sexuais, alegando ter sido “comandada pelo Senhor”. A Fundação Elizabeth Smart emitiu uma nota preocupada com o risco que ela ainda representa para a comunidade.

Elizabeth Smart teve Síndrome de Estocolmo?

Esse é um termo muito buscado, mas a própria Elizabeth e especialistas rejeitam essa rotulação no caso dela. O que ocorreu não foi um vínculo afetivo com os sequestradores (característica da Síndrome de Estocolmo), mas sim estratégias de sobrevivência.

Elizabeth decidiu que faria o que fosse necessário para sobreviver e proteger sua família. Ela não “amava” seus captores; ela os temia e os manipulava para se manter viva até o momento do resgate. Hoje, ela ensina que as vítimas não devem ser julgadas pelo que fizeram para sobreviver.

O legado: de vítima a ativista

Hoje, aos 38 anos, Elizabeth Smart transformou sua dor em propósito. Casada e mãe de três filhos, ela atua como ativista na defesa de crianças e mulheres. Ela fundou a Elizabeth Smart Foundation e o programa “Smart Defense”, que foca em autodefesa e prevenção de crimes sexuais.

O documentário da Netflix acerta ao focar nessa reconstrução. Elizabeth espera que sua história sirva para tirar o estigma de outras vítimas de abuso sexual, ensinando que não há motivo para vergonha e que é possível ter uma vida feliz após o trauma. Como ela mesma diz: “Não deixem que eles roubem mais um segundo da sua vida”.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual o nome do documentário da Elizabeth Smart na Netflix?

O título é “Sequestro: Elizabeth Smart” (ou Kidnapped: The Elizabeth Smart Story no original), lançado em janeiro de 2026.

Quanto tempo Elizabeth Smart ficou sequestrada?

Ela foi mantida em cativeiro por nove meses, de junho de 2002 a março de 2003.

Quem sequestrou Elizabeth Smart?

O fanático religioso Brian David Mitchell e sua esposa, Wanda Barzee.

Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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