Quando a Apple TV anunciou que a série Sequestro ganharia uma segunda temporada, muita gente torceu o nariz. Afinal, a primeira temporada funcionou perfeitamente como um thriller fechado e claustrofóbico dentro de um avião, e era difícil imaginar como Sam Nelson (Idris Elba) acabaria no lugar errado e na hora errada mais uma vez. Desta vez, a tensão saiu dos céus e foi parar nos trilhos do metrô de Berlim.
O oitavo e último episódio, intitulado “Terminal”, finalmente entregou as respostas que precisávamos e amarrou o mistério da temporada. Apesar de entregar um suspense de prender a respiração, o finale também esbarrou em decisões narrativas que testaram a nossa boa vontade.
Sinopse
No último episódio, as verdadeiras intenções por trás do sequestro do metrô de Berlim ficam claras: nunca foi uma operação política ou uma simples missão de resgate de um criminoso. O verdadeiro mestre das marionetes operava de dentro de uma prisão de segurança máxima no Reino Unido: Stuart Atterton. O plano era colocar o líder criminoso John Bailey Brown no mesmo trem que Sam e explodir tudo, numa vingança fria pela morte do irmão e da mãe de Stuart.
Enquanto isso, a ex-esposa de Sam, Marsha, luta para sobreviver a mercenários nas florestas gélidas da Escócia. No trem, Sam usa toda a sua lábia e capacidade de negociação para esvaziar os vagões, protegendo os civis, e forçando o ex-agente corrupto Robert Lang para dentro de um túnel junto com a bomba.
O resultado é uma explosão que mata apenas Bailey Brown, enquanto Sam e o maquinista Otto sobrevivem. Lang acaba sendo morto pelas autoridades em uma perseguição, e a temporada encerra com Sam e Marsha vivos, finalmente conversando por telefone após o caos, mas com o peso das consequências os aguardando.
Crítica do episódio 8, final da temporada 2 de Sequestro
A evolução (e a queda) moral de Sam Nelson
Uma das coisas mais interessantes desse final é notar como Sam mudou desde o voo KA29. Na primeira temporada, ele era um cara bem egoísta, que só queria resolver o problema rápido para poder voltar para casa com uma pulseira da Gucci e reconquistar a esposa. Agora, nós vemos um protagonista com uma bússola moral bem questionável.
Ele não está ali por puro acidente; Sam tomou a decisão consciente de embarcar naquele trem e colocar 200 passageiros em risco para salvar Marsha e descobrir a verdade sobre o assassinato de seu filho. O showrunner da série acertou em cheio ao transformar o personagem em um participante ativo da conspiração. Ele agiu de forma quase niilista, sabendo que as consequências seriam terríveis, mas aceitando que já estava “morto” por dentro após o trauma de perder o filho. Seu gambito final para salvar o dia não dependeu de força bruta ou armas, mas de pura lógica, usando a ambição do vilão contra ele mesmo.

O mestre das marionetes e o desafio da lógica
Trazer Stuart de volta como o arquiteto do plano inteiro foi uma faca de dois gumes. Por um lado, o roteiro acerta ao discutir que poder não se resume à liberdade física, mas sim a contatos e influência. É muito tenso (e doloroso) descobrir que o atropelamento que matou o filho de Sam foi, na verdade, uma encomenda de Stuart como forma de tortura e controle.
No entanto, é aqui que a série exige que o espectador desligue um pouco o cérebro. Tentar nos convencer de que um criminoso britânico de nível médio, preso em segurança máxima sob vigilância constante, conseguiu arquitetar um atentado terrorista na Alemanha, contratando mercenários com um celular contrabandeado, beira o absurdo. Como apontado por diversas análises, o plano tinha tantos pontos de falha que era estatisticamente impossível dar certo.
Marsha e a tensão paralela
Outro ponto que dividiu opiniões no desfecho foi o núcleo da Marsha. A ideia dos roteiristas foi criar um suspense com uma pegada de anos 90, jogando a personagem no meio do nada na Escócia, sem celular ou recursos tecnológicos, forçando-a a usar apenas o instinto para sobreviver a assassinos de aluguel.
Quando ela faz uma fogueira para sinalizar para o helicóptero, não é apenas um pedido de ajuda; é o momento em que ela deixa de ser uma mera “donzela em perigo” vigiada de longe e passa a ditar as regras do próprio resgate. Ainda assim, não dá para ignorar que, para muitos espectadores, esse arco pareceu desconectado da trama principal e acabou se arrastando ao longo da temporada, roubando tempo de tela que poderia ter tornado os reféns do trem um pouco mais relevantes para a gente.
O veredito da execução
O clímax no túnel do metrô não foi grandioso e comemorativo; e essa foi a intenção. Quando Lang aciona os explosivos e mata Bailey Brown, a sensação é de algo inevitável, quase como uma execução. Bailey Brown, um homem que passou a vida manipulando o sistema com dinheiro, morre encurralado em um vagão sem ter ninguém para subornar. E para Stuart, a vitória é totalmente oca. Ele consegue sua vingança, mas continua apodrecendo na prisão, sem a família que tanto queria vingar.
Conclusão
A temporada 2 de Sequestro conseguiu provar que a série é mais do que apenas “aquela série do avião”, focando no xadrez mental entre pessoas desesperadas. O final não quis deixar as coisas limpas e arrumadas. Não temos a polícia dando um tapinha nas costas do herói e deixando-o ir embora; Sam Nelson provavelmente vai enfrentar a prisão por cumplicidade e colocar centenas de pessoas em risco, além de lidar com um pesado estresse pós-traumático.
Apesar de a narrativa ter abusado da nossa suspensão de descrença — especialmente com o plano mirabolante via telefone de prisão —, o carisma de Idris Elba e o ritmo frenético do último episódio valeram o ingresso. A série termina amarrando os laços do voo da primeira temporada, mas deixa um gancho enorme no ar. Se tivermos uma terceira temporada, só espero que o Sam decida ficar em casa assistindo TV, porque ele realmente precisa de um descanso.
Onde assistir à temporada 2 de Sequestro?
Trailer da 2ª temporada de Sequestro
Elenco da segunda temporada de Sequestro
- Idris Elba
- Christiane Paul
- Sebastian Hülk
- Alexander Hermann
- Albrecht Schuch
- Christian Näthe
- Clare-Hope Ashitey
- Lisa Vicari
- Dejan Bućin
- Karima McAdams
- Jasmine Bayes
- Thomas Kitsche
- Faraz M. Khan
- Ellie McKay















