Outro dia, outra adaptação de livro saindo do forno dos streamings. Dessa vez, estamos falando de “Siga Minha Voz”, um drama adolescente espanhol que chegou ao catálogo do Prime Video em 2026.
Se você, assim como eu, tem um pé atrás com filmes que nasceram no Wattpad — vide os sucessos e tropeços de franquias como Através da Minha Janela —, já deve ter dado o play esperando aquele roteiro raso e cenas apelativas.
Mas, surpresa: o filme dirigido por Inés Pintor e Pablo Santidrián tenta seguir um caminho diferente. É uma história que, apesar de tropeçar nas próprias pernas às vezes, entrega uma mensagem genuinamente doce sobre saúde mental e superação.
Sinopse
A trama gira em torno de Klara (interpretada por Berta Castañé), uma estudante do ensino médio que viu sua vida virar de cabeça para baixo após a morte traumática da mãe, Katia (Itziar Ituño), vítima de câncer.
Como se o luto não bastasse, Klara também enfrentou um diagnóstico de câncer de mama e sofreu bullying pesado na escola, o que culminou em uma crise severa de agorafobia. O resultado? Ela não sai de casa há mais de 70 dias, isolada do mundo e dependendo do apoio de sua irmã Kamila (Claudia Traisac) e de seu terapeuta online.
O único refúgio de Klara é o programa de rádio online “Siga Minha Voz”, apresentado pelo misterioso e carismático Kang (Jae Woo Yang), que esconde sua identidade e suas próprias cicatrizes emocionais.
Tudo muda quando Klara envia uma pintura para um concurso do programa. Kang entra em contato, e uma amizade virtual floresce, incentivando Klara a enfrentar seus medos, voltar a sair de casa e, eventualmente, descobrir que a voz que a acalmava está muito mais perto do que ela imaginava.
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Resenha crítica do filme Siga Minha Voz
Um sopro de ar fresco no gênero
Vamos ser honestos: estamos acostumados com romances teen onde os atores parecem ter 30 anos e o enredo é só uma desculpa para cenas picantes. “Siga Minha Voz” vai na contramão disso. O filme acerta em cheio na estética e na caracterização. Os personagens realmente parecem adolescentes — mérito da maquiagem natural e do figurino — e a história foca em sentimentos reais, não apenas em atração física.
Visualmente, o filme tenta equilibrar o tom “cru” e dramático estilo A Culpa é das Estrelas com uma paleta de cores e trilha sonora que lembram a fofura de Heartstopper. É uma mistura que funciona para criar uma atmosfera acolhedora, mesmo lidando com temas pesados como depressão, suicídio e isolamento social.

O peso do trauma e a representatividade
O grande trunfo do longa é a coragem de abordar temas difíceis sem (muita) glamourização. A jornada de Klara é dolorosa, e o filme merece aplausos por mostrar, de forma madura, as cicatrizes físicas e emocionais do câncer.
Há uma cena específica — fica aqui um pequeno spoiler e alerta de gatilho — em que Klara mostra suas cicatrizes de mastectomia. É um momento de vulnerabilidade crua, tratado com a sensibilidade necessária, mostrando a autoaceitação da personagem.
Além disso, a dinâmica de Kang, que lida com a culpa pelo suicídio do irmão, adiciona camadas à relação dos dois. Eles não são apenas dois jovens apaixonados; são duas pessoas quebradas encontrando conforto uma na outra.
O problema do triângulo amoroso e a química
Aqui a coisa fica um pouco dividida. Enquanto Berta Castañé entrega uma atuação competente como a protagonista fragilizada, Jae Woo Yang (Kang) recebeu críticas mistas. Para muitos, ele soa um pouco rígido e falta emoção, especialmente na cena musical clímax do filme, que alguns espectadores acharam um tanto “vergonha alheia”.
Por outro lado, temos Nuno Gallego no papel de Diego. O personagem é carismático, divertido e tem uma química instantânea e muito mais natural com a Klara do que o próprio par romântico principal. É irônico: o filme constrói todo o mistério em torno de Kang, mas é nas cenas com Diego que a tela brilha mais. Isso cria aquela sensação agridoce de que, talvez, o casal final não seja o que tem a melhor dinâmica.
Ritmo e roteiro: a maldição do Wattpad
Apesar das boas intenções, o filme não escapa de suas origens. O roteiro sofre com a simplicidade excessiva típica de fanfics. O segundo ato, por exemplo, parece esquecer momentaneamente a profundidade dos traumas para focar em um romance genérico, só para jogar um “balde de drama” apressado no terceiro ato.
Para quem leu o livro, algumas mudanças podem incomodar. Detalhes como a cena do cachorro da vizinha (que seria o motivo da primeira saída de Klara) ou o aprofundamento na amizade com Perla e Ellie foram cortados ou alterados, o que tira um pouco da riqueza do desenvolvimento dos personagens secundários.
E, claro, temos a vilã Yana, cuja motivação e ações (como ameaçar vazar um vídeo de ataque de pânico) soam como aquele clichê de “garota malvada” que já vimos um milhão de vezes.
Conclusão
“Siga Minha Voz” é um filme perfeito? Longe disso. Ele tem problemas de ritmo, atuações desiguais e um roteiro que oscila entre o profundo e o previsível. No entanto, é uma adaptação que tem coração.
Ao contrário de outros filmes do gênero que parecem produtos vazios feitos apenas para gerar engajamento, esta produção tenta genuinamente passar uma mensagem sobre a importância da terapia, da arte e do apoio mútuo na superação do luto.
É uma história de “conforto” para quem gosta de um drama romântico, com um final feliz que aquece o coração (mesmo que você tenha que aturar uma cantoria meio duvidosa no final). Se você gosta de romances Young Adult e quer algo para começar o ano com esperança, vale a pena o play. É melhor do que a média das adaptações que temos visto por aí.
Onde assistir ao filme Siga Minha Voz?
Trailer de Siga Minha Voz (2025)
Elenco do filme Siga Minha Voz
- Berta Castañé
- Jae Woo Yang
- Claudia Traisac
- Fernando Guallar
- Itziar Ituño
- Nuno Gallego
















