E aí, fãs de Star Wars! Falar de Darth Maul é sempre sinônimo de empolgação, não é mesmo? O cara que tem apenas três falas em sua estreia e sobreviveu a ser cortado ao meio acabou se tornando um dos vilões mais complexos e adorados da saga, ganhando sobrevida nas animações. Era questão de tempo até ele virar a estrela principal de um projeto.
Star Wars: Maul – Lorde das Sombras chega ao Disney+ com a promessa de mostrar como ele reconstruiu seu poder na era de ouro do Império. Com os dois primeiros episódios já liberados, fica claro que a Lucasfilm resolveu ousar, trazendo uma pegada criminal, violenta e densa que foge bastante do padrão. Mas será que tudo funciona logo de cara? Vamos conversar sobre isso.
Sinopse
A história dos dois primeiros capítulos (“A Vingança Sombria” e “Esquemas Sinistros”) se passa cerca de um ano após o final traumático de The Clone Wars e da fatídica Ordem 66. Encontramos Maul no planeta Janix, uma metrópole chuvosa de estética cyberpunk controlada por sindicatos do crime e que ainda não está sob as garras diretas do Império.
Querendo vingança contra os antigos aliados do Coletivo das Sombras que lucraram com a sua queda, Maul decide jogar dois chefões mafiosos locais um contra o outro: Looti Vario e Deemis. Paralelo a isso, a série nos apresenta o Capitão Brander Lawson, um detetive de polícia local tentando manter a ordem sem chamar a atenção do Império, e Devon Izara, uma jovem padawan Twi’lek sobrevivente que atrai a atenção de Maul para se tornar a sua nova aprendiz do Lado Sombrio.
Crítica dos episódios 1 e 2 de Star Wars: Maul – Lorde das Sombras
Um visual de cair o queixo e clima noir
Se tem uma coisa que salta aos olhos logo de cara é a estética fenomenal do show. A animação se distancia das texturas mais limpas de The Clone Wars ou The Bad Batch, optando por um estilo muito mais expressivo, intenso e um tanto “sujo”. Com fundos que parecem pinturas em aquarela e um sombreamento mais marcado nos personagens, o visual remete muito a clássicos como Blade Runner, RoboCop e até o recente Arcane.
A atmosfera é pura inspiração no gênero noir e em filmes de roubo, como o clássico Fogo Contra Fogo. E olha, a série não tem medo de ser violenta. As coreografias do sabre de luz vermelho são agressivas e pesadas, transmitindo todo o caos interno e a raiva acumulada do protagonista.

Novos rostos e o toque brasileiro
Para nós, brasileiros, é impossível não sorrir ao ouvir Wagner Moura roubando a cena na dublagem original como o Capitão Brander Lawson. Ele entrega aquele arquétipo clássico de detetive exausto, divorciado e cheio de dilemas morais – uma espécie de Comissário Gordon da galáxia que odeia as forças imperiais. Ele e seu droide “Duas Botas” (dublado maravilhosamente por Richard Ayoade) funcionam muito bem juntos, mas é interessante notar que o droide não serve como alívio cômico; aliás, a série quase não tem humor, o que ajuda a manter a seriedade da trama.
A relação que começa a se construir entre Maul e a padawan Devon também rende bons momentos. A dinâmica flerta muito com a manipulação que vimos Darth Vader usar com Luke, com Maul usando as falhas reais dos Jedi para tentar corrompê-la.
O problema do protagonismo
Por incrível que pareça, o maior calcanhar de Aquiles dessa estreia é a falta de foco em quem dá o título à série. Claro, Sam Witwer continua brilhante na voz de Maul, nos entregando agora um vilão mais calculista e menos descontrolado. A grande sacada do roteiro é abraçar de vez que ele é um cara mau, sem tentar criar desculpas ou redimi-lo magicamente.
No entanto, a narrativa passa muito tempo desenvolvendo as subtramas de Lawson e dos sobreviventes Jedi, e acaba deixando o próprio Zabraque em segundo plano em vários momentos. Faltou explorar mais os pensamentos e o conflito interno dele logo nesse começo. Por enquanto, ele age apenas como o mestre dos fantoches que está sempre um passo à frente dos inimigos, o que é legal de ver, mas esvazia a profundidade do personagem.
Fã-service inteligente e sem exageros
Para quem ama caçar easter eggs, o começo é um banquete. A Lucasfilm chutou a porta já na primeira cena de ação colocando a épica “Duel of the Fates” do mestre John Williams para tocar, referenciando a primeira aparição de Maul nos cinemas em 1999.
Temos também conexões muito legais, como a presença de Rook Kast (sua leal tenente Mandaloriana das animações anteriores) e a sombra constante de organizações já conhecidas, como o próprio Coletivo das Sombras, o Sindicato Pyke e a Aurora Escarlate. Até a infame agência de inteligência do Império, a ISB (de Andor), é citada como o terror da burocracia local.
Conclusão
Star Wars: Maul – Lorde das Sombras começa com os dois pés na porta. Os episódios 1 e 2 entregam uma direção de arte maravilhosa, uma fluidez impecável nas cenas de ação e um universo sombrio bem raro de se ver nas telas da franquia. Wagner Moura brilha, e a promessa de um duelo psicológico na corrupção de uma Jedi é empolgante.
No entanto, a série precisa tomar cuidado para não perder seu protagonista de vista em meio a tantas subtramas interessantes. É um início sólido, e se a história conseguir mergulhar de verdade na mente perturbada do vilão nos próximos episódios, tem tudo para ser mais uma obra-prima nas mãos de Dave Filoni.
Trailer da série Star Wars: Maul – Lorde das Sombras
Elenco de Star Wars: Maul – Lorde das Sombras, do Disney+
- Sam Witwer (Maul)
- Gideon Adlon (Devon Izara)
- Wagner Moura (Brander Lawson)
- Richard Ayoade (Two-Boots)
- Dennis Haysbert (Eeko-Dio-Daki)
- Chris Diamantopoulos (Looti Vario)
- Charlie Bushnell (Rylee Lawson)
- Vanessa Marshall (Rook Kast)
- David C. Collins (Spybot)
- A.J. LoCascio (Marrok)
- Steve Blum (Icarus)


















