Um Amor Que Ilumina crítica dos episódios 9 e 10 final do dorama da Netflix - Flixlândia (1)

Crítica | Finais felizes não são obrigatórios: o desfecho melancólico de ‘Um Amor que Ilumina’

Foto: Netflix / Reprodução
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Sabe aquele tipo de dorama que divide opiniões ao extremo? “Um Amor que Ilumina” chegou ao final da sua temporada provando ser exatamente essa obra. Ao longo dos episódios 9 e 10, a série protagonizada por Park Jinyoung e Kim Min-ju entregou um desfecho que passa longe dos contos de fadas tradicionais, mergulhando de cabeça em um tom contemplativo, amargo e cheio de pontas soltas.

Enquanto parte do público se sentiu abraçada por essa abordagem madura e poética, muita gente ficou arrancando os cabelos com a lerdeza do roteiro e a péssima comunicação dos protagonistas. Vamos destrinchar o que realmente funcionou e o que decepcionou nesse final tão polêmico.

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Sinopse

No nono episódio, a história retoma o rompimento doloroso entre Tae-seo e Eun-a, causado por um mal-entendido bobo envolvendo Seong-chan. Enquanto Tae-seo lida com a angústia de ver sua avó no hospital (que, felizmente, acaba acordando do coma), Eun-a se aproxima de sua madrasta, So-hyeon, encontrando um inesperado conforto familiar. É nesse cenário que A-sol surge com uma proposta no mínimo inusitada para Tae-seo: um namoro falso de curtíssima duração, apenas para que ela possa vivenciar um “término caloroso” e finalmente seguir em frente.

Já no décimo e último episódio, o clima de despedida toma conta. Eun-a decide ir morar no Havaí com So-hyeon. Os desencontros continuam até o último minuto, principalmente quando Eun-a vai à casa de Tae-seo e desiste de bater ao ver A-sol abrindo a porta com a senha.

Apesar de uma última conversa sincera na antiga casa do pai de Eun-a e de uma despedida no aeroporto onde Tae-seo diz estar “a uma ligação de distância”, eles seguem caminhos separados. Anos se passam, e a série termina com Tae-seo trabalhando como maquinista de trem em Seul, cuidando da casa do falecido pai de Eun-a, ainda esperando por ela, enquanto ela vive sua vida no Havaí.

Crítica dos episódios 9 e 10, final de Um Amor que Ilumina

O peso do realismo e a agonia do “não dito”

Se tem algo que “Um Amor que Ilumina” testou nessa reta final, foi a paciência do espectador. O roteiro abraçou um realismo emocional que, muitas vezes, beirou a frustração. Tae-seo e Eun-a se amam, isso é indiscutível, mas a dinâmica deles é engessada por falta de timing, orgulho e, principalmente, falta de diálogo.

É quase desesperador ver dois adultos perdendo anos de suas vidas apenas por não sentarem para ter uma conversa franca. Para alguns, essa falta de atitude faz os personagens parecerem insuportáveis e egoístas. Porém, há quem defenda que essa é a verdadeira essência da vida adulta: bagunçada, cheia de mal-entendidos quietos e escolhas que não se alinham perfeitamente.

Um Amor Que Ilumina crítica episódios 9 e 10 final do dorama da Netflix - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Reprodução

A polêmica inserção de A-sol

A introdução de A-sol como um triângulo amoroso (ou quase isso) nos episódios finais foi uma decisão bastante questionável. Gastar um tempo precioso de tela em uma reta final com um “término de mentirinha” de um casal que sequer namorou pareceu uma forma de encher linguiça.

Apesar de a cena ser surpreendentemente terna e servir para dar um fechamento aos sentimentos que ela nutria por Tae-seo desde a escola, acabou gerando uma poluição emocional na trama principal, tirando o foco do que realmente importava.

Muito além do romance: uma história sobre deixar ir

A grande genialidade do desfecho de “Um Amor que Ilumina” não está no romance, mas nas entrelinhas. A história nunca prometeu ser um romance fofinho, mas sim uma jornada sobre se libertar do passado. Tae-seo precisava deixar para trás o peso excessivo das responsabilidades que carregou desde cedo.

Eun-a estava sufocada pela culpa em relação ao seu pai e precisava curar suas próprias feridas antes de se entregar a alguém. Até mesmo a avó despertando e reconectando suas memórias até voltar ao momento presente foi uma metáfora linda para a mensagem central da obra: viva o agora.

Fotografia, trilha sonora e atuações de ouro

Mesmo com um ritmo que faz a gente querer apertar o botão de adiantar, é impossível negar que tecnicamente a série é uma obra de arte. A cinematografia de “Um Amor que Ilumina” tem um tom nostálgico, aconchegante e “premium”, quase como se estivéssemos assistindo a um filme independente de alto orçamento.

A trilha sonora não é intrusiva; ela embala a melancolia e a esperança das cenas de forma magistral. E, claro, a química de Jinyoung e Kim Min-ju salva o texto muitas vezes. A atuação deles transmite através de pequenos gestos e olhares tudo aquilo que o roteiro se recusa a colocar em palavras. Jinyoung, especialmente, brilhou ao retratar o cansaço e a resiliência de Tae-seo com muita naturalidade.

Conclusão

O final de “Um Amor que Ilumina” definitivamente não é para quem busca resoluções fáceis e finais de contos de fadas. O último episódio nos deixa com um sentimento de “vazio”, mas há uma beleza cruel e sincera nessa ausência de encerramento mastigadinho.

Ao terminar com Tae-seo esperando por um futuro incerto enquanto dirige seus trens (uma ironia genial, já que ele parece viver andando em círculos), a série escolhe ser melancólica, mas estranhamente reconfortante e cheia de esperança. É um dorama que pecou pelos excessos de drama familiar no final e pelo ritmo arrastado, mas que vai ficar martelando na cabeça de quem se permitiu sentir a história.

Onde assistir online ao dorama Um Amor Que Ilumina?

Trailer de Um Amor Que Ilumina (2026)

YouTube player

Elenco de Um Amor Que Ilumina, da Netflix

  • Park Jin-young
  • Kim Min-ju
  • Shin Jae-ha
  • Park Se-hyun
  • Sung Yu-been
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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