Parece mentira que já se passaram nove meses desde que a primeira temporada de The Pitt terminou. Confesso que, quando dei o play naquele primeiro episódio lá atrás, jamais imaginei que ficaria tão preso à trama. Afinal, vindo de uma área que não tem nada a ver com medicina, não parecia o tipo de série que me pegaria de jeito.
Mas pegou. E não só a mim: a série tomou o mundo de assalto, varreu o Emmy com cinco vitórias (incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Ator para Noah Wyle) e deixou todo mundo se perguntando: será que o raio cai duas vezes no mesmo lugar?
Ao reassistir a temporada anterior, fiquei com aquele medo clássico de que a continuação não estivesse à altura. Mas, após conferir a estreia da segunda temporada, intitulada “7:00 A.M.”, dá para dizer com tranquilidade que ainda estamos em mãos muito competentes. A série retorna quase exatamente um ano após sua estreia original, mantendo a qualidade lá no alto.
E uma mudança bem-vinda logo de cara é o cronograma de lançamento: nada de maratona desenfreada, agora temos um episódio por semana. Honestamente? Melhor assim. A série é estressante, intensa e emocionalmente pesada; ter esse tempo para respirar entre os episódios é essencial.
Sinopse
A nova temporada dá um salto no tempo de dez meses em relação ao final da anterior (que se passava em setembro), aterrissando diretamente na manhã do feriado de 4 de Julho — Dia da Independência nos EUA. O formato continua o mesmo: 15 episódios cobrindo um único dia em tempo real, das 7 da manhã às 10 da noite.
Neste episódio de estreia, reencontramos o Dr. Michael “Robby” Robinavitch (Noah Wyle) chegando para o trabalho de moto e sem capacete, um detalhe que grita o quanto ele está numa fase mais “vida louca” e imprudente. O motivo? Ele está prestes a tirar uma licença sabática de três meses assim que este plantão acabar, rumo a um sítio histórico no Canadá.
O hospital, claro, está aquele caos controlado preparando-se para um dos dias mais perigosos do ano. Temos o retorno polêmico do Dr. Langdon (Patrick Ball) após sua reabilitação e suspensão por roubo de medicamentos, o retorno da enfermeira Dana (Katherine LaNasa) que havia se demitido, e a ausência notável da Dra. Collins.
Para preencher o vácuo de liderança durante a futura ausência de Robby, chega a Dra. Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi), uma médica vinda do hospital de veteranos que promete bater de frente com a cultura estabelecida no “Pitt”.
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Resenha crítica do episódio 1 da temporada 2 de The Pitt
O formato em tempo real e a “vibe” do caos
O formato em tempo real continua sendo o grande diferencial que separa The Pitt de clássicos procedurais. Havia uma crítica na primeira temporada de que “coisa demais acontecia em um só dia de trabalho”. A série responde a isso de forma inteligente com o salto temporal de 10 meses.
Fica claro que o que assistimos não é a rotina monótona, mas sim aqueles dias raros e combustíveis onde tudo dá errado ao mesmo tempo. E convenhamos, “o último dia de trabalho antes das férias” num feriado nacional onde fogos de artifício e álcool se misturam é a receita perfeita para o desastre.
Visualmente, a série mantém sua identidade crua. A câmera na mão e a iluminação brilhante continuam lá, criando aquela sensação de urgência documental. É curioso notar como o hospital funciona quase como um personagem próprio, moldando as histórias de uma forma que só The Pitt consegue fazer.

Velhos rostos, novos conflitos
O elenco continua sendo a alma do negócio. Noah Wyle, premiado e merecidamente elogiado, traz um Robby menos focado em surtar (como no final da temporada passada com o TEPT da COVID) e mais contemplativo sobre seu ano sabático, mas com uma imprudência latente simbolizada pela moto sem capacete.
Um dos pontos altos do episódio é o retorno do Dr. Langdon. É o primeiro dia dele de volta após a reabilitação, e Patrick Ball entrega uma atuação cheia de camadas, substituindo a arrogância anterior por incerteza. A cena dele pedindo desculpas a Louie, um paciente recorrente, é tocante, embora Robby ainda não esteja pronto para perdoar, relegando-o à triagem.
Também vemos a evolução dos novatos da temporada anterior. O Dr. Whitaker (Gerran Howell) não é mais o garoto assustado; agora residente, ele adota uma postura muito parecida com a de Robby, confiando no instinto, o que é gratificante de assistir.
O antagonismo da eficiência: Robby x Al-Hashimi
A grande novidade no elenco é Sepideh Moafi como a Dra. Baran Al-Hashimi. Ela entra para preencher a lacuna deixada pela saída de Tracy Ifeachor (Dra. Collins) — uma perda sentida, diga-se de passagem. Al-Hashimi é apresentada quase imediatamente como uma antagonista filosófica para Robby. Ela é a burocrata, a fã de Inteligência Artificial, a mulher que quer instituir “Passaportes de Pacientes” e odeia o apelido “The Pitt”.
Embora ela soe um pouco rígida demais neste primeiro episódio, servindo apenas como um obstáculo para o estilo “cowboy” do Robby, há nuances ali. O momento final do episódio, onde ela dissocia ao ver um bebê abandonado no banheiro, sugere um trauma pessoal profundo (talvez ligado ao fato de ser mãe solo e divorciada) que promete humanizá-la nos próximos capítulos.
Ação médica sem filtro
The Pitt não tem medo de sangue e procedimentos viscerais, algo que muitas séries de streaming evitam. O caso do indigente “John Doe” com uma faca no peito se torna uma cena de ação eletrizante.
Ver a equipe abrir o peito do paciente ali mesmo na sala de trauma, com Robby sugerindo torcer parte do pulmão como uma mangueira de jardim para estancar o sangue, é a televisão em sua melhor forma: tensa, técnica e brutalmente realista. É esse tipo de competência profissional em meio ao absurdo que nos mantém vidrados.
Conclusão
A estreia da segunda temporada de The Pitt prova que a série não foi apenas um sucesso passageiro de 2024. O episódio “7:00 A.M.” consegue equilibrar o familiar com o novo, plantando sementes intrigantes para o resto da temporada. Embora haja uma sensação inicial de “mais do mesmo”, isso é positivo quando a qualidade do material original é tão alta.
Não reinventaram a roda, mas a calibraram perfeitamente. O episódio levanta mais perguntas do que respostas: Robby vai conseguir sair de férias? O Dr. Langdon vai recuperar a confiança da equipe? E o que vai acontecer com o bebê abandonado?
Se a primeira temporada foi sobre entender quem eram essas pessoas, esta parece ser sobre testar seus limites em um dia que promete ser o 4 de Julho mais longo da história. Estou genuinamente ansioso para ver o que vai acontecer quando o relógio bater 22h em abril.
Onde assistir à temporada 2 de The Pitt?
Trailer da 2ª temporada de The Pitt
Elenco da segunda temporada de The Pitt
- Noah Wyle
- Ned Brower
- Patrick Ball
- Katherine LaNasa
- Supriya Ganesh
- Fiona Dourif
- Taylor Dearden
- Isa Briones
- Gerran Howell
- Shabana Azeez


















