Depois de um início de temporada que serviu mais para reintroduzir o ambiente e as novas dinâmicas do que para acelerar o pulso da audiência, o episódio 3 da temporada 2 de The Pitt, intitulado “9:00 A.M.”, finalmente engata a marcha.
Escrito pelo próprio Noah Wyle (que interpreta o Dr. Robby), o capítulo mergulha fundo no lado humano da medicina de emergência, equilibrando casos médicos bizarros com traumas reais da história de Pittsburgh. Se você achou os dois primeiros episódios um pouco lentos, é aqui que a “máquina complexa” de The Pitt volta a funcionar com óleo novo.
Sinopse
O relógio marca 9h da manhã no Pittsburgh Trauma Medical Center e a equipe lida com as consequências das celebrações antecipadas do 4 de Julho. Robby (Wyle) atende Yana, uma mulher com queimaduras graves e um trauma profundo ligado a um evento real da cidade,. Enquanto isso, a Dra. Santos suspeita que uma menina, Kylie, esteja sofrendo abuso infantil devido a hematomas severos, levando a um confronto explosivo com o pai da garota,.
Paralelamente, o Dr. Langdon e o enfermeiro Donnie formam uma dupla improvável para tratar uma criança com miçangas no nariz, proporcionando momentos de leveza paternal. A tensão aumenta quando Mark e Nancy Yee, um casal envolvido em um acidente de carro, revelam diagnósticos muito mais complexos do que aparentavam. Tudo isso culmina em um final tenso com o hospital vizinho, Westbridge, declarando um “Code Black”*, desviando todo o tráfego de ambulâncias para o The Pitt.
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Resenha crítica do episódio 3 da temporada 2 de The Pitt
O peso da história e a escrita de Noah Wyle
O grande destaque deste episódio é a sensibilidade com que Noah Wyle, atuando como roteirista, inseriu a história real de Pittsburgh na trama fictícia. A história de Yana Kovalenko (interpretada de forma tocante por Irina Dubova), que sofreu queimaduras ao se assustar com fogos de artifício, revela-se uma sobrevivente do ataque à sinagoga Tree of Life em 2018.
A interação entre Yana, Robby (que é judeu) e a enfermeira Perlah (que é muçulmana) foi um dos pontos altos, mostrando como a comunidade se uniu após a tragédia real, transcendendo barreiras religiosas. É o tipo de narrativa que The Pitt faz melhor: usar o ambiente médico para explorar a cura emocional, não apenas física. Além disso, Yana serve como um espelho para Robby, chamando sua viagem de moto de “crise de meia-idade” — uma crítica afiada e necessária à imprudência dele.
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Instintos falhos e preconceitos
Se o núcleo de Robby trouxe cura, o de Santos trouxe desconforto e uma lição dura sobre viés de confirmação. A Dra. Santos, movida talvez por seus próprios traumas passados, assume rapidamente que os hematomas da pequena Kylie são fruto de abuso do pai, Benny. O episódio constrói uma tensão palpável, apenas para puxar o tapete: Kylie tem PTI (Púrpura Trombocitopênica Imune), uma doença autoimune, e não sofre maus-tratos.
Embora Santos estivesse errada, a série não vilaniza completamente seu instinto protetor, mas expõe como o “diagnóstico por intuição” pode destruir vidas — o pai de Kylie acaba perdendo a namorada no meio da confusão.
Esse tema de preconceito ecoa na trama do segurança Tony, que assume que um estudante universitário, Jackson, é um “viciado” agressivo, quando na verdade o garoto estava sóbrio e foi vítima da agressividade do próprio segurança. A série foi feliz em mostrar como microagressões e suposições rápidas são perigosas em um ambiente de alta pressão.
A tragédia silenciosa
Nem tudo foi pesado. A química entre Langdon e Donnie trouxe um alívio cômico e doce. Vê-los trocando experiências sobre paternidade enquanto tiram miçangas do nariz de uma criança humaniza Langdon de uma forma que sua trama de vício na temporada passada não permitia,.
No espectro oposto, temos a tragédia silenciosa de Michael Williams. A descoberta de uma massa no lobo frontal explica suas mudanças de humor que levaram ao divórcio, criando uma cena devastadora com sua ex-mulher. É uma daquelas reviravoltas médicas clássicas que The Pitt usa para questionar: quanto de quem somos é personalidade e quanto é biologia? A atuação sutil nesse núcleo elevou o episódio.
Prenúncio de desastre
É impossível ignorar o elefante na sala (ou a moto no estacionamento). O episódio martela a irresponsabilidade de Robby ao mentir sobre usar capacete, logo após receber um motociclista com morte cerebral que não usava um. A série está claramente telegrafando um acidente grave para o protagonista, transformando sua arrogância em um prenúncio de tragédia.
Conclusão
O episódio 3 da temporada 2 de The Pitt é, até agora, o mais forte deste ano. Ele equilibra com maestria o drama médico processual com o desenvolvimento de personagens, algo que parecia faltar nos dois primeiros capítulos. Ao focar nas falhas dos médicos — sejam os preconceitos de Santos ou as mentiras de Robby — a série ganha profundidade.
O final, com o aviso do “Code Black” em Westbridge, funciona como um gancho perfeito. Se o hospital vizinho fechou as portas (seja por um desastre interno ou uma greve velada de feriado), o caos está prestes a desabar sobre o The Pitt. Preparem-se, porque o turno da manhã está apenas começando.
*Na terminologia hospitalar dos Estados Unidos, um “Code Black” geralmente indica que a instituição está recusando a maioria dos pacientes por diversos motivos, como falta de leitos (comum durante a pandemia de COVID-19) ou infraestrutura comprometida.
Impacto no Episódio: No final do episódio 3, o hospital vizinho, Westbridge, emite esse alerta. A consequência direta é que o Pittsburgh Trauma Medical Center (o hospital onde a série se passa) será inundado por todos os casos de emergência da região, aumentando drasticamente a pressão sobre a equipe que já estava ocupada com os feridos do feriado de 4 de Julho.
Onde assistir à temporada 2 de The Pitt?
Trailer da 2ª temporada de The Pitt
Elenco da segunda temporada de The Pitt
- Noah Wyle
- Ned Brower
- Patrick Ball
- Katherine LaNasa
- Supriya Ganesh
- Fiona Dourif
- Taylor Dearden
- Isa Briones
- Gerran Howell
- Shabana Azeez


















