A comédia satírica polonesa 1670 está de volta em sua terceira temporada na Netflix, trazendo de volta todo o absurdo e a acidez histórica que conquistaram os fãs. O peculiar formato de mockumentary (falso documentário) retorna para nos guiar pela rotina hilária da pequena vila de Adamczycha, onde o protagonista mais egocêntrico da Polônia tenta reverter sua má sorte.
Mas será que a fórmula de piadas anacrônicas e sátira social ainda mantém o frescor do início, ou a produção começou a dar sinais de desgaste?
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Sinopse
A nova temporada se passa oito meses após o caótico festival da colheita, com Aniela (Martyna Byczkowska) retornando para casa apenas para encontrar o vilarejo em ruínas e seus pais em completo estado de desilusão. O motivo principal de tanto drama é que seu pai, Jan Paweł (Bartłomiej Topa), perdeu seu status de nobreza após ter seu título queimado na temporada anterior.
Desesperado para reconquistar sua posição a todo custo, Jan se lança em uma série de planos bizarros após falhar no Exame Sarmata. Suas tentativas vão desde propor um casamento por conveniência ao seu melhor amigo Władysław até tentar enviar um camponês, Mirek, à Lua usando uma catapulta gigante. Em meio a isso, sua esposa Zofia (Katarzyna Herman) enfrenta uma crise existencial profunda, deitando-se no chão de pura depressão ao se sentir negligenciada pelo marido.
Para piorar o caos, o outrora falecido Bogdan retorna com amnésia, assumindo a identidade de um líder cossaco ucraniano chamado “Comedor de Polacos”, enquanto a bem-intencionada escola de camponeses de Aniela acaba acendendo o pavio de uma verdadeira revolução popular contra a aristocracia.
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Crítica da temporada 3 da série 1670
Excesso de anacronismos
A grande força de 1670 sempre foi a sua capacidade de rir do presente olhando para o passado, usando a nobreza polonesa do século XVII como um espelho escancarado para os absurdos da sociedade contemporânea. Essa temporada não foge à regra e traz ótimas referências ao cotidiano atual, misturando piadas sobre política social e o comportamento humano. No entanto, a série parece ter pesado um pouco a mão no uso dos anacronismos.
O roteiro agora faz referências diretas a iPhones, à Constituição, ao horóscopo e até a uma “versão de 1670” de correntes de WhatsApp (através de cópias manuscritas da carta de Maomé). Detalhes visuais excêntricos, como uma biblioteca móvel encimada por um cérebro giratório, perdem parte do impacto por serem jogados de forma tão insistente na tela. Em alguns momentos, a pressa em disparar piadas em um ritmo frenético faz com que o humor atropele a própria mensagem satírica, resultando em sorrisos amarelos em vez de gargalhadas genuínas.

Atuações de alto nível
O elenco continua sendo um dos pontos mais fortes e comprometidos da série, entregando atuações que abraçam totalmente a bizarrice da proposta sem hesitação. Bartłomiej Topa está impecável como o egocêntrico e iludido Jan Paweł, mantendo o personagem como um dos protagonistas cômicos mais divertidos da plataforma.
Outro destaque é Martyna Byczkowska como Aniela, cujo arco dramático ao abrir a escola para os camponeses ganha contornos complexos e interessantes. Ela quer combater a desigualdade social, mas acaba descobrindo que as boas intenções podem ter consequências incontroláveis.
Por outro lado, a maravilhosa Katarzyna Herman é visivelmente subutilizada. Embora seu enredo sobre o desgaste do casamento e a busca por afeto seja de certa forma explorado, a personagem de Zofia passa tempo demais apenas deitada no chão com olhar melancólico, desperdiçando o potencial brilhante de uma atriz que costuma se destacar sempre que tem mais tempo de tela.
Descompasso narrativo
O maior tropeço desta temporada reside na sua montagem e condução narrativa. Na tentativa de dar um desfecho ou uma subtrama relevante para cada um dos muitos personagens queridos, a série se torna sobrecarregada.
A segunda metade tenta costurar, de forma apressada, a jornada de Jan para recuperar seu título, a crise conjugal de Zofia, a revolução camponesa de Aniela, os planos egoístas do cunhado Andrzej (Andrzej Kłak), a amnésia de Bogdan, as desventuras românticas de Jakub (Michał Sikorski) e o romance proibido entre Maciej (Kirył Pietruczuk) e Aniela.
Essas histórias acabam competindo por espaço em vez de se complementarem, deixando o espectador exausto com um ritmo que oscila muito e soluções narrativas excessivamente convenientes, como o discurso de Jan que apazigua a fúria camponesa apelando para o instinto de obediência deles.
Conclusão
A temporada 3 de 1670 ainda garante boas risadas e se consolida como uma opção divertida de comédia “besterol” inteligente, sendo impulsionada por um elenco talentoso e uma ótima dublagem em português. No entanto, ao tentar abraçar o mundo e resolver muitos conflitos de uma só vez, a série perde parte do refinamento satírico e da coesão que marcaram sua estreia.
Se este for o encerramento definitivo da saga de Jan Paweł — como o desfecho bem amarrado e o retrato de família final parecem sugerir —, a produção se despede com dignidade, embora deixe no ar a sensação de que a piada começou a se repetir um pouco além da conta.
Trailer da temporada 3 de 1670
Elenco de 1670, da Netflix
- Bartłomiej Topa como Jan Paweł
- Katarzyna Herman como Zofia
- Martyna Byczkowska como Aniela
- Michał Sikorski como Jakub
- Andrzej Kłak como Andrzej
- Kirył Pietruczuk como Maciej
Ficha técnica
- Título: 1670 (Temporada 3)
- Criação / Direção: Maciej Buchwald e Kordian Kadziela
- Distribuição: Netflix
- Gênero: Comédia Satírica, Mockumentary
- Ano de Lançamento: 2026

















