Sabe aquela série que chega prometendo ser a nova obsessão do momento, misturando gente bonita, mistério e aquela pegada “proibida”? Pois é, 56 Dias (56 Days), a nova aposta do Prime Video, aterrissou no streaming exatamente com essa vibe.
Produzida pela Atomic Monster de James Wan e baseada no romance de Catherine Ryan Howard, a produção tenta surfar na onda do renascimento dos thrillers eróticos. Mas será que ela entrega tudo isso ou é apenas mais um daqueles casos de “muito barulho por nada”? A resposta é complexa e depende muito do quanto você está disposto a desligar o cérebro e curtir a viagem.
Sinopse
A premissa é daquelas clássicas que prendem a atenção logo de cara: garoto conhece garota no corredor de um supermercado. Oliver (Avan Jogia) e Ciara (Dove Cameron) sentem uma atração imediata e decidem iniciar um romance intenso. O problema é que a narrativa não fica só no “felizes para sempre”. A série dá um salto temporal de exatos 56 dias para mostrar que, no apartamento de Oliver, a polícia encontrou um corpo em decomposição dentro de uma banheira cheia de produtos químicos.
A partir daí, a história se divide em duas linhas do tempo: o desenrolar do relacionamento “apaixonado” (e cheio de segredos) no passado, e a investigação no presente, conduzida pelos detetives Lee (Karla Souza) e Karl (Dorian Missick), que tentam descobrir quem morreu, quem matou e quem está mentindo nessa história toda.
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Crítica da série 56 Dias, do Prime Video
De Dublin para Boston: mudanças e atmosfera
Quem leu o livro original sabe que a trama se passava durante o lockdown da COVID-19 em Dublin, o que justificava a intensidade e o isolamento do casal. A série, no entanto, trocou o cenário para uma Boston atual, removendo a desculpa da pandemia. Isso foi uma faca de dois gumes: por um lado, permitiu focar puramente na química (ou na falta dela) e nos segredos dos personagens; por outro, tirou aquele senso de claustrofobia natural que o livro tinha.
Ainda assim, a série tenta compensar com uma estética visual marcante. A fotografia abusa de tons azulados melancólicos e vermelhos vibrantes para sinalizar perigo, criando uma atmosfera que é, ao mesmo tempo, sinistra e atraente. É uma série bonita de se ver, mesmo quando o roteiro não ajuda muito.

Química explosiva ou “atuação de TikTok”?
Aqui é onde a série realmente divide as águas. Dove Cameron, deixando oficialmente sua era Disney para trás, e Avan Jogia são inegavelmente bonitos juntos. A química física entre eles é “selvagem” e é o motor da série. No entanto, quando eles precisam conversar… a coisa complica.
A química verbal demora a engrenar, tornando o romance inicial pouco crível. As performances são nível TikTok e a sensualidade da série é totalmente robótica e mecânica, como se os atores estivessem seguindo um manual de instruções em vez de sentirem a cena. Por outro lado, Jogia até consegue, em certos momentos, entregar a espiral psicológica de um homem atormentado pela insônia e por segredos do passado.
O dilema da trama policial
Enquanto acompanhamos o casal, temos a trama paralela dos detetives Lee e Karl. Karla Souza (a eterna Laurel de How to Get Away with Murder) é frequentemente citada como um dos pontos altos do elenco, trazendo uma performance com textura emocional e até um alívio cômico necessário.
O problema é que a série parece não saber o que fazer com eles. A investigação, muitas vezes, parece desconectada e menos interessante do que o drama do casal principal. A tentativa de criar suspense ao redor da identidade do corpo na banheira funciona até certo ponto, mas a resolução e os caminhos tomados pelos detetives — incluindo tramas de incriminação duvidosas — podem soar forçados ou apenas “encher linguiça”.
Roteiro “sexy e estúpido”?
Talvez a melhor definição para 56 Dias é de que é uma série sexy e estúpida. O roteiro de Lisa Zwerling e Karyn Usher aposta em reviravoltas que beiram o absurdo e em decisões de personagens que desafiam a lógica (como transferências bancárias gigantescas sem nenhum alerta de segurança).
O final, especificamente, gera controvérsia. Enquanto alguns episódios, como o penúltimo, finalmente dão respostas, o desfecho é excessivamente arrumadinho para um thriller que se propunha a ser sombrio. A série tenta chocar, mas às vezes acaba entregando uma resolução que parece novela mexicana com orçamento de Hollywood.
Conclusão
56 Dias é aquele tipo de produção que a gente critica, mas não consegue parar de assistir. Se você está procurando uma obra-prima do suspense policial com atuações dignas de Emmy, passe longe. As atuações podem soar superficiais e a trama tem buracos.
No entanto, se o seu objetivo é uma maratona descompromissada, com gente bonita, reviravoltas novelescas e uma pitada de mistério “quem matou quem?”, ela cumpre o papel de entretenimento rápido. É uma série imperfeita, que oscila entre o intrigante e o ridículo, mas que, no fim das contas, serve como um passatempo visualmente estiloso para quem já cansou das comédias românticas tradicionais.
Onde assistir à série 56 Dias?
Trailer de 56 Dias (2026)
Elenco de 56 Dias, do Prime Video
- Dove Cameron
- Avan Jogia
- Karla Souza
- Dorian Missick

















