Motorvalley 2026 crítica da série da Netflix - Flixlândia (1)

Velozes, furiosos e italianos: ‘Motorvalley’ vale a maratona?

Foto: Netflix / Divulgação
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Se você é daqueles que devorou F1: Dirigir para Viver ou cresceu assistindo à franquia Velozes e Furiosos, a Netflix parece ter mirado exatamente em você com sua nova aposta italiana: Motorvalley. Lançada neste mês, a série de seis episódios nos leva para a região da Emília-Romanha, o coração pulsante do automobilismo na Itália.

Criada por Matteo Rovere — que já tinha mostrado que entende do riscado com o filme Veloz Como o Vento —, a produção tenta equilibrar o ronco dos motores com um melodrama familiar pesado e pitadas de crime. Mas será que essa mistura de óleo, lágrimas e esquemas ilegais funciona ou o carro morre na largada? Vamos analisar o que essa série tem de melhor (e onde ela derrapa).

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Sinopse

A trama gira em torno de Elena Dionisi, uma engenheira talentosa que vê sua vida desmoronar. Na ânsia de ver a equipe da família, a Dionisi, vencer o campeonato italiano de GT, ela faz uma modificação ilegal no motor do carro. O resultado? A equipe vence, é desclassificada por trapaça, e o choque mata o patriarca da família, Bruno Dionisi.

Expulsa da empresa pelo irmão Giulio — que assume o comando e transforma a marca numa vitrine de energéticos —, Elena decide começar do zero. Sem grana e sem reputação, ela monta um time de “desajustados”. Sua pilota é Blu Venturi, uma jovem com talento bruto, mas cheia de problemas com a polícia e envolvida em rachas ilegais.

Para treinar a garota, Elena recruta Arturo Benini, um ex-piloto genial que virou mecânico e vive assombrado por um acidente do passado. Juntos, esse trio improvável tenta provar que pode vencer o sistema, mesmo que para isso tenham que sujar as mãos fora das pistas.

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Crítica da série Motorvalley

Ação “estilo italiano” e estética

O ponto alto de Motorvalley é, sem dúvida, a entrega visual e sonora. A série não tem vergonha de ser o que é: entretenimento movido a adrenalina. A edição é frenética, com cortes rápidos que tentam emular a tensão de estar a 300km/h, acompanhada por uma trilha sonora eletrônica incessante composta por Yakamoto Kotzuga, que raramente deixa o espectador respirar.

A ambientação na Emília-Romanha é um deleite à parte, usando o cenário real das grandes montadoras para dar peso à narrativa. As sequências de corrida, sejam as oficiais ou os rachas clandestinos, são filmadas de forma visceral, muitas vezes colocando a câmera dentro do cockpit para que a gente sinta a claustrofobia e o perigo. Se você veio pelos carros, a série entrega exatamente o prometido.

Motorvalley crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

O poder do trio (e a força feminina)

Diferente de muitas produções do gênero onde as mulheres são apenas acessórios segurando bandeiras, aqui elas têm agência total. Elena não é apenas a “irmã do dono”, ela é o cérebro e a líder. Giulia Michelini entrega uma performance intensa como uma mulher que precisa se reconstruir em um ambiente hostil e masculino.

Do outro lado temos Blu (Caterina Forza), que foge do estereótipo da mocinha indefesa. Ela é rebelde, comete erros graves e tem uma complexidade emocional interessante, lidando com a ausência dos pais e a busca por identidade. A dinâmica dela com Arturo (Luca Argentero) é o coração emocional da série.

Arturo, com seu jeito ranzinza de mentor falido, acaba desenvolvendo uma relação quase paternal com Blu — o que a trama sugere fortemente ter laços biológicos, embora mantenha uma certa ambiguidade. Essa química entre o trio de perdedores que precisam uns dos outros é o que sustenta o roteiro quando a lógica começa a falhar.

Derrapadas no roteiro: crime x esporte

É aqui que Motorvalley deve dividir opiniões. A série começa prometendo ser uma jornada de superação esportiva: treino duro, determinação e estratégia. No entanto, em vários momentos, ela decide dar uma guinada brusca para o gênero de crime e assalto, o que pode frustrar quem esperava algo mais focado na competição pura.

A necessidade constante de dinheiro leva os protagonistas a se envolverem com gângsteres e esquemas de roubo de supercarros — incluindo um assalto a uma McLaren que parece ter saído de um filme de ação genérico, desviando o foco do campeonato.

Essa insistência no submundo do crime e as decisões questionáveis dos personagens (como voltar a cometer crimes na reta final) enfraquecem a premissa de “trabalho duro” e tornam a experiência um tanto medíocre e repetitiva. O final, onde os personagens são presos logo após o pódio, serve como um balde de água fria de realidade: o crime não compensa, mas também deixa um gosto amargo de que todo o esforço na pista foi em vão.

Conclusão

Motorvalley é uma série que funciona muito bem se você ajustar suas expectativas. Ela não vai reinventar a roda ou oferecer reflexões filosóficas profundas. É uma produção feita de fórmula: drama familiar exagerado, gente bonita e carros rápidos.

Para quem busca uma maratona descompromissada, com visuais bonitos e aquela tensão clássica de rivalidade esportiva, a obra de Matteo Rovere cumpre o papel e até surpreende pela qualidade técnica e atuações sólidas.

Porém, se você se irrita com furos de roteiro ou com tramas que resolvem problemas financeiros virando Grand Theft Auto na vida real, pode ser que você termine a temporada querendo chamar a polícia para os roteiristas. No fim, é uma volta rápida que diverte, mas que talvez não te leve a lugar nenhum.

Onde assistir à série Motorvalley?

Trailer de Motorvalley (2026)

YouTube player

Elenco de Motorvalley, da Netflix

  • Luca Argentero
  • Giulia Michelini
  • Caterina Forza
  • Giovanna Mezzogiorno
  • Davide Donin
  • Ivano Chinali
  • Giuseppe Spata
  • Giancarlo Previati
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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