Na Lama temporada 2 crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia (1)

Mais violência, menos lealdade e uma nova hierarquia na 2ª temporada de ‘Na Lama’

Foto: Netflix / Divulgação
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A espera acabou para os fãs do universo carcerário criado por Sebastián Ortega. A segunda temporada de Na Lama (En el barro) desembarcou na Netflix nesta sexta-feira (13), trazendo de volta a atmosfera opressiva de El Marginal, mas com uma roupagem nova.

Se a primeira temporada focou na formação de um grupo unido pela tragédia, estes novos oito episódios chutam o balde — ou melhor, mergulham de cabeça na sujeira — para entregar algo mais cru, visualmente explícito e focado em jogos políticos. Com um elenco reformulado e adições de peso como a China Suárez e Verónica Llinás, a série tenta provar que há vida (e muita morte) em La Quebrada além da temporada de estreia.

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Sinopse

A trama retoma a vida de Gladys “La Borges” Guerra (Ana Garibaldi). A reinserção social não foi gentil com ela: trabalhando como repositora em um supermercado e ganhando uma miséria, ela luta para sustentar o neto, Juan Pablo. Pressionada pela falta de grana, Gladys aceita um “último trabalho” para transportar drogas, mas, como de costume nesse universo, a traição está na esquina. Um informante a entrega, e ela é enviada de volta para a prisão de La Quebrada.

Mas a cadeia que ela encontra não é a mesma que deixou. A estrutura de poder virou de cabeça para baixo. A antiga líder, La Zurda (Lorena Vega), perdeu o posto (e seus privilégios de internet) para a aterrorizante Gringa Casares (Verónica Llinás).

Sob o nariz da nova diretora, Beatriz Lanteri (Inés Estévez), a Gringa comanda um esquema de “viúvas negras”: detentas saem à noite para seduzir e roubar turistas em hotéis de luxo. É nesse ninho de cobras que Gladys precisa sobreviver, tentando recuperar seu neto que foi sequestrado por Aquino (Osmar Nuñez) como retaliação pela carga perdida.

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Crítica da temporada 2 de Na Lama

A nova dona do pedaço

Se há um consenso sobre esta temporada, é o impacto de Verónica Llinás. Ela entra em cena como a “Gringa” Casares e basicamente engole a tela. Sua performance como a nova “big bad” do pedaço é descrita como impulsiva, violenta e controladora.

É interessante notar como a atuação dela evoca memórias de Alejandro Urdapilleta em Tumberos, trazendo uma verborragia descontrolada e tiques que tornam a vilã fascinante e repugnante na mesma medida. Ela não é apenas uma chefe de pavilhão; é uma força da natureza que redefiniu a dinâmica do presídio, submetendo até antigas líderes como a Zurda.

Na Lama 2 temporada crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia (2)
Foto: Netflix / Divulgação

O fator “China Suárez” e a aposta no “apelativo”

A série decidiu aumentar a temperatura, e não foi pouco. A entrada de Eugenia “China” Suárez como Nicole, uma prostituta VIP e “namorada” (leia-se: propriedade) da Gringa, trouxe uma carga de marketing pesada baseada em cenas de alto voltagem sexual e nudez. A crítica aponta que a série abraçou um tom “apelativo” e 100% sensacionalista, focando mais em corpos, sexo lésbico e violência gráfica do que em denúncias sociais, como o roubo de bebês da temporada anterior.

Nicole não é apenas um colírio; ela está no centro de um triângulo perigoso, mantendo um romance secreto com Solita (Camila Peralta), o que gera uma tensão constante com a ciumenta Gringa. Embora possa parecer apelação para alguns, essa dinâmica adiciona uma camada de perigo iminente que mantém o espectador grudado na tela.

Menos sororidade, mais estratégia

Quem esperava aquela união quase familiar do grupo de “mulheres do barro” da primeira temporada pode se decepcionar um pouco. O roteiro desta vez aposta no caos e na desconfiança. A série se aproxima mais das temporadas avançadas de Orange Is The New Black, onde o foco se dilui e a sobrevivência individual fala mais alto. Gladys, interpretada com uma autoridade silenciosa e calculista por Ana Garibaldi, precisa navegar por essas alianças movediças como uma estrategista, e não apenas como uma sobrevivente.

No entanto, essa mudança de tom tem seus tropeços. Em alguns momentos, a busca pelo choque visual e pelas reviravoltas abruptas sacrifica a consistência dos personagens. A narrativa, por vezes, parece glamourizar o caos prisional, com festas e saídas noturnas que desafiam a suspensão de descrença, diluindo um pouco o peso emocional da realidade carcerária.

Identidade visual e atmosfera

Apesar dos problemas no roteiro, que, por vezes prioriza o efeito sobre a causa, a execução técnica continua afiada. A cinematografia reforça a claustrofobia de La Quebrada, com planos que enfatizam a falta de privacidade e a vigilância constante. A direção de Alejandro Ciancio consegue manter um ritmo que, embora oscile, entrega clímaxes que parecem merecidos, especialmente na reta final sanguinolenta envolvendo Antín e Gladys.

Conclusão

A temporada 2 de Na Lama é uma fera diferente de sua antecessora. É mais suja, mais perversa e decididamente menos sentimental. Embora perca pontos ao enfraquecer os laços de amizade que definiam o coração da série em favor de tramas de choque e erotismo, ela compensa com atuações monstruosas — especialmente de Llinás e Garibaldi — e uma trama de poder que, mesmo exagerada, nunca é entediante.

Para quem curte o universo de El Marginal, a série entrega exatamente o que promete: uma descida ao inferno carcerário onde a única regra é que não há regras. Pode não ser perfeita, e talvez abuse da boa vontade do público com suas liberdades criativas, mas é entretenimento visceral garantido.

Onde assistir à temporada 2 de Na Lama?

Trailer da 2ª temporada de Na Lama

YouTube player

Elenco da segunda temporada de Na Lama

  • Ana Garibaldi
  • Valentina Zenere
  • Ana Rujas
  • Rita Cortese
  • Lorena Vega
  • Carolina Ramírez
  • Gerardo Romano
  • Cecilia Rossetto
  • Juana Molina
  • Erika de Sautu Riestra
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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