Se você abriu a Netflix recentemente, provavelmente deu de cara com o título “A Cela dos Milagres”, lançado nesta sexta-feira (13 de fevereiro de 2026). A premissa de um pai com deficiência intelectual preso injustamente parece familiar? Não é déjà vu. O novo longa mexicano é mais um remake do aclamado filme sul-coreano de 2013, que também originou o fenômeno turco “Milagre na Cela 7”, aquele que fez meio mundo desidratar de chorar em 2019/2020.
Mas, afinal, o que muda entre a versão mexicana de Omar Chaparro e a versão turca de Aras Bulut Iynemli? Será que o final é o mesmo? O roteiro mexicano confirmou teorias que os fãs do filme turco apenas especulavam?
Preparamos um comparativo detalhado para você entender as nuances. Atenção: Spoilers pesados abaixo!
Principais diferenças entre os filmes
Embora a espinha dorsal seja a mesma — o amor incondicional entre um pai e uma filha contra um sistema corrupto —, a versão latina trouxe mudanças significativas no tom e, principalmente, na amarração do desfecho.
1. O “milagre” do sacrifício: teoria x confirmação
A maior diferença narrativa está na identidade do personagem que salva o protagonista.
- Na versão turca (“Milagre na Cela 7”): O prisioneiro Yusuf decide se sacrificar e ir para a forca no lugar de Memo. O filme sugere que Yusuf carrega a culpa de ter matado a própria filha no passado. Existe uma forte teoria de fãs de que Yusuf seria o avô de Ova (a menina protagonista), mas o filme turco deixa isso ambíguo e nunca confirma explicitamente o parentesco.
- Na versão mexicana (“A Cela dos Milagres”): O roteiro elimina a dúvida. O personagem Iván (interpretado por Arturo Ríos), companheiro de cela de Héctor, revela-se ser o avô biológico da menina Alma e sogro de Héctor. Descobrimos que a filha que Iván matou acidentalmente no passado era a esposa de Héctor. O sacrifício dele aqui não é apenas por culpa, mas um ato de proteção familiar para salvar a neta da orfandade.
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2. O destino do protagonista (final explicado)
Ambas as versões divergem radicalmente do filme original coreano (onde o pai é executado e a filha busca justiça anos depois). Tanto a versão turca quanto a mexicana optam por um final “agridoce”, mas com esperança.
- O veredito: Em ambos os filmes, o pai (Héctor no México, Memo na Turquia) não morre. Eles escapam graças ao sacrifício do companheiro de cela e à ajuda dos diretores da prisão.
- A execução: Na versão mexicana, a troca de prisioneiros é mostrada como um pagamento de uma “dívida de sangue” de Iván, transformando o desfecho em uma tragédia grega moderna sobre legado e redenção.
3. Tom e ambientação: drama x realismo visceral
Enquanto o filme turco tem momentos de fotografia quase onírica e uma carga dramática muito focada na emoção pura, a versão mexicana aposta em uma estética mais “suja” e realista.
- Cenário: Curiosamente, apesar de se passar no México, “A Cela dos Milagres” foi filmado na Colômbia (Bogotá), utilizando prisões e locações que evocam uma realidade carcerária latina crua e caótica.
- Comédia: A versão mexicana reduziu quase todo o alívio cômico para focar em um melodrama mais pesado e em denúncias de falhas judiciais e corrupção sistêmica típicas da América Latina.
Quem é quem no elenco?
A escolha dos protagonistas dita muito do ritmo de cada filme.
O pai (protagonista)
- México: Omar Chaparro interpreta Héctor. A escalação foi polêmica, pois Chaparro é famoso por comédias escrachadas (como No Manches Frida). Sua atuação divide opiniões entre o “comovente” e o “caricato”, inspirada em crianças de 4 a 6 anos.
- Turquia: Aras Bulut Iynemli interpreta Memo. Sua performance foi amplamente elogiada pela sensibilidade, carregando o filme com uma atuação que muitos consideraram o ponto alto da produção.
A filha
- México: A estreante Mariana Calderón vive a pequena Alma.
- Turquia: Nisa Sofiya Aksongur interpreta Ova. Em ambas as versões, a química entre pai e filha é o motor que faz o público chorar, servindo como uma “bússola moral” para os criminosos da cela.
Respostas rápidas para apressados
A Cela dos Milagres é baseada em fatos reais?
Não. Assim como a versão turca, o filme mexicano é uma obra de ficção. Trata-se de um remake do filme sul-coreano Miracle in Cell No. 7 (2013). Embora aborde temas reais como corrupção policial e injustiça, os personagens Héctor e Alma não existiram.
Onde assistir às duas versões?
Ambos os filmes estão disponíveis no catálogo da Netflix. A versão turca (Milagre na Cela 7) entrou em 2019/2020, e a mexicana (A Cela dos Milagres) estreou em fevereiro de 2026.
Qual versão é mais triste?
Isso depende do seu gosto. A versão turca é conhecida por ser um “dramalhão” feito para desidratar o espectador com trilha sonora emotiva. A versão mexicana é descrita como mais “visceral” e foca na injustiça social e na redenção familiar explícita. O filme original coreano, no entanto, é o único com o final verdadeiramente trágico onde o pai morre.
Veredito: qual assistir?
Se você prefere um mistério mais subjetivo e uma fotografia impecável, a versão turca “Milagre na Cela 7” continua imbatível. Porém, se você quer uma resolução clara sobre a história do “avô” que se sacrifica e uma ambientação que reflete a realidade carcerária latina, a nova aposta mexicana “A Cela dos Milagres” vai te entregar as respostas que a versão anterior deixou no ar.
De qualquer forma, a recomendação é a mesma para os dois: prepare o lenço.
















