Bem-vindo, caro cinéfilo e leitor! Vamos hoje conversar sobre “A Cronologia da Água”, o primeiro longa-metragem dirigido por Kristen Stewart — nossa famosa vampira apaixonada da saga Crepúsculo — que já havia lançado anteriormente dois curtas: “Come Swim” e “BoyGenius”.
Nesta obra baseada na autobiografia de Lidia Yuknavitch — escritora, professora e editora americana — publicada em 2011, somos conduzidos pelos caminhos tortuosos de sua vida desde a infância. A narrativa percorre seu crescimento em uma família marcada por um pai abusivo, uma mãe depressiva e alcoólica, e os acontecimentos mais determinantes que a levaram, anos depois, à consolidação como professora universitária e escritora.
Sinopse
Lidia Belle — como seu pai a chamava — é interpretada com intensidade por Imogen Poots (Meu Pai). Ela cresce em uma típica família americana, na qual o pai arquiteto (Michael Epp) governa o lar com mãos de ferro, oprimindo tanto a esposa Dorothy (Susannah Flood) quanto as filhas Lidia e Claudia (Thora Birch, de The Walking Dead).
Desde cedo, Lidia encontra na natação uma válvula de escape para sobreviver à violência doméstica e, ao mesmo tempo, uma forma de liberdade pessoal. A água torna-se abrigo, silêncio e resistência. Em meio a um amor materno existente, porém pouco efetivo, apenas o cuidado afetivo da irmã mais velha oferece algum conforto naquele ambiente sufocante.
Esse é o ponto de partida para que a palavra constante do título — água — comece a assumir as múltiplas formas que atravessam praticamente todos os momentos decisivos deste roteiro denso e profundamente simbólico.
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Resenha crítica do filme A Cronologia da Água
Com o desabrochar de sua sexualidade desde o início do filme, Lidia expressa em pensamentos e falas toda a fluidez que apenas alguém acostumado a nadar poderia sentir: cada respiração e cada braçada moldam o raciocínio, enquanto o foco permanece fixo em um objetivo distante.
Há uma tensão permanente que a acompanha — refletida principalmente na oportunidade de conquistar uma bolsa universitária graças às suas habilidades como nadadora. Quando finalmente se vê livre daquele ambiente familiar, passa a experimentar os excessos possíveis: álcool, drogas e relações instáveis.
Como um animal ferido pela violência doméstica e sem o amparo diário de Claudia — que, assim que pôde, também deixou o lar — Lidia mergulha ainda mais fundo em seus impulsos, buscando na água mental que a acompanha uma fuga para as consequências do caminho tortuoso que escolheu.

Ao surgir a chance de seguir uma rota literária, é apresentada a um experimento conduzido pelo escritor Ken Kesey — autor de Um Estranho no Ninho — interpretado aqui pelo sempre imprevisível James (Jim) Belushi. Ela passa então a integrar o projeto coletivo que resultaria no livro As Cavernas, ao lado de outros aspirantes à escrita.
Durante a faculdade, Lidia casa-se com um colega — fase que culmina em uma das experiências mais dolorosas de sua vida, ecoando diretamente os traumas apresentados nas cenas iniciais do filme.
Persistente, mesmo em meio ao caos, acaba sendo contratada como professora universitária e, finalmente, encontra reconhecimento literário com a publicação de A Cronologia da Água.
Conclusão
Imagine-se nadando sozinho em uma piscina, imerso em seus próprios pensamentos. O som da água envolve tudo — um ruído indefinido, restrito ao movimento dos braços, das pernas e à alternância da respiração entre o mundo submerso e o exterior.
Ainda é o mundo real — acima e abaixo da superfície.
Gritos distantes de pessoas brincando, abafados a cada mergulho.
A Cronologia da Água traduz com precisão essa sensação: a maneira como Lidia vive sua autobiografia, tomando decisões livres que poderiam — ou não — conduzi-la a um desfecho apaziguador.
Kristen Stewart entrega uma direção sensível e honesta, permitindo que o espectador experimente o tédio dos silêncios, os diálogos rarefeitos e os movimentos lentos que, muitas vezes, parecem indicar que a vida não leva a lugar algum.
É justamente aí que reside sua força.
Um roteiro que pode causar desconforto, revolta e até indignação diante das atitudes de alguns “seres humanos”, mas que também oferece momentos de beleza simbólica pura, sexualidade sem juízo de valor e relações afetivas intensas e verdadeiras.
A Cronologia da Água é altamente recomendado para quem aprecia experiências sensoriais e narrativas densas — saiba nadar ou não. Afinal, até debaixo do chuveiro podemos, por instantes, sentir essa imersão.
Balde de pipoca. Guaraná de 2 litros. Para assistir sozinho ou acompanhado. E muito pensamento.
Portanto, bom divertimento!
Onde assistir ao filme A Cronologia da Água?
O filme estreia no dia 5 de fevereiro de 2026 exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de A Cronologia da Água (2026)
Elenco do filme A Cronologia da Água
- Imogen Poots
- Thora Birch
- Jim Belushi
- Tom Sturridge
- Charlie Carrick
- Jeremy Ang Jones
- Kim Gordon















