Jovem Sherlock 2026 crítica da série do Prime Video - Flixlândia (2)

‘Jovem Sherlock’: a aposta ousada (e sem Watson) de Guy Ritchie

Foto: Prime Video / Divulgação
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Quinze anos depois de colocar Robert Downey Jr. na pele do detetive mais famoso do mundo, Guy Ritchie resolveu voltar ao universo de Arthur Conan Doyle. Mas calma, não é o tão aguardado terceiro filme da franquia. A nova aposta do Prime Video, Jovem Sherlock (Young Sherlock), volta no tempo para nos mostrar a juventude do personagem em uma pegada cheia de ação, mistério e a energia caótica que já é marca registrada do diretor.

Estreando com uma aprovação surpreendente de 100% no Rotten Tomatoes (agora já com 86%), a série promete ser uma montanha-russa de entretenimento, mesmo que tome liberdades enormes com a obra original.

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Sinopse

Inspirada na série de livros juvenis do autor Andrew Lane, a trama deixa de lado as tradicionais aventuras com o parceiro Watson e foca em um Sherlock de 19 anos, interpretado por Hero Fiennes Tiffin. Encarando a vida na prestigiosa Universidade de Oxford — onde trabalha como porteiro a mando de seu sensato irmão mais velho, Mycroft (Max Irons) —, o jovem brilhante, porém impulsivo e nada refinado, se vê no meio de um assassinato brutal.

O que começa como um crime local rapidamente se desdobra em uma conspiração global perigosa, envolvendo segredos de família e até uma princesa chinesa perita em artes marciais, Gulun Shou’an (Zine Tseng). O grande diferencial dessa história de origem é quem ajuda Sherlock a desvendar o mistério: ninguém menos que James Moriarty (Dónal Finn), que aqui não é seu arqui-inimigo, mas sim seu mais novo melhor amigo.

Crítica da série Jovem Sherlock

A dinâmica inesperada entre Sherlock e Moriarty

Vamos ser sinceros: tirar o Dr. Watson da jogada é um risco enorme, mas a série acerta em cheio ao colocar James Moriarty nesse espaço de parceiro. A química entre Fiennes Tiffin e Dónal Finn é palpável e traz uma vida nova a uma dupla que todos nós conhecemos pelo ódio mútuo.

Finn brilha como um Moriarty charmoso, inteligente, subversivo e com uma raiva contida contra o sistema. Vê-los trabalhando juntos nas investigações, dividindo o mesmo “palácio mental” e quase se tornando irmãos, faz com que saibamos que a inevitável virada de Moriarty para o mal será absolutamente devastadora no futuro.

Jovem Sherlock 2026 crítica da série do Prime Video - Flixlândia (1)
Foto: Prime Video / Divulgação

O retorno ao “old school” e a estética de Guy Ritchie

Se você lembra das cenas de dedução super carregadas de efeitos visuais do Sherlock de Benedict Cumberbatch, pode esperar algo bem diferente aqui. O showrunner Matthew Parkhill e Guy Ritchie optaram por uma abordagem quase totalmente analógica e “old school”.

As cenas do palácio mental são feitas em grande parte usando truques práticos de câmera, cortes rápidos e até animações desenhadas a lápis, simulando como os efeitos visuais seriam pensados lá no século 19. Além de baratear e dar um charme único, isso mantém o público sempre focado e surpreso com o que está vendo. O estilo visual frenético de Ritchie está presente nas lutas e nos diálogos acelerados, mas de forma um pouco mais contida, servindo bem à energia da juventude do protagonista.

Um elenco de altos e baixos

O elenco de apoio é muito forte, o que ajuda a equilibrar alguns deslizes. Colin Firth está divertidíssimo como o arrogante e atrapalhado professor Sir Bucephalus Hodge, enquanto Natascha McElhone entrega muito carisma e emoção como a mãe de Sherlock, Cordelia Holmes. Zine Tseng também é uma grata surpresa como a Princesa Shou’an, trazendo camadas inesperadas para a personagem.

Por outro lado, o próprio protagonista nem sempre convence. Fiennes Tiffin tenta dar ao seu Sherlock uma vulnerabilidade e inocência necessárias para a idade, mas em alguns momentos parece se esforçar demais para imitar o carisma de Robert Downey Jr.. Além disso, ele é frequentemente ofuscado pela presença magnética de Dónal Finn. Max Irons como Mycroft também deixa a desejar, entregando uma versão muito menos genial e interessante do que costumamos ver do personagem.

Conclusão

Jovem Sherlock não é um prelúdio dos filmes antigos de Guy Ritchie e nem tenta ser a adaptação mais fiel já feita do trabalho de Arthur Conan Doyle. É uma série assumidamente barulhenta, divertida e despreocupada, focada em entregar mistérios empolgantes e grandes reviravoltas.

Apesar de deslizes no ritmo inicial e de algumas atuações mais fracas, a série ganha força total a partir do segundo episódio. Se você comprar a ideia e embarcar nessa mistura de ação com drama investigativo, vai encontrar uma releitura revigorante e uma nova amizade (trágica) que vale a pena acompanhar. O jogo, sem dúvidas, começou de novo.

Onde assistir online à série Jovem Sherlock?

Trailer de Jovem Sherlock (2026)

YouTube player

Elenco de Jovem Sherlock, do Prime Video

  • Hero Fiennes Tiffin
  • Dónal Finn
  • Zine Tseng
  • Natascha McElhone
  • Max Irons
  • Numan Acar
  • Ravi Aujla
  • Holly Cattle
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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