Confira a crítica do filme "A Mulher no Jardim", terror de 2025 de Jaume Collet-Serra disponível para assistir nos cinemas.

Silêncio, Culpa e Sombras: o terror psicológico de ‘A Mulher no Jardim’

Foto: Universal Pìctures / Divulgação
Compartilhe

Em meio a tantas produções de terror que apostam em sustos fáceis e reviravoltas forçadas, “A Mulher no Jardim” surge como uma proposta mais intimista e atmosférica. Dirigido por Jaume Collet-Serra, conhecido por títulos como A Órfã e A Casa de Cera, o longa aposta em uma narrativa carregada de metáforas e tensão psicológica para explorar os efeitos devastadores do luto.

A parceria entre a Universal Pictures e a Blumhouse, estúdio já consolidado no gênero, resulta em um filme de baixo orçamento, mas com grande cuidado estético e dramático. Com Danielle Deadwyler no centro da trama, “A Mulher no Jardim” busca provocar mais incômodo do que medo — colocando o espectador frente a frente com as dores que insistimos em deixar do lado de fora.

A proposta é promissora: transformar uma simples figura sentada no quintal em símbolo de tudo o que se reprime. No entanto, até onde essa metáfora pode ser sustentada sem perder força? É essa a pergunta que o filme levanta — mas nem sempre responde com clareza.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme A Mulher no Jardim

Após a trágica morte do marido em um acidente de carro, Ramona (Danielle Deadwyler) tenta manter a vida com os filhos Taylor (Peyton Jackson) e Annie (Estella Kahiha) em uma casa inacabada no interior.

Enquanto mergulha no luto e se distancia emocionalmente da família, a presença silenciosa de uma mulher desconhecida, vestida de preto e sentada no jardim da residência, desencadeia uma sequência de eventos cada vez mais aterrorizantes.

Aos poucos, essa figura revela ser mais do que uma simples intrusa: ela é a personificação de algo sombrio, um reflexo psíquico que transforma a dor da perda em um jogo mortal entre realidade e alucinação.

Você também pode gostar disso:

+ ‘Karatê Kid: Lendas’: entre raízes antigas e novos galhos

+‘Lispectorante’ mistura lirismo, amor e luta na cidade de Recife

+ Netflix aposta em tensão psicológica com ‘À Altura’, drama sobre obsessão e legado

Crítica de A Mulher no Jardim (2025)

Jaume Collet-Serra, já experiente em transitar entre o thriller e o terror mais direto, entrega em “A Mulher no Jardim” uma ambientação meticulosa, que aposta menos no susto fácil e mais na tensão psicológica constante. Grande parte da ação se passa durante o dia — o que, curiosamente, torna tudo ainda mais incômodo. A escolha das locações, a fotografia de Pawl Pogorzelski e a trilha sonora dissonante de Lorne Balfe compõem um retrato opressivo da mente de uma mulher à beira do colapso.

A figura da mulher sentada no jardim — imóvel, sempre em silêncio — ecoa elementos de horror sobrenatural clássico, mas é recontextualizada como algo mais íntimo: uma metáfora visual para a culpa e o luto não elaborados. A insistência da entidade em permanecer ali, sob o olhar da protagonista, funciona quase como um espelho das dores que ela se recusa a enfrentar.

Danielle Deadwyler comanda um drama interno devastador

A força dramática do filme repousa quase inteiramente sobre os ombros de Danielle Deadwyler. Em uma performance contida e visceral, ela traduz com precisão a angústia de uma mulher dilacerada pela perda, mas também esmagada pelo peso da maternidade e pela solidão.

O relacionamento tenso com os filhos, especialmente com o adolescente Taylor, acentua a sensação de desamparo que percorre o longa. Não há exageros: Deadwyler entrega uma atuação sustentada em olhares, silêncios e hesitações — e isso basta.

Mesmo os coadjuvantes têm seus momentos de brilho. Peyton Jackson e Estella Kahiha compõem uma dupla infantil que nunca recorre ao estereótipo, enquanto Okwui Okpokwasili, mesmo com falas limitadas, imprime uma presença ameaçadora e hipnotizante como a mulher do jardim.

A metáfora é poderosa — até deixar de ser

Durante boa parte da projeção, “A Mulher no Jardim” parece caminhar com segurança por uma linha tênue entre o horror psicológico e o drama sobre saúde mental. A mulher do jardim funciona como metáfora para o luto, o suicídio, a maternidade imposta e o fardo da culpa — temas que já haviam sido abordados com sucesso por filmes como O Babadook ou Hereditário.

No entanto, quando o terceiro ato entra em cena, o equilíbrio se rompe. O filme deixa de sugerir para escancarar. A densidade simbólica se transforma em um desfile de metáforas excessivas e pouco elegantes, culminando em um final ambíguo que, em vez de instigar, frustra. A sensação é de que a história, que até então havia sido habilmente conduzida, não soube como se resolver.

A tentativa de conferir ao desfecho um tom à la David Lynch, com elementos quase oníricos e desconexos, acaba esvaziando o impacto emocional e narrativo. A confusão conceitual sobre o que é real ou imaginário parece menos uma escolha criativa e mais uma saída fácil para a falta de coesão.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

“A Mulher no Jardim” é um exemplo claro de como o terror pode (e deve) dialogar com questões emocionais profundas. Sob a direção sólida de Jaume Collet-Serra e com uma atuação de destaque de Danielle Deadwyler, o filme oferece uma experiência intensa e incômoda — que quase se transforma em uma obra-prima.

Infelizmente, a ousadia do roteiro, especialmente no ato final, perde o rumo ao mergulhar em excesso de simbologia e um final mais pretensioso do que eficaz.

Ainda assim, para quem aprecia um terror atmosférico, com personagens complexos e uma estética de tirar o fôlego, trata-se de uma estreia relevante no cenário do horror contemporâneo. Poderia ter sido brilhante — mas preferiu se esconder sob véus metafóricos em vez de encarar seu próprio espelho até o fim.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram

Twitter

TikTok

YouTube

Onde assistir ao filme A Mulher no Jardim?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de A Mulher no Jardim (2025)

YouTube player

Elenco do filme A Mulher no Jardim

  • Danielle Deadwyler
  • Okwui Okpokwasili
  • Peyton Jackson
  • Estella Kahiha
  • Russell Hornsby
  • Chad Pitter

Ficha técnica de A Mulher no Jardim

  • Título original: The Woman in the Yard
  • Direção: Jaume Collet-Serra
  • Roteiro: Sam Stefanak
  • Gênero: terror
  • País: Estados Unidos
  • Duração: 88 minutos
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
A Empregada 2026 resenha crítica do filme Flixlândia (2)
Críticas

[CRÍTICA] A casa perfeita e o monstro invisível: a adaptação de ‘A Empregada’ (com spoilers)

A adaptação cinematográfica de “A Empregada” chega aos cinemas em 2025 com...

O Bom Vizinho 2022 resenha crítica do filme Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] Jonathan Rhys Meyers brilha (e assusta) no suspense ‘O Bom Vizinho’

Sabe aquele ditado que diz que “os opostos se atraem”? No cinema,...

Gatao Formação de Batalha resenha crítica do filme Netflix 2025 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Gatao: Formação de Batalha’: 10 anos de franquia entre a lealdade, o caos e o cringe

Já se passou uma década desde que a franquia “Gatao” começou a...

Adeus, June resenha crítica do filme Netflix 2025 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Adeus, June’: quando um elenco de elite tenta salvar um roteiro de família

Se existe algo que grita “filme de fim de ano da Netflix“,...

Nosso Natal em Família resenha crítica do filme 2024 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Nosso Natal em Família’ é um ‘anti-filme’ natalino que você precisa assistir

Sabe aquela época do ano em que somos bombardeados por filmes de...