A Noite de Alaíde filme brasileiro 2026

‘A Noite de Alaíde’ preenche lacunas históricas com poesia e reparação audiovisual

Foto: Bretz Filmes / Divulgação
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O cinema brasileiro carrega consigo uma missão que frequentemente vai além do mero entretenimento: a de funcionar como um arquivo vivo de memórias silenciadas, algo que fica evidente no lançamento do filme A Noite de Alaíde.

Estreando nos cinemas nesta quinta-feira (16), o longa-metragem dirigido por Liliane Mutti transforma essa premissa de resgate em uma obra de urgência e profunda sensibilidade.

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90 anos de vida

Celebrando os 90 anos de vida e as sete décadas de trajetória de Alaíde Costa, a produção se recusa a ser apenas uma biografia linear e burocrática, firmando-se como um manifesto poético sobre o talento e o direito ao palco.

Alaíde Costa é, indiscutivelmente, uma das vozes fundadoras da Bossa Nova.

No entanto, a engrenagem do racismo estrutural historicamente tentou empurrar sua genialidade para a margem dos registros oficiais, privando-a de momentos emblemáticos compartilhados por seus contemporâneos.

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A Noite de Alaíde filme brasileiro de 2026
Foto: Bretz Filmes / Divulgação

É nesse ponto que o filme de Liliane Mutti se agiganta. Em vez de lamentar o apagamento do passado, o documentário escolhe celebrar o triunfo do presente, acompanhando a artista em uma jornada de resgate que culmina em território internacional.

O grande trunfo estético de A Noite de Alaíde reside na sua ousadia formal. Diante da escassez de registros visuais da juventude da cantora — uma consequência direta do próprio descaso histórico —, a direção recorre de forma brilhante à técnica da rotoscopia (animação sobreposta a cenas reais) e à dramatização de atrizes.

Longe de ser um capricho visual, a escolha preenche as lacunas cronológicas com uma atmosfera onírica, transformando memórias fragmentadas em pura arte cinematográfica. É uma solução visual que dialoga diretamente com o lirismo da própria homenageada.

Vale a pena assistir ao filme A Noite de Alaíde?

Amarrado pela condução suave e melancólica da voz de Alaíde Costa, o longa flui sem pressa, permitindo que o espectador absorva o peso de cada nota e de cada silêncio.

La narrativa constrói uma atmosfera íntima, onde o teatro, o cinema e a música se fundem para fazer justiça a uma das carreiras mais ricas, e injustamente subvalorizadas, da nossa cultura.

Ao final de seus 100 minutos, o espectador deixa a sala com a certeza de que A Noite de Alaíde não é apenas um acerto cinematográfico, mas um documento indispensável de reparação histórica.

É um filme que não pede licença para celebrar o gênio de Alaíde Costa; ele simplesmente entrega a ela o trono que sempre foi seu por direito.

Para os amantes da boa música e do cinema feito com o coração, a sessão é obrigatória.

Onde assistir ao filme A Noite de Alaíde?

O filme estreia nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de A Noite de Alaíde (2026)

YouTube player

Ficha técnica: A Noite de Alaíde

AtributoDetalhes
Título OriginalA Noite de Alaíde
DireçãoLiliane Mutti
GêneroDocumentário / Biográfico
Duração100 minutos
País de OrigemBrasil
IdiomaPortuguês
Homenageada PrincipalAlaíde Costa
Recursos EstéticosRotoscopia (animação), dramatizações e imagens de arquivo
Temáticas PrincipaisBossa Nova, MPB, racismo estrutural, reparação histórica e memória
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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