resenha crítica da temporada 4 de A Primeira Vez série colombiana disponível para assistir na Netflix

Fim de uma era: a maturidade agridoce na última temporada de ‘A Primeira Vez’

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquela sensação de reencontrar velhos amigos e perceber que a vida cobrou o seu preço de todos nós? É exatamente essa a energia que a quarta e última temporada de A Primeira Vez entrega. A série colombiana se despede do público levando nossa querida “tribo” de personagens para as águas turbulentas do início dos anos 80.

Deixando de lado os flertes nos corredores do colégio, a obra agora mergulha nos dilemas pesados de uma vida adulta que não vem com manual de instruções, oferecendo uma despedida que é, ao mesmo tempo, melancólica e profundamente realista.

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Sinopse

A trama recomeça logo após o imenso sucesso de “A Primeira Mulher”, o romance de estreia de Camilo, que acaba gerando atritos com o grupo pela forma romantizada e ácida com que retratou os amigos. Tentando forçar uma vida adulta para a qual não estão prontos, a galera se despede da icônica casa 364. Eva e Camilo vão morar juntos, mas as coisas desandam rápido: Eva é deserdada pelo pai, os dois encaram uma crise financeira feia (chegando a ir parar em um bizarro programa de TV), e Eva descobre estar grávida.

O ponto de ruptura acontece após uma briga feia na qual perdem o cachorrinho Schopenhauer, culminando em um trágico atropelamento onde Eva perde o bebê. Destruídos pela culpa e pelo luto, o relacionamento desmorona em meio a traições cruzadas – Camilo beija sua produtora Marcela, e Eva se envolve com um autor americano chamado Scott. Três anos de afastamento total se passam, até que um atentado terrorista do grupo rebelde M-19 atinge o país e o desaparecimento misterioso de Luisa força a tribo a se reunir mais uma vez para lidar com o inimaginável.

Crítica da temporada 4 da série A Primeira Vez

O peso (e a leveza) da vida adulta

A série brilha demais ao construir essa atmosfera mais madura, entregando uma excelente recriação da Bogotá dos anos 80, que soa natural e vivida sem precisar ficar esfregando a época na nossa cara a cada cinco minutos. No entanto, a transição para essa nova fase tem seus tropeços no ritmo. Alguns momentos sofrem por manter uma energia de “riscos muito baixos”, onde conflitos pesados acabam tendo resoluções fáceis e rápidas demais.

Mas quando o roteiro decide bater forte, não tem piedade: a trama do sumiço de Luisa — provavelmente sequestrada por grupos guerrilheiros que precisavam de suas habilidades médicas — fura completamente a bolha juvenil e atira os personagens de cara na brutal e imprevisível realidade política da Colômbia daquela época.

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A relação cansativa de Eva e Camilo

Para ser muito sincero, torcer pelo casal principal exigiu paciência nessa reta final. A dinâmica entre os dois sempre foi um cabo de guerra entre a busca de independência e uma codependência emocional bastante viciante (e um pouco tóxica). Eva continua sendo uma protagonista fantástica: inteligente, resolvida e aquela que faz todo o “trabalho emocional” do grupo, quase como se fosse a terapeuta não remunerada da rapaziada.

Já Camilo… continua sendo Camilo. O personagem é frustrante e parece reagir aos problemas da vida sempre com uns dias de atraso. A falta de química romântica entre os dois grita na tela em vários momentos, nos fazendo questionar por que Eva não seguiu sua vida de vez, já que ela claramente joga em uma liga emocional e intelectual muito superior à dele. Mesmo com aquele aguardado beijo na porta de casa no fim das contas, a sensação é de que o retorno deles foi menos sobre um amor perfeito e mais sobre não conseguirem se largar.

Metalinguagem e as peças que faltam

Onde essa quarta temporada realmente ganha a sua nota 10 é no uso genial da metalinguagem. A série brinca lindamente com o conceito de autobiografia ficcional. O livro de Camilo causa confusão justamente porque seus amigos, especialmente Martín e Álvaro, odeiam a licença poética usada para descrevê-los. E não para por aí: a referência à obra de Luigi Pirandello (Seis Personagens à Procura de um Autor) é um baita acerto.

O documentário que Eva tanto queria fazer sobre a tribo engavetado não é à toa; a série que estamos maratonando é esse projeto ganhando vida através das memórias de um Camilo mais velho. Eva não consegue terminar seu filme porque, sem a presença de Luisa, o grupo está com a alma fraturada e a história jamais poderia parecer inteira. Em compensação, ver o amadurecimento dos coadjuvantes é um alento: Martín encerra a série como o cara mais complexo e engraçado do grupo, Álvaro aprende a domar a raiva apitando jogos de futebol, e Pabón finalmente encontra seu caminho na arte.

Conclusão

No fim, a temporada final de A Primeira Vez nos entrega um desfecho com a exata cara da vida real: imperfeito, cheio de lacunas e cicatrizes. O roteiro acerta em cheio ao se recusar a dar uma resposta barata e mastigada sobre o destino de Luisa, nos deixando naquele estado de luto suspenso.

Mesmo com os seus engasgos no ritmo e a teimosia em focar nos vai-e-vens exaustivos de Camilo, a série não perdeu a sua essência autêntica. É uma despedida melancólica, mas lindamente amarrada, provando que crescer quase sempre significa aprender a viver com o que falta — e encontrar beleza nos pedaços que restaram.

Elenco da temporada 4 da série A Primeira Vez

  • Emmanuel Restrepo
  • Francisca Estevez Navas
  • Sergio Palau
  • Julián Cerati
  • Brandon Figueredo
  • Mateo García
  • Verónica Orozco
  • Santiago Alarcón
  • Sara Pinzón
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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